Posts Tagged ‘trabalho’

Hora extra

Posted by Bruno Imbrizi . November 7th, 2008

Trabalho é meu nome. Esta semana o chefe reuniu a equipe pra dizer que nunca se atrasou deadline na empresa como está acontecendo agora. Mijada geral. Solução? Ficar trabalhando depois do horário! Depois me disseram em off que a equipe toda tinha que estar reunida mas que o esporro foi só pra alguns, que eu podia ficar na boa. Mesmo assim, fiz um balde de horas extras.

Em vez de ficar observando o mundo ao meu redor e pensando em temas para novos posts, fico lá perdendo meu tempo… trabalhando, onjáseviu!?

Só pra não deixar o post totalmente sem graça, conto aqui a história do Max, um cara que eu conheci quando cheguei. O Max era programador Delphi em Taiwan. Perguntei se ele tinha namorada e ele respondeu que não dava tempo. Como assim, Max? Ele contou que começava às 8h da manhã e saia 10h ou 11h da noite. Depois só janta, TV e cama. E os finais de semana, Max? Ele tinha metas a cumprir, se não conseguisse dar conta de segunda a sexta, tinha que trabalhar sábado e domingo também. Porra, mas isso não é vida! Quanto você ganhava, Max? Ele conta nos dedos, inicia e interrompe frases com um “no” desesperado que só os asiáticos sabem falar, faz conversões de moeda e responde: 1.200 dólares por mês.

Área de TI. Mais de 60 horas por semana. Só $1.200? Já pensou…
Se o inglês dele fosse um pouco melhor, aqui tem vaga de 80K por ano pra programador Delphi, (olha só que folga) das 8h às 6h e (cúmulo da preguiça) sábado e domingo livres!

Não sei se em Taiwan é assim mesmo. Se ele falou sério, eu tô praticamente de férias…

Ah e quedelhe o Max agora? Está Tauranga trabalhando numa fábrica de flores e deve partir em breve para a South Island para colher cerejas. Aqui vai uma foto dele conquistando uma montanha em Napier. Gente fina o Max.

Portfolio Kiwi

Posted by Bruno Imbrizi . October 16th, 2008

Algumas pessoas me pediram para mostrar os trabalhos que eu tenho feito aqui e eu finalmente tive tempo de atualizar meu portfolio.

Aqui vai uma breve descrição dos trabalhos postados:

Vodafone Innovations
Comentei sobre este job num post em julho chamado “Uma para os coders”. Infelizmente não fui eu quem fez o 3D da introdução. Minha participação foi nas páginas internas. Foi o código (html, css e jquery) mais puro que já escrevi. O cliente está super preocupado (alguns dizem até demais) com os padrões da web. Achei um job bem interessante.

Air New Zealand - Hotseats
Este foi uma correria absurda. A parte bacana foi amarrar bem o Flash para acertar os vídeos e o som. Fiz mais duas versões: um chinês chutando a tela e as pernas de uma modelo andando na passarela, mas a do rugby foi a primeira e a mais legal.

The Warehouse - Big Red Race
Quando eu vi os layouts desse job rolando eu estava torcendo pra cair pra mim. Não via a hora de fazer um joguinho em Flash. O código ficou redondinho, deu pra usar as mesmas classes para os dois banners e mesmo com uma porrada de alterações do cliente, o resultado me agradou bastante. O banner faz parte de uma campanha onde os vencedores da tal promoção vão poder pegar o que quiserem na The Warehouse (uma espécie de Lojas Americanas) em 60 segundos e levar na faixa.

The Warehouse - Room Planner
Este no começo me assustou. Eu não sabia se eu ia dar conta e acho que eles também não sabiam. Foi meu primeiro job com Flash na agência e eu precisava me integrar com os EventCenters, Delegates, XMLParsers e outras tantas custom classes que o pessoal já usava por aqui. Foi tranquilo e o resultado agradou todo mundo.

Yellow Treehouse
Meu chefe prometeu: o próximo projeto inteiro em Flash vai ser teu. E foi. Este site aparentemente simples é um container de funcionalidades que eu tive duas semanas para desenvolver no Flash. Reparem que o site se ajusta a qualquer tamanho de tela e que você pode usar os botões de Próximo e Anterior do navegador para andar pelo site (isso se chama deep linking). Além disso, temos conteúdo dinâmico sendo alimentado por webservices, galeria de fotos e vídeos e um efeito de texto que eu duvido que vocês tenham visto em outro lugar porque fui eu que criei do zero. Foi duro, trabalhei que nem um cavalo, mas tá aí. O site está no ar e a campanha só está começando. Espero que seja um sucesso.

