Posts Tagged ‘viagem’

Olhar estrangeiro

Posted by Bruno Imbrizi . March 28th, 2009

Estou no Brasil. Se você acompanha o Viagem no Tempo deve lembrar do melancólico post NZ Trip – Week 4 onde contei o motivo da volta. Não está afim de ir lá ler? Tudo bem, eu resumo aqui: não deu certo a Pri ficar comigo na Nova Zelândia. Não ia dar certo eu ficar sem ela. Voltei e estamos juntos aqui.

No post Querido Diário contei que este blog nasceu junto com a minha viagem para a Nova Zelândia. E agora? Vai acabar? Não, ainda não. Sou egoísta o suficiente para achar que ainda tenho coisas interessantes para contar. O escopo permanece o mesmo: exterior, viagens, diferenças culturais, Nova Zelândia, etc. Espero que você, leitor, ainda tenha interesse em acompanhar.

Minha expectativa em rever a Pri era alta e foi melhor do que eu esperava.

Minha expectativa em rever a cidade era baixa e foi pior do que eu esperava. Eu era um estrangeiro em Auckland, agora sou um estrangeiro aqui. Vai passar, eu sei, mas não tenho pressa. Estou gostando de analisar de fora o que eu sempre aceitei como normal enquanto estava dentro. O terceiro mundo salta aos olhos. Lojas baratas vendem produtos de baixa qualidade a preços baixos para pessoas que não têm condições de comprar algo de qualidade superior. Caixas de som explodem sertanejo (ou duplas de cantores romanticos sem talento para poesia nem melodia) para atrair (?) a clientela. Pessoas de nem-tão-poucas condições assim (e péssimo gosto musical) compram nessas mesmas lojas porque não parece haver outro critério na escolha além do preço. A baixa qualidade prolifera. As ruas têm cheiros e eles não são bons. Banheiro, cigarro, fritura e perfume barato. Os carros têm pressa, as pessoas têm pressa. Para onde vão? O que fazem? Somos tantos, trabalhamos tanto, por que nos é tão raro o que é livre e abundante do outro lado do Pacífico? Eu gostava de Auckland, mas nunca achei uma cidade bonita. Agora eu acho.

Duas coisas eu já sabia e, para minha sorte, não me surpreendi com o contrário: nossas mulheres são mais bonitas e nossa comida é mais saborosa, mais saudável e mais barata. Aqui, para todos esses adjetivos, fica bem clara a generalização e a opinião por amostragem, antes que alguém de mau humor comece a me apresentar evidências do contrário…

Da minha janela vejo um rio. Ele é horrível. Vou sair para imprimir as fotos que eu e a Pri tiramos na Nova Zelândia e que não precisaram de um clique sequer no Photoshop para mostrar os mais lindos azuis, cianos ou verdes dos rios e lagos de lá.

Transit Visa

Posted by Bruno Imbrizi . March 28th, 2009

Drinks de despedida na empresa. Festa de despedida com os amigos. Jantar de despedida dos vizinhos. Emails trocados, muitos abraços, desejos de sorte e alguns presentes. Fazer as malas, pensar na roupa da viagem, lembrar da escova de dentes no último minuto, devolver a chave do flat e ir para o aeroporto. Lá chegando, burocracia com sorrisos até que…

- Como assim não vou poder embarcar? Deve ter alguma coisa que possa ser feito!

Embaraço, frustração e raiva. Tirar as malas da esteira, levar de novo pro carro e voltar para o flat. Vou te dizer, não foi das sensações mais agradáveis…

Não, eu não estava tentando embarcar com uma faca ou algo pior (tipo uma garrafa d’água com mais de 100ml). Eu não estava com o ticket vencido, nem cheguei atrasado para o check-in, nem estava com excesso de bagagens. Meu problema foi o visto. Meu vôo era Auckland-Dubai com uma escala. Não, meu problema não era o visto para entrar em Dubai, era para entrar na escala. A parada em questão era Sydney, Austrália. O avião ficaria em solo por cerca de 1 hora e meia e dali seguiria até Dubai sem mais paradas. Cidadãos brasileiros não têm direto a trânsito pela Austrália e devem solicitar um visto de trânsito junto à Embaixada ou ao Consulado mais próximo. Não tem choro, não tem vela. Sem visto não embarca e pronto. Tire suas malas daqui e passar bem.

