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O verde-louro desta flâmula

Posted by Bruno Imbrizi . March 3rd, 2009

O algorítimo que simula a bandeira ao vento atrás do apresentador era o mesmo. O que mudou foram as cores. Eu nunca tinha visto essas cores num jornal aqui na Nova Zelândia. Era a bandeira do Brasil que chacoalhava ao sabor do vento 3D.

Seria uma matéria sobre o Carnaval? A Petrobrás anunciou a descoberta de novas áreas de exploração de petróleo? Alguma ONG neo-zelandesa trazendo dados alarmantes sobre a Amazônia? Algum fato político importante internacionalmente envolvendo representantes brasileiros?

Veja aqui o vídeo (23 segundos).

Não, a bandeira estava ali para lembrar que somos um país perigoso e corrupto – é melhor ficar longe. Que estamos no grupo dos países que ninguém sabe direito onde fica e que ninguém quer saber mesmo – junto com Chipre e Burkina Faso. Que merecemos uma atenção correspondente a: “quando um filho da p*** fizer alguma monstruosidade contra um dos nossos e tivermos que dar a notícia no ar, jogamos a bandeira do país para ter alguma coisa de pano de fundo”.

Não tenho nada contra algorítimos ondulantes, nem contra a seleção de pauta da TVNZ e nem quero trazer atenção para essa bestialidade. Meu ponto aqui é a perspectiva. Tentar explicar um pouquinho o que significa ver de fora.

Você aí no Brasil já se imaginou com a mesma importância internacional que você dá para o Chipre ou para Burkina Faso?

O cridê, fala pra mãe

Posted by Bruno Imbrizi . October 5th, 2008

Quase nunca assisto televisão. Tem gente usa (ou adoraria usar) essa frase, mas quando chega em casa depois do trabalho não consegue resistir aos encantos do entretenimento besta. No meu caso é verdade, quase nunca assisto mesmo. Meu entretenimento mudou de aparelho. O tempo que eu desperdiçava na frente da telinha, agora desperdiço na internet.

Depois de vir pra cá, passei a assistir menos TV ainda. Tanto eu quanto meus flatmates não damos a menor pelota pra TV. Aqui em casa ela está literalmente criando teia de aranha. Num dos apartamentos que fui visitar quando estava procurando lugar pra morar, a moradora estava com a TV ligada aos gritos e disse que eu teria que rachar a mensalidade da SKY. Ponto contra.

Ok, o post é sobre televisão. Falar sobre não assistir não ajuda muito. Então, na expressão “quase nunca”, vamos falar sobre o “quase”. Geralmente é na hora das refeições, ou seja, pra não jantar sozinho, emburreço um pouco em frente à TV. Alguns pontos que eu notei até agora:

1. TV aberta é tudo a mesma coisa. Aqui tem show do milhão, tem show de calouros, tem reality show, tem novelinha adolescente cujos dramas constrangem qualquer telespectador com QI acima de 70 e tem séries americanas, um monte delas. Só não tem nada parecido com Xuxa ou Faustão. Ponto a favor.

2. É notável o esforço para ter programas locais. Isso me lembra a Rede Paranaense de Televisão que tenta de todo jeito buscar uma identidade local, mas que até agora só mostrou uma enorme insignificância no território nacional e uma incapacidade em fazer qualquer programa que atraia o público paranaense. Aqui na NZ é diferente, bem diferente. Os kiwis já começam gostando, antes mesmo de passar o primeiro capítulo. Eles se esforçam pra gostar dos produtos locais. Se for bom, eles gostam pra caralho. Se for ruim, eles gostam menos, mas ainda gostam. Como eu disse nos primeiros parágrafos, quase nunca vejo TV, então nunca assisti um programa kiwi, ou de qualquer origem que fosse, do começo ao fim, mas é fácil de notar a predisposição pra achar boa qualquer coisa que tenha sido feita aqui.