É claro que eu trabalhei em vários outros jobs que não estão aqui porque não vale a pena mostrar. Só está faltando na lista um que é enorme. Estamos fazendo há meses. Trata-se de um e-learning com vídeo, 3D, webservices, drag and drop e o escambau. Assim que sair eu atualizo lá no portfólio.

E aí? O que acharam?

14 x 5

Posted by Bruno Imbrizi . October 14th, 2008

Fiquei sabendo que os bancários entraram em greve no Brasil e me ocorreu fazer uma pesquisa. Quantas greves ocorreram no Brasil desde que eu vim pra cá? E quantas na Nova Zelândia?

Fiz a busca pela palavra “greve” no UOL e fui anotando. Quando o UOL parou de me mostrar ali pelo mês de agosto, continuei no G1. Para a pesquisa kiwi, usei o NZ Herald. E o placar foi Brasil 14 x 5 Nova Zelândia.

Agora é só levantar a placa EU JÁ SABIA, certo? Mas péra aí? CINCO greves na Nova Zelândia? Acompanhe a tabela:

 

Greves no Brasil Duração* Greves na NZ Duração*
Bancários - ANZ National Bank 2 horas
Polícia Civil-SP 28 dias KiwiRail’s Interisland Ferry 2 noites
DNIT  - SkyCity 24 horas
Médicos-PE 2 meses Auckland Airport Foodcourt horário de almoço
Funcionários da Volkswagen 8 dias Labour Department 14 x 2 horas
Funcionários da Renault 2 x 5 dias    
Médicos e Servidores da Saúde-RJ -    
Servidores do Ibama -    
Instituto Chico Mendes -    
Funcionários do Itamaraty 24 horas    
Correios 20 dias    
Infraero 8 horas (+)    
Médicos da Santa Casa-PA 9 dias (+)    
Motoristas e Cobradores-CE/ES/SC/PA 2 dias (+)    

* As durações são aproximadas. Não foi possível encontrar a duração de todas as greves.

 

Conclusão 1: Das greves brasileiras, pelo menos 10 são no setor público (não fui atrás pra saber se as companhias de ônibus dos estados CE/ES/SC/PA são públicas ou privadas). Na NZ, todas são no setor privado.

Conclusão 2: A duração das greves kiwis é muito menor e acaba não causando muito mais do que transtorno e desconforto. Transtorno e desconforto é o que causam os servidores públicos brasileiros quando trabalham!

Conclusão 3: A abrangência das grevs brasileiras é muito maior. Na NZ o alvo é o patrão e no Brasil é o povo. Das greves listadas, a que mais afetou a população kiwi foi a do ferry que liga a North Island à South Island, sendo que a paralização só ocorreu à noite e durante o dia as travessias continuavam normalmente. Enquanto isso no Brasil, mais de 130 milhões de correspondências atrasaram devido aos 20 dias de greve dos Correios.

Conclusão conclusão mesmo: Greve é um instrumento legítimo e o trabalhador deve buscar um proteção para não ser abusado pelo patrão que tem mais poder. Só que no Brasil greve não é medida extrema, é praxe. Os sindicatos não são exatamente “representantes de classe”, uma vez que a contribuição sindical é obrigatória. E as greves mais longas e danosas para a economia são justamente no setor público, onde as consequências para os grevistas são muito mais brandas. É anti-natural. Já pensou se a categoria dos antílopes resove fazer uma paralização em protesto contra os hábitos leoninos… nhact, nhoc, nhuc… antes de levantar o megafone já virou banquete. Eu adoro economia de mercado.

Tem dias…

Posted by Bruno Imbrizi . October 9th, 2008

Tem dias que eu me sinto tão bem. O trabalho tem muita influência, quando eu sei que estou no controle do que eu estou fazendo e estou produzindo quase no limite, fazendo o melhor que posso, sei que estou no caminho certo. É assim que eu melhoro, que aprendo, que cresço. Hoje minha parceria com meu colega Flash Developer me pareceu um pouco mais forte. A gente se entende, entende o código um do outro e se defende no trabalho. Não passa muito disso, não dá pra criar muita afinidade pessoal, mas no trabalho está legal. Hoje no almoço eu ousei reclamar de uma das producers que eu estava achando meio tansa e foi um sarro, primeira conversa/fofoca que eu tive aqui. Todo mundo reclamando dela, haha! Muito lerda a mulher.

