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My Precious

Posted by Bruno Imbrizi . February 7th, 2009

Em uma de suas aventuras longe do Condado, Bilbo Baggins encontrou um anel muito especial. Mais de dez horas de filme depois, o mesmo anel caia nas entranhas escaldantes do Mount Doom, restaurando a paz na Terra-Média. Todo mundo sabe que estou falando de Senhor dos Anéis, a trilogia de maior sucesso de bilheteria até hoje. Assisti todos no cinema, um por ano conforme foram lançados, em 2001, 2002 e 2003. Recentemente assisti de novo, quase um por dia, na versão extended cuja duração somada passa de 11 horas. Chega a cansar de tão longo, dá vontade que toque a campainha no meio só pra ter uma folga. Tá, e assistiu por que então, ô mané? Alguém te obrigou? Não, eu explico.

Quando comecei a espalhar que estava vindo pra Nova Zelândia, lembro que o Clair comentou:
- Meus filhos morrem de vontade de ir pra Nova Zelândia desde que ficaram sabendo que o Senhor dos Anéis foi filmado lá.
- Pô, legal, não sabia.

Chegando aqui tive algum contato com o assunto vendo flyers de LOTR (Lord of the Rings) Tours, mas só fui entender mesmo a coisa toda quando saí pra viajar pelo país e me dei conta da abundância de paisagens fantásticas da Nova Zelândia. A Terra-Média só podia ser aqui, palmas pro pessoal de Hollywood que escolheu filmar as externas aqui. Foi depois da viagem que eu decidi assistir de novo a trilogia e me informar um pouco mais sobre as histórias por trás dos filmes. E aí descobri a contribuição da Nova Zelândia para esse projeto foi bem além das locações.

(Se você, caro leitor, querida leitora, acessa blogs por aí assinando seus comments como gandalf22 ou _ARwEN_, por favor não fique injuriado(a) com a coleção de obviedades a seguir, talvez elas sejam novidades também para outros leitores como certamente foram pra mim).

Para começar, eu não sabia que o diretor era kiwi. Peter Jackson nasceu em Pukerua Bay, North Island, New Zealand. Quando ele tinha 17 anos, leu o Senhor dos Anéis numa viagem de trem de doze horas entre Auckland e Wellington. Sua reação foi: “Não vejo a hora de alguém fazer um filme desse livro porque eu vou querer assistir!” Vários anos se passaram até que ele percebesse que ninguém ia fazer e resolvesse ele mesmo arregaçar as mangas. Tá aí mais uma novidade pra mim: a idéia do filme partiu de um kiwi, não foi um estúdio de Hollywood que contratou um kiwi pra dirigir. E tem mais, o roteiro foi escrito a seis mãos, todas kiwis: Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens – veja os três juntos.

Os figurantes são maciçamente kiwis. Tá, grande coisa, eles estão usando máscara de orc o tempo todo, que diferença faz… O legal está em saber que as máscaras de orc também foram desenhadas e produzidas na Nova Zelândia. Aliás, todo o design de roupas e armas foi feito aqui, assim como a maquiagem e os moldes que deram vida a criaturas até então só descritas no papel. A reponsável por esses efeitos não-digitais é a Weta Workshop, que fica em Wellington. E a esta altura talvez já não te surpreenda mais se eu disser que os efeitos digitais também são kiwis. Foram feitos pela premiadíssima Weta Digital. Vale a pena dar uma olhada em alguns trechos do LOTR disponíveis no site deles.

Entre os atores principais, é verdade que não sobrou muita coisa para os kiwis. A exceção fica por conta de Karl Urban que interpretou Éomer, cavaleiro de Rohan. Já a equipe técnica está novamente forrada de kiwis, uns por já terem trabalhado com Jackson em produções anteriores e outros porque simplesmente ficava mais fácil contratar gente daqui mesmo.

É claro que nada disso teria acontecido sem o peso do cinema americano. Eles foram os realizadores do projeto. Mesmo assim esta ilhazinha aqui perdida no Pacífico pode se orgulhar (e se orgulha) de não ter sido só pano de fundo nesse sucesso da história do cinema.