A escala, que nem sequer aparecia no ticket de embarque, estragou meus planos. Eu ainda estou tentando entender até agora por que é necessária a existência de um visto de trânsito. Por que eu tenho que preencher um formulário dizendo se eu já tive contato com pessoas com tuberculose antes de ficar 1 hora no saguão do aeroporto de Sydney? E se eu tivesse, seria meu trânsito negado? Ei amigo, eu não quero ficar aí no seu país e sobrecarregar seu sistema de saúde. O que eu quero mesmo é sair dele! Por mim eu passava por cima, entendeu?

Ok, não adianta discutir. Voltei “pra casa” (por sorte não tinha nenhum novo flatmate pronto para entrar no que era meu quarto), pesquisei tudo o que precisava saber sobre o tal visto na internet e botei o despertador para chegar no consulado da Austrália assim que abrisse. Às 9 da manhã eu estava tenso e puto da cara com a senha 14 na mão. A situação ainda poderia piorar se eu tivesse que mandar meu passaporte para Wellington e esperar meu visto pelo correio, ou se, mesmo resolvendo por Auckland, eu tivesse que aguardar, sei lá, 10 dias úteis. E ainda tinha a questão da passagem que teria que ser remarcada e sempre há uma multa de USD 100 para mudanças de data. No fim deu tudo certo e em 3 horas e meia, 2 visitas ao consulado e 2 visitas ao escritório da Emirates, consegui um visto de trânsito pela Austrália e remarquei minha passagem para o mesmo dia sem custo adicional.

O acontecido foi chato, mas não dá para culpar a companhia aérea. Eles foram racionais e educados o tempo todo e resolveram meu problema com agilidade e sem custo no dia seguinte. Apesar de algumas pessoas que ficaram sabendo do episódio terem xingado a companhia, eu discordo e continuo recomendando a Emirates. Ponho a culpa em mim mesmo por não ter ido atrás dos meus direitos e deveres como cidadão brasileiro e na idéia do visto de trânsito em geral que me parece mais uma pilha de papéis e números destinados a atrapalhar a vida das pessoas. E não posso deixar de criticar também a fraca atuação das relações internacionais do Brasil. A lista de países que têm acordo de trânsito pela Austrália e não exige visto é enorme, mas o Brasil não está nela.

A mensagem a passar com a história toda é: quando estiver planejando sua viagem, não faça como eu, não ignore as escalas, você pode precisar de mais que seu passaporte para botar seus pés brasileiros no estrangeiro e quanto antes você cuidar disso, menor a dor de cabeça.

Update:
Enquanto eu estava no aeroporto de Sydney, NINGUÉM pediu meu passaporte. O visto não fez a menor diferença…

Viajar pela Nova Zelândia é fácil

Posted by Bruno Imbrizi . January 11th, 2009

Já pensou em vir passar as férias na Nova Zelândia? Olha, eu recomendo. Viajar por aqui é fácil. Muita gente vem pra cá rodar pelas estradas e o turismo é responsável por uma grande parte da economia do país, por isso a estrutura é ótima.

Meio de transporte / Hospedagem
Se vier sozinho, tem a opção dos ônibus de excursão que juntam uma galera e sempre tem festa. Se vier em casal ou com um amigo ou mais, já compensa pegar um carro, uma van ou uma campervan. Os carros são mais baratos e mais rápidos, porém você tem que se virar com hospedagem. Tem quem compre um Ford 77 e monte a barraca em algum lugar toda noite e tem quem ande por aí de Mercedes e passe a noite em motor lodges. Já quem viaja de van ou campervan pode estacionar em qualquer lugar e tá feito, mas é sempre bom parar num camping ou holiday park para poder ter banheiro, cozinha, energia elétrica, etc. O interessante é que você acha várias opções de hospedagem em quase todas as cidades, mesmo aquelas bem pequenas que nem supermercado tem. Campings, albergues, hotéis, motéis, motor lodges e holiday parks estão por toda parte, seja em pontos turísticos ou pontos que gostariam de ser turísticos.