Logo de manhã eu até entrei num debate com o chefão porque ele queria uma mudança de última hora que era praticamente colocar o banheiro no lugar da cozinha sem derrubar a casa. Só que até a discussão foi massa! Argumentos sólidos e sem picuínha. No final das contas ele topou ficar com uma idéia meio-termo. Ainda tive que quebrar várias paredes, mas o resultado ficou decente.

Eu me sinto inspirado por essa eficiência, esse nível de qualidade, essa atitude de “sim, eu me importo” com as coisas. Não é a toa que eu busco isso, o troço realmente me faz bem. É igual droga. Experimentou uma vez, o cérebro gostou, começa a dar vontade de ter de novo…

Olhando pro meu passado, sempre fui muito contestador, muito reclamão, sempre achava que tinha um jeito melhor de fazer as coisas. O problema era eu, óbvio. Aqui eu não me sinto mais assim. Não sei se é porque agora sou parcialmente surdo ou se porque a eficiência aqui é mais alta. Eu acho o trabalho da galera muito foda, acho meus chefes uns caras espertos pra cacete, os producers competentes e a galera da produção muito talentosa.

Isso provavelmente não representa a Nova Zelândia inteira. Mas é assim onde eu trabalho. São aquelas pessoas e aquele ambiente que consegue tirar o melhor de cada um. Tenho certeza que no Brasil existem várias empresas cheias de gente interessante, capaz e produtiva. Eu só queria que tivesse uma assim, na qual eu pudesse continuar sendo só Flash Developer, em Curitiba. Iria fazer meu adeus aqui um pouco menos complicado.

Nessa casa tem goteira

Posted by Bruno Imbrizi . September 10th, 2008

Quarta-feira, cinco da tarde. O sol já está baixo e entra pela janela da agência deixando o texto no canto do monitor difícil de ler. Olho pro lado e um dos meus colegas pergunta:

- Do you guys want a beer?

Pra mim não, obrigado. Nisso chega uma produtora perguntando sobre o trabalho do dia com uma taça de vinho tinto na mão. Enquanto conversamos, deu tempo de meu colega descer e voltar com uma caixa de papelão cheia de long necks que ele buscou na geladeira. Pegou uma pra ele e deixou as outras ali, pro pessoal se servir. E o pessoal se serve mesmo. Cada um se levanta, pega uma bera, estoura a tampa usando o dedão e um marca-texto (já aprendi a técnica) e volta pra sua mesa. Não é comemoração por job finalizado, não é pro pessoal que vai ter que ficar até tarde e não é aniversário do chefe. É assim todo dia: depois das 5h, álcool liberado.

Isso não quer dizer que a coisa vira festa. Que todo mundo vira as costas pro computador e começa a contar piada de Argen… digo, de Australiano. O clima dá uma descontraída, mas todo mundo continua trabalhando. Às vezes a cervejinha marca o final do expediente, mas na maioria das vezes é só um relax, depois volta o trampo até as 6h, 7h, 8h… até a hora que o cara tiver que ficar. Funcionário bebe, chefe bebe, gerente de conta bebe, não tem crise, ninguém te olha torto se você estiver com uma Corona na frente do seu teclado.

Na minha mega pesquisa antropológica, descobri que isso acontece na maioria das empresas kiwis, desde as pequenas até gigantes como a Vodafone. O normal é ter esse tipo de coisa na sexta, mas em alguns ambientes mais criativos rola a semana inteira. Algumas empresas fazem uma caixinha para as beras e outras são open bar. Na minha é open bar e a geladeira está sempre cheia.

Tá e qual o sentido de deixar o cara beber no serviço? Deixar o cara feliz com a empresa, oras! Mão-de-obra qualificada aqui é artigo raro e todo mundo quer segurar o seu quadro de empregados. E além disso, tem um outro argumento que surgiu numa mesa de jantar com franceses e kiwis (e o brazuca aqui), todos com várias viagens pelo mundão no currículo. A conclusão foi que kiwi não bebe pra socializar, bebe pra ficar cozido. Quanto antes melhor. E eles se passam mesmo, homens e mulheres bebem até ficarem “wasted”, como eles dizem por aqui, ou “smashed”.