3. Tem muito comercial com 3D. Eles adoram 3D. Ursinho, porquinho, telefoninho, bonequinho de placa de banheiro, etc. E como tem bobagem! Não é Pixar, não. Tem uns que são bem feitos, mas tem outros (especialmente o boneco laranja de placa de banheiro) que são de doer.

Aliás, comercial é meu programa favorito. Entre uma garfada e outra, mudo de canal pra ver se consigo pegar os comerciais. Sempre tem uma mulher com a cara alinhada igual à de apresentadora de jornal fazendo papel de dona de casa. Seu carpet deixa para trás sujeiras invisíveis que só o novo Tchananan resolve. Seus filhos precisam de um bom café da manhã, por isso o cereal Boróró é rico em fibras. No começo eu achava todos muito ingênuos, mas aí emburreci mais um pouco e comecei até a achar uns legais. Separei alguns exemplos pra mostrar aqui no blog.

TelstraClear . assista o comercial
Esse boneco que fica mudando de cor é o mascote deles. No centro tem um shopping com um puta adesivo dessa campanha que praticamente contorna a quadra. O mais agoniante é que não dá pra ver a cara do boneco. Parece erro na impressão. Nos comerciais de TV tem um telefone em 2D que serve de saco de pancada pro boneco super tecnológico, só que o 2D é muito mais legal que o boneco!

Charlie’s Juice . assista o comercial
Este é um dos comerciais mais imbecis de todos os tempos. Charlie’s é um suco com uma embalagem legal e normalmente é o mais caro da prateleira. Você percebe a “grife” e o público diferenciado na hora. Imagine minha surpresa ao assistir essa peça. Os caras têm um produto legal e para promovê-lo o que fazem? Chamam os três donos da empresa para se travestirem e pegarem na bunda um do outro na TV, lógico!

Export Gold . assista o comercial
Não podia faltar um comercial de cerveja na lista. O pudor do cara em não olhar pra moça pulando o muro não tem preço! Haha!

Os dois abaixo eu botei minha câmera na frente da TV porque não consegui achar na internet:

Harvey Norman . assista o comercial
Varejão que não gasta um centavo com criação, mas entope a mídia de comerciais. Essa musiquinha com as gurias gritando “Go Harvey Norman Go” é uma das coisas mais irritantes da Nova Zelândia.

Enrol to vote . assista o comercial
Eis o boneco laranjado de placa de trânsito. Pena que não passa mais aquele em que a cabeça dele é um abajur e depois faz uma metamorfose para essa cabeça de bola…

Update:
Para ver mais comerciais kiwis (a maioria 3D):
Kaleidoscope
Oktobor
Just Add New Zealanders

Ao vivo do outro lado

Posted by Bruno Imbrizi . August 10th, 2008

Brasil 5 x 0 Nova Zelândia

Pena que foi tão cedo aí pra vocês. Eu me diverti muito assistindo. Não foi um jogaço de bola, mas os kiwis são muito fraquinhos, tá loco. Ronaldinho, Diego, Alexandre Pato e Marcelo estavam sobrando em campo. Tomara que nos reprises aí eles passem os dribles que a gurizada deu nos kiwis.

Agora, o mais legal mesmo foi a narração. Tá certo que futebol narrado em inglês é igual dance music em português: não soa muito certo. Não tem grito de gol. É patético. A bola entra, os jogadores saem correndo pra comemorar e aquele silêncio. Ah, e tem comercial no meio do jogo!

Os caras tinham uma certeza tão grande que iam perder que o narrador dava risada quando um brasileiro dava um olé. Lembram do Dream Team em Barcelona? Eu lembro que eles deram uma surra no Brasil e mesmo assim foi um show de basquete e não tinha como não gostar de assistir. Reservadas as proporções, é claro, o time do Brasil nas Olimpíadas não é nenhum Dream Team, mas a humildade dos narradores foi parecida. Já pensou? O Brasil uma potência mundial? Outras nações reverenciando a nossa? Deu um puta orgulho!

Pena que o jogo acabou. Hora de dormir. Amanhã é segunda, a jornada começa cedo e na minha cabeça vão estar novamente as situações em que o Brasil não é uma potência mundial…