Informações
Turista é um bicho perdido e cheio de perguntas. Por isso o departamento de turismo da Nova Zelândia criou os i-SITE Visitor Centres. São 79 espalhados pelo país, isso é suficiente para ter i-SITE até em Reefton, uma cidadezinha de 950 habitantes no meio do nada! Os i-SITEs são quiosques com guichês e atendentes para tirar dúvidas. Estão sempre forrados de panfletos e tem sempre banheiro público por perto. Se você chegou num lugar e não sabe onde dormir, onde alugar um carro, onde jantar, ou de qual ponte você pode pular, vá até o i-SITE que lá eles te dizem.

Estradas
As estradas são ótimas, o asfalto está sempre impecável. Quando tem alguma coisa de errado eles armam um circo de obras em volta. É sério, não é uma plaquinha de Atenção Obras, são vários cones laranjados, duzentas placas de Works Begin, Works End, Temporary, 30 km/h, Cuidadopelamordedeus e outras paradas. Não raro eles fecham uma pista e fica um cara em cada ponta com um radinho e uma placa de Stop e Go. A sinalização também é muito boa e está em todo lugar. Às vezes tem umas coisas meio bestas tipo uma placa No Petrol For The Next 120 Km perdida no meio do nada, em vez de estar perto de algum posto de gasolina. Como a van é beberrona a gente passou alguns apertos por causa disso. Tem que ficar sempre de olho no tanque. No mais a sinalização é boa e intuitiva. Antes das curvas mais fechadas normalmente se encontra um número indicando uma velocidade segura para contornar. As mais comuns sugerem 65 ou 75, mas tem algumas de 25 e 35. 15 é raro e 95 é estúpido uma vez que o limite de velocidade é 100 km/h. Quase tudo é mão-dupla, exceto na saída das grandes cidades onde há duplicação. Em alguns casos é até mão única, como nas One Lane Bridges – pontes de uma pista só – que são bem comuns e as placas indicam quem tem a preferência.

Atrações / Atividades
Se você for marcar umas férias no Rio Grande do Norte, vão te oferecer um pacotão com city tour na segunda, passeio de escuna na terça, buggy na quarta e assim por diante. Deve ter isso por aqui também, mas como viajar por conta é muito legal, nada te impede de ir montando o roteiro durante a viagem. Essa alternativa é bem popular por aqui. Eu já comentei antes que a Nova Zelândia parece um parque de diversões, você anda 100 m e tá lá mais um brinquedo, ou no caso, 100 km e tá lá mais uma maravilha da natureza. É difícil fazer um roteiro que não tenha nada interessante pra ver. Sempre tem um lago, ou praia, ou montanhas, ou cavernas ou (por que não?) um glacier por perto. E sempre tem o que fazer. Os caras inventam todo tipo de passeio ou esporte para os turistas. Rafting, caiaque, pára-quedas, paragliding, bungy jump, jetboat, quadricíclo off road, bondinho, teleférico, tem de tudo. O mais recomendado é reservar antes pela internet, telefone ou pelos guichês de informação (i-SITE). Não tem como fugir dos panfletos das atividades, eles estão por toda parte, você vai ficar com vontade de fazer alguma. E eu recomendo fazer mesmo!