Pessoalmente, acho bem legal a idéia de trabalhar num ambiente assim e sou um desses funcionários felizes que não querem mudar de emprego. Por outro lado, quase nunca tomo a tal cerveja depois das 5h. Falta motivo, eu acho. Se o dia foi muito estressante, se fiquei sob pressão desde às 8h da manhã, então uma cervejinha cai bem. Se é sexta-feira e o clima na empresa está legal, desce uma pra mim também. Do contrário, não me agrada beber por beber, acho que só aumenta a preguiça de continuar no trabalho. Pra mim não, obrigado.

E aí no Brasil, na sua empresa?
O que você ia achar de abrir uma bera no finalzinho do expediente?

Uma para os coders

Posted by Bruno Imbrizi . July 13th, 2008

Nessa semana foi ao ar uma nova área no site da Vodafone NZ desenvolvida pela agência onde estou trabalhando aqui em Auckland.

http://www.vodafone.co.nz/now/

Vodafone é a maior operadora de telefonia celular do mundo. A primeira vez que ouvi falar da Vodafone foi quando acessei este site, ganhador de vários prêmios incluindo 2 leões de ouro em Cannes 2004 e o Site of The Year 2004 no FWA.

A nova área do site neo-zelandês da Vodafone tem por objetivo lançar novos serviços para os celulares com tecnologia 3G. Minha participação neste job foi fazer a área que o usuário vai ver caso não tenha o Flash instalado ou caso a conexão seja muito lenta. É a mosca do cocô do cavalo do bandido. Pensa que por isso foi feito de qualquer jeito? Muito pelo contrário.

O papo aqui fica meio técnico, os coders acompanham. :-)

Todos os HTMLs deviam ser XHTML 1.0 Strict válidos. Todo e qualquer style deveria ser referenciado por id ou class. As alturas dos elementos da página devem ser em unidade em que varia de acordo com o elemento-pai, isto mantém a página funcionando corretamente para aqueles usuários e têm problema de visão e aumentam o tamanho do texto no browser. Todas as tags <a> devem ter títulos e todas as <img> devem ter alt. O retângulo vermelho com texto em destaque no topo é um <div> com header e parágrafo dentro que é substituído por um Flash ao carregar a página, isto preserva a semântica do HTML e mantém o texto visível para os buscadores. Se o usuário tiver Flash e JavaScript habilitado, ele vê o texto com a fonte da Vodafone e com anti-alias. Se não tiver, vê o texto como o browser mostraria normalmente. Além disso, a navegação é feita por abas (tabs) e a funcionalidade delas é controlada por um plug-in que usa jQuery, mas se o usuário não tiver JavaScript habilitado, a página ainda tem que funcionar e se apresentar decentemente. Isso tudo funcionando em Firefox 2 e 3, Internet Explorer 6 e 7, Safari e Opera.

O resultado disso é que se o usuário tiver Flash Player 9 instalado, ele vai ver uma animação 3D muito legal com navegação em Papervision 3D - feito pela oktobor. Se não tiver ou a conexão for muito lenta, vai ver uma página dentro dos padrões do site com uma navegação em abas e que funciona em qualquer browser dos lançados nos últimos 3 anos e com qualquer tamanho de fonte. Caso o JavaScript esteja desabilitado no browser do usuário por qualquer motivo, a página ainda funciona muito bem. As audiências estão todas cobertas. A parte técnica está de acordo com as recomendações mais restritas da web. Os buscadores conseguem mapear toda a informação da página como se fosse o mais puro “texto e link” lá de 1996.

No final do job, eu tive a satisfação do dever cumprido somada à satisfação muito maior de ter feito a coisa do jeito certo.

Uma coisa interessante é que boa parte das exigências de acessibilidade vieram da própria Vodafone. Isso somado à competência do time na agência gerou, na minha opinião, um ótimo resultado. A experiência aqui está sendo ótima.

Se eu posso você também pode

Posted by Bruno Imbrizi . July 6th, 2008

Já pensou em vir pra Nova Zelândia? Por que não?