Custos
O jeito mais barato de viajar é pedindo carona, acampando em um lugar isolado e comendo miojo. Pra quem não tá nessa pindaíba, pode comprar um carro (sai mais barato que alugar). Um mês de viagem a $50 a diária já dá um usado bem legal que depois da aventura você pode vender e recuperar parte da grana. Campervans já são bem mais caras e são opção de famílias européias ou casais jovens com um pouco mais de grana. Minha opção foi uma van com cama atrás, que é só um pouco mais caro do que um carro. Não tem a estrutura de uma campervan, mas dá pra dormir dentro, o que é bem prático porque você está sempre com as suas coisas e pode passar a noite em quase qualquer lugar. Se você tiver mesmo que pagar hospedagem, as opções vão de beliches em albergues a $15 até hotéis com preço a perder de vista. Para armar a barraca ou estacionar a van no camping costuma ser $15 por pessoa, mas eles têm também cabines só com cama (cozinha e banheiro compartilhados) na faixa dos $70. Já o quesito alimentação é mais complicado. Cozinhar sem dúvida é a melhor opção. Restaurantes ficam na média de $20 ou $30 por prato. Para pagar menos, tem que fugir para um kebab, ou um McDonalds/KFC/Buger King, ou para um sushi, ou para um porcão desses chineses/indianos, todos na faixa de $10 ou $15. Não tem buffet, não tem comidinha caseira boa e barata, sobra comidinha cara e ruim (pelo menos pelo meu gosto e o da Pri, que achamos com facilidade comidas gostosas no Brasil). Outro ítem é a gasolina, média de $1,30 o litro, cerca de R$ 1,75. E, pra fechar, as atividades podem variar de $60 (passeio de barco) a $400 (saltar de para-quedas + DVD e fotos do salto), mas normalmente ficam entre $100 e $120 (jetboat, caminhada pelo glacier).

Links
New Zealand Tourism
i-SITE Visitor Centres
TOP 10 Holiday Parks
Jucy Rentals
Maui Motorhome Rentals & Car Hire
Brtiz Campervan Hire & Car Rentals
KEA Campers Motorhome Campervan Rentals

Espero que eu tenha ajudado com esse resuminho e deixo o canal aberto. Quem quiser perguntar alguma coisa é só deixar um comentário ou entrar em contato. Até!

Campervan

Posted by Bruno Imbrizi . September 21st, 2008

Meu contrato termina quase no início do verão. É difícil dizer se volto ou se fico, mas uma coisa é certa: vou me dar um mês de férias e vou viajar pela New Zealand. E com essa idéia veio colada a idéia da Pri vir pra cá viajar junto comigo. (Aviso aos leitores anônimos: Pri é minha namorada e ela está no Brasil.) Quê? Como assim? O que você tá pensando? Que eu vou simplesmente pegar minhas coisas e… tá tá eu vou. YES! Ela vem!

Ok, vamos viajar pelo país, mas como? Pedindo carona? De avião? De trem? De ônibus de linha? Ônibus de excursão? Alugando um carro? Comprando um carro? Considerei todas as alternativas e fui atrás de informações. Depois de pentelhar umas tantas pessoas, ler fóruns na internet e debater as opções com a Pri pelo Skype, chegamos à conclusão que o melhor seria viajar de carro. De avião a gente perderia o caminho e as paisagens daqui são imperdíveis. Trem tem muito pouco, são só três linhas, não dá pra programar o roteiro inteiro só com trem igual se faz na Europa. Ônibus de excursão é legal, tem várias opções de roteiros e não é coisa para senhoras que querem experimentar o mundo sem perder o ar-condicionado, é busão de galera, cheio de balada e atividades radicais programadas. Foi uma opção difícil de descartar. Optamos pelo carro por causa da liberdade de roteiro e também pela grana. Entre alugar e comprar um carro, foi só fazer as contas. Para alugar os mais baratos, aqueles que ninguém quer, a diária sai por $35. Se quiser um decente, é na faixa dos $50. Viajar por 30 dias a esse preço significa torrar $1500. Por esse preço dá pra comprar um ótimo usado e revender depois da viagem, recuperando boa parte da grana.

O mercado de usados aqui é sensacional. Talvez não tenha algo assim em nenhum outro lugar do mundo. Uma busca por carros até $2000 no TradeMe mostra 860 resultados só em Auckland! E não é só chepa não, tá cheio de carro interessante ali. Quando que você acha um usado legal no Brasil por esse preço? Acredito que os principais motivos aqui são o fluxo de gente entrando e saíndo da NZ o tempo todo e a facilidade em trazer usado do Japão pra cá (é perto, barato e eles também dirigem com o volante na direita). É uma pena que eu não tenha guardado uma foto dos tempos de albergue, sempre tem um painel com anúncio de carro usado. Quando começa a chegar perto a data do cara ir embora, ele risca o preço e anota um mais baixo, depois risca de novo e abaixa mais um pouco, nessa hora saem umas pechinchas de dar dó.

E foi justamente no albergue que eu descobri a tal da campervan. Trata-se de uma van que teve os bancos traseiros retirados e substituídos por uma cama. É muito bicho-grilo, não é não? Pois então, foi bem uma dessas que eu comprei! Sou agora orgulhoso proprietário de uma Toyota Townace 1991 - campervan de lençol azul!

 

 

Foi o anúncio que mais me interessou no TradeMe e quanto eu vi os dados de contato do vendedor, dizia Rafael ou William. Pô, só podem ser brasileiros! Acabei comprando das mãos do William, brasileiro gente fina que está aqui já há dois anos e está se preparando para virar instrutor de paraquedismo. Não foi uma pechincha de dar dó, mas também não estava nem um pouco caro. Nas duas últimas semanas eu tive o prazer de ir quatro vezes até a auto-elétrica para consertar o sistema de trava que estava capenga e nesta semana eu iniciei a operação cortinas novas. Hoje passei a tarde entre arames e ganchinhos tentando bolar um esquema à prova de curioso. Vai ficar bacana.

Continuo indo a pé pro trabalho e pra academia. A van é só pro final do ano. Comprei no inverno porque o mercado é sazonal e os preços sobem no verão. Confesso que a vontade de dirigir começou a juntar com a preguiça de andar e eu estou usando a van pra ir ao mercado, mas não passa muito disso. Nos últimos finais de semana, o Thomas (meu flatmate) me intimou para viajar um pouco com a van e nós fomos primeiro até Long Bay e depois até Omaha, duas praias lindas. Na volta de Omaha escolhemos o caminho que passa por Helensville, mais pro interior. A paisagem dessa estradinha é algo de cair o queixo. Esta semana o Thomas ficou com inveja e comprou uma van pra ele também (a minha é mais legal), então acho que nossas viagens de domingo acabaram.

Não vejo a hora da Pri chegar e sair viajando pelo mundão levando a casa nas costas!

Links
Passagens aéreas - Air New Zealand [ www.airnewzealand.co.nz ]
Passagens de trem - Tranz Scenic [ www.tranzscenic.co.nz ]
Ônibus de excursão - Kiwi Experience [ www.kiwiexperience.com ]
Aluguel de carro - Apex Car Rentals [ www.nzrentalcar.co.nz ]
Carros usados - TradeMe [ www.trademe.co.nz/Trade-me-motors ]

Novidade Repetida

Posted by Bruno Imbrizi . July 20th, 2008

Eu moro em Auckland. Minha casa é em Auckland. Meu dia-a-dia, café, pão, rua, trabalho, academia, bar, supermercado, roupas é todo em Auckland. Estou integrado à cidade. Minha vida agora é aqui. Não é porque eu tenho uma data para voltar que eu deixo de ser cada dia um pouco menos turista e um pouco mais cidadão.

Talvez este seja o motivo pelo qual este blog anda tão pouco atualizado. As novidades são repetidas. Caí na rotina. Não é mais namoro novo, já comecei a reparar nos defeitos, mas não estou achando ruim não.

Abro a porta de casa e vejo a Sky Tower. É impossível se perder em Auckland. De todos os lugares se vê a Sky Tower. Não é a Torre Eiffel, mas eu gosto de abrir a porta e ver a Sky Tower. Um dia ela está iluminada, no outro ela mudou de cor, no outro só dá para saber que ela está lá quando pisca uma luz vermelha no topo. De manhã, a cabeça dela vai para cima das nuvens. Quando bate sol, ela perde a graça, porque fica muito mais interessante o que está na altura dos olhos.

À noite vou para a academia. O que menos tem lá é neo-zelandês. Vou sempre no mesmo horário e quase sempre com meus dois flatmates franceses. A quadra de basquete está cheia de chineses. Levantando ferro estão os dois amigos argentinos. Um cara é brasileiro, porque um dia eu vi com a camisa do Corinthians, mas ainda não conversei com ele. E o resto é indiano, tá cheio de indiano. Faço parte dessa fauna também.

Sábado e domingo vou andar. Passo pela Queen Street, passo pelo Auckland Domain, vou até o Newmarket. Já estive nesses lugares antes, já bati fotos, já fiz mais de um caminho diferente para chegar lá. Ainda gosto de ir, sábado que vem vou de novo.

Se eu começar a pensar, talvez faça uma lista de 30 ou 40 cidades que eu gostaria de fazer o mesmo que estou fazendo aqui. Conhecendo e curtindo as diferentes fases. E seis meses depois, ciao ragazza, próxima! Não seria demais?

Se eu posso você também pode

Posted by Bruno Imbrizi . July 6th, 2008

Já pensou em vir pra Nova Zelândia? Por que não?

Eu queria ter mais exemplos de brasileiros aqui para escrever este post, infelizmente tenho bem poucos, mas vou contar o meu processo pelo menos.

Antes de sair do Brasil, é bom ter um Plano A, um Plano B e um Plano C. Ou pelo menos a idéia de que se uma coisa der errado você já sabe mais ou menos o que vai fazer em seguida. Meu Plano A era buscar um emprego em web, o Plano B era ir trabalhar nas fazendas e tirar um trocado e o Plano C era fazer turismo até acabar meu dinheiro e voltar para o Brasil.

Para o Plano C, não precisa saber inglês, só precisa ter dinheiro pra viajar.
Para o Plano B, precisa saber um pouco de inglês, ter vontade de conhecer gente nova do mundo inteiro e espírito de aventura para viajar e trabalhar em condições não exatamente confortáveis.
Para o Plano A, precisa saber um bom tanto de inglês e ter qualificação para trabalhar em alguma área que esteja em falta aqui.

A parte boa é que tem muito trabalho aqui. A primeira coisa que eu fiz foi acessar o site www.seek.co.nz e buscar por palavras-chave como “Actionscript” ou “Web Design”.

Depois, dei uma boa lida no site de imigração da Nova Zelândia. Provavelmente o site sobre imigração mais completo do mundo - o país é uma ilha, então imigração é assunto muito sério por aqui. No site é possível ver a lista de qualificações em falta na NZ e quais os tipos de visto que se pode tirar.

Na hora de procurar emprego quem está com visto de turista já começou lá atrás. Existe uma lista de 26 países que dão direito ao Work Holiday Visa para os jovens que querem vir passar um tempo viajando e trabalhando na NZ. O Brasil não está nessa lista.

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Editado 03/09/2008

O Brasil entrou na lista! Leia aqui.
Obrigado ao Bruno Jonas pelo link.
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Não estou dizendo que fica impossível de arrumar trabalho, mas o empregador vai dar prioridade para quem já tem esse visto. E tem muito asiático aqui nessa situação, então acredito que a balança oferta/demanda não está favorecendo muito quem é turista e quer trabalhar. A saída, como em todo bom mercado, é vender a um preço mais barato. Se você topar trabalhar por menos que um cara com visto, talvez você ganhe a vaga.

A boa notícia é que para quem tem uma qualificação é possível dar entrada num Work Permit. A lista de documentos é extensa, mas se você estiver realmente disposto a vir, não é nenhum fim do mundo. Abaixo está tudo o que eu coloquei dentro do envelope que entreguei na imigração na metade de junho:

1. Application Form para Work Permit preenchido (16 páginas)
2. Employer Form preenchido pelo empregador
3. Carta do empregador me convidando para trabalhar na empresa
4. Carta da empresa de RH com anúncio da vaga, dizendo que eles tentaram contratar kiwis antes de dar a vaga pra um estrangeiro
5. Cópia do meu diploma
6. Cópia traduzida oficialmente do meu diploma (traduzi antes de sair do Brasil)
7. Cópia traduzida oficialmente do Tribunal de Justiça dizendo que não sou criminoso (traduzi antes de sair do Brasil)
8. Formulário médico com dados de um raio-x do tórax (tem que fazer aqui, é muito fácil, rápido e custa $85)
9. Uma foto do tamanho do passaporte deles
10. O próprio passaporte
11. Cópias de cartas de referência que eu recolhi com meus ex-empregadores antes de sair do Brasil
12. Cópia de um certificado da ENG
13. $200 em dinheiro

Logo de cara dá pra ver que se você não tiver um empregador, fica difícil de preencher todos os requisitos. Por isso mesmo que eu recomendei um Plano B. E como faz para conseguir um empregador que te patrocine para tirar um Work Permit? Aí é que está o pulo-do-gato. Eu só fui descobrir aqui e não tem muito segredo. É igual procurar emprego em qualquer lugar. Tem que estar com o currículo preparado, o portfólio atualizado e motivação para correr atrás de empresas e fazer entrevistas em agências de RH. Uma vez que uma empresa estiver interessada em você, está feito. No dia em que fui assinar meu contrato já estavam em cima da mesa os ítens 2, 3 e 4 da lista acima, sem eu precisar pedir nada.

Aí é só esperar e acompanhar pelo site o seu Immigration Status. O departamento de imigração ainda te manda mensagens no celular de vez em quando pra avisar como está indo. Demora umas 3 semanas mais ou menos.

Esse foi o processo para mim até agora. O Walker que está em Kerikeri passou por etapas diferentes. O Thomas, meu flatmate francês, acabou de conseguir a Residency dele e daqui um ano ele vira cidadão Neo-Zelandês se quiser. Cada caso é um caso.

O Orkut, apesar de ser 99.9% bullshit, tem uma comunidade que mostra brasileiros bem estabelecidos por aqui e outros que não passaram do aeroporto.

O assunto é complexo e quando comecei a escrever vi o tanto de coisa que tinha pra falar. Se estiver interessado e quiser fazer alguma pergunta fique à vontade. Eu me informo por aqui e tento responder.

Cheers!

Enfim, Auckland

Posted by Bruno Imbrizi . May 18th, 2008

Antes de viajar, eu acho que falei umas duas ou três vezes que talvez gostasse mais de Dubai do que de Auckland. Bom, se isso fosse verdade eu já estaria voltando pra casa. Auckland é linda. No avião passaram um videozinho pra assustar dizendo que no aeroporto iam te revistar por isso, isso e aquilo. Na chegada eu estava nervoso, mas foi super tranquilo. Um beagle com colete da polícia cheirou minha mala e ficou sentadinho do lado dela. O oficial perguntou com toda camaradagem do mundo se eu tinha frutas ali dentro. FRUTAS, logo eu?! Hehehe… Bom, respondi que não, claro. Ele abriu a mala com toda a educação e perguntou se eu tinha carregado frutas ali antes. Respondi que não como frutas, mas carreguei sim metade de um Quarterpounder with Cheese que tinha comprado no McDonalds em Dubai. O oficial agradeceu o cachorro com um biscoito e um agrado e me deixou passar. Passei por mais umas 3 ou 4 barreiras de perguntas e mais um raio-x. Os caras estão super preocupados com bagagem biológica, ou seja, frutas, comida não industrializada, lama no tênis, etc. A única comida que eu tinha na mala eram uns Sonhos de Valsa que eu comprei em Guarulhos pra gastar meus últimos reais. Eles falaram que chocolate não tinha problema e foram me deixando passar.

Aí chegou o Passport Control. Não durou nem um minuto. A mulher simplesmente carimbou meu passaporte e me deixou entrar. Eu mal tive tempo de falar que queria fazer turismo, conhecer algumas cidades e que já tinha minha passagem de volta comprada. No guichê do lado o Walker ainda ficou batendo papo com o oficial contando como tinha sido Dubai. Mais tranquilo impossível. O aeroporto fica bem afastado do centro e existe um ônibus que te leva até lá por NZD 15. Uma mulher gente boa nos ajudou a localizar a melhor parada pra descermos. O motorista também era gente boa e esperou eu voltar dentro do aeroporto pra tentar trocar a nota de NZD 100 que eu tinha. No caminho vimos lugares muito bonitos. O tempo estava ótimo, o sol na janela do ônibus me deixou com tanto calor que quando cheguei no albergue botei bermuda e havaianas. É verdade que não demorou muito pra eu ter que voltar e buscar minha calça, porque quando o sol vai embora esfria rapidinho.

Aliás o sol aqui anda pouco acima do horizonte o dia inteiro. Às 10:00 da manhã ainda parece cedinho e depois das 3:00 da tarde parece que o sol vai se pôr a qualquer momento. Hoje subimos o Mount Eden e constatamos bem isto. Lá de cima dá pra ver um monte de chinês tirando foto, uns brasileiros fazendo zona e, claro, Auckland inteirinha. É uma cidade muito bonita, sem dúvida. Quero instalar logo meus programas aqui pra poder postar as fotos.

Neste momento são 9:50 da noite de domingo aqui em Auckland. A coreana que cuida do albergue não me deixou usar a internet porque já passou das 9:00. Estou sentado na sala de TV com uns australianos/ingleses assistindo um filme besta com o Nicolas Cage sobre as torres gêmeas. Vou deixar o texto pronto e publicar na próxima vez que eu ficar online. Não vejo a hora de poder ter minha própria internet, meu próprio armário, poder começar a fazer uns planos e procurar um emprego.

Este texto deve estar uma porcaria. Não consigo evitar de prestar atenção no filme das torres gêmeas. Vou parar por aqui e ver se acontece algum final surpreendente. Será que o Nicolas Cage vai morrer? Ou vai virar herói? Não posso perder.

Classe Econômica

Posted by Bruno Imbrizi . May 18th, 2008

Janela é besteira. Vai viajar? Pegue corredor. Nosso avião SP-Dubai tinha fileiras de 3 poltronas, corredor, 4 poltronas, corredor e mais 3 poltronas. O Walker pegou janela no lado esquerdo, eu do lado dele e no corredor um paulista japa gente boa que estava indo para a Tailândia. Gente boa ou não, tive que incomodar o cara 45 vezes para ir ao banheiro. Essa é a vantagem do corredor, você levanta quando quer, pega na sua mala o que quiser e se alguém precisar passar é você quem diz “no problem” em vez de “excuse me again, sir”.

Agora, bom mesmo é a coluna do meio. O mundo é dos espertos e os espertos sentam no meio quando tem algum assento vazio. Se mais de um estiver vazio, maravilha. Na hora de comer pode usar a bandeja do lado para colocar os milhares de potinhos e embalagens que te servem. Na hora de dormir, é só levantar o braço da poltrona e deitar. Se a poltrona seguinte também estiver vaga, dá para esticar as pernas. Se a outra também estiver, dá pra dormir melhor que em casa… Esse era o caso dos meus companheiros de vôo na coluna do meio. A minha situação era diferente. Mesmo dopado por um dramin, acordava de 5 em 5 minutos. Uma hora eram as costas, outra as pernas, outra o pescoço até que “quer saber? foda-se dormir!” A Emirates oferece uma telinha na sua frente e um controle remoto / joystick / telefone / teclado com o qual você pode controlar o mundo. Coisa de primeira. Liguei “There Will Be Blood”, 158 minutos de filme para passar o tempo.

Dopado, cansado e sem conseguir dormir, cheguei em Dubai. Graças à maluquice do Walker (e minha por concordar) não tinhamos hotel para a primeira noite. Um mês antes da viagem imaginávamos que poderíamos economizar uma diária passeando pelo Duty Free e dando uma volta noturna pela cidade. Aterrisaríamos 23:30, podíamos enrolar no aeroporto até umas 1:30. Um passeio, bate-papo, um xadrez e 7:00 da manhã estaríamos no hotel. Não foi bem assim. Aterrisamos 22:00. O Duty Free era muito fraco e bem caro. Eu estava um bagaço humano e precisava dormir. Liguei para o nosso hotel do dia seguinte: cheio. O serviço de acomodação do aeroporto oferecia como o mais barato um de USD 125 por noite. Nos ajeitamos na cadeira ali mesmo. Amarrei minhas malas no pé e comecei a torcer pra ninguém bater no meu ombro e “you can’t sleep here”. Ninguém bateu, mas eu também não dormi. Ouça aqui três minutos do que passava pelos meus ouvidos nessa hora. Praticamente Babel… Não dormi nem 10 segundos. Chegamos no hotel às 6:00. Com os olhos afundados na cara, entrei no quarto às 7:00. Desmaiei até 12:30 e só então acordamos para Dubai.