Eu queria ter mais exemplos de brasileiros aqui para escrever este post, infelizmente tenho bem poucos, mas vou contar o meu processo pelo menos.

Antes de sair do Brasil, é bom ter um Plano A, um Plano B e um Plano C. Ou pelo menos a idéia de que se uma coisa der errado você já sabe mais ou menos o que vai fazer em seguida. Meu Plano A era buscar um emprego em web, o Plano B era ir trabalhar nas fazendas e tirar um trocado e o Plano C era fazer turismo até acabar meu dinheiro e voltar para o Brasil.

Para o Plano C, não precisa saber inglês, só precisa ter dinheiro pra viajar.
Para o Plano B, precisa saber um pouco de inglês, ter vontade de conhecer gente nova do mundo inteiro e espírito de aventura para viajar e trabalhar em condições não exatamente confortáveis.
Para o Plano A, precisa saber um bom tanto de inglês e ter qualificação para trabalhar em alguma área que esteja em falta aqui.

A parte boa é que tem muito trabalho aqui. A primeira coisa que eu fiz foi acessar o site www.seek.co.nz e buscar por palavras-chave como “Actionscript” ou “Web Design”.

Depois, dei uma boa lida no site de imigração da Nova Zelândia. Provavelmente o site sobre imigração mais completo do mundo - o país é uma ilha, então imigração é assunto muito sério por aqui. No site é possível ver a lista de qualificações em falta na NZ e quais os tipos de visto que se pode tirar.

Na hora de procurar emprego quem está com visto de turista já começou lá atrás. Existe uma lista de 26 países que dão direito ao Work Holiday Visa para os jovens que querem vir passar um tempo viajando e trabalhando na NZ. O Brasil não está nessa lista.

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Editado 03/09/2008

O Brasil entrou na lista! Leia aqui.
Obrigado ao Bruno Jonas pelo link.
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Não estou dizendo que fica impossível de arrumar trabalho, mas o empregador vai dar prioridade para quem já tem esse visto. E tem muito asiático aqui nessa situação, então acredito que a balança oferta/demanda não está favorecendo muito quem é turista e quer trabalhar. A saída, como em todo bom mercado, é vender a um preço mais barato. Se você topar trabalhar por menos que um cara com visto, talvez você ganhe a vaga.

A boa notícia é que para quem tem uma qualificação é possível dar entrada num Work Permit. A lista de documentos é extensa, mas se você estiver realmente disposto a vir, não é nenhum fim do mundo. Abaixo está tudo o que eu coloquei dentro do envelope que entreguei na imigração na metade de junho:

1. Application Form para Work Permit preenchido (16 páginas)
2. Employer Form preenchido pelo empregador
3. Carta do empregador me convidando para trabalhar na empresa
4. Carta da empresa de RH com anúncio da vaga, dizendo que eles tentaram contratar kiwis antes de dar a vaga pra um estrangeiro
5. Cópia do meu diploma
6. Cópia traduzida oficialmente do meu diploma (traduzi antes de sair do Brasil)
7. Cópia traduzida oficialmente do Tribunal de Justiça dizendo que não sou criminoso (traduzi antes de sair do Brasil)
8. Formulário médico com dados de um raio-x do tórax (tem que fazer aqui, é muito fácil, rápido e custa $85)
9. Uma foto do tamanho do passaporte deles
10. O próprio passaporte
11. Cópias de cartas de referência que eu recolhi com meus ex-empregadores antes de sair do Brasil
12. Cópia de um certificado da ENG
13. $200 em dinheiro

Logo de cara dá pra ver que se você não tiver um empregador, fica difícil de preencher todos os requisitos. Por isso mesmo que eu recomendei um Plano B. E como faz para conseguir um empregador que te patrocine para tirar um Work Permit? Aí é que está o pulo-do-gato. Eu só fui descobrir aqui e não tem muito segredo. É igual procurar emprego em qualquer lugar. Tem que estar com o currículo preparado, o portfólio atualizado e motivação para correr atrás de empresas e fazer entrevistas em agências de RH. Uma vez que uma empresa estiver interessada em você, está feito. No dia em que fui assinar meu contrato já estavam em cima da mesa os ítens 2, 3 e 4 da lista acima, sem eu precisar pedir nada.

Aí é só esperar e acompanhar pelo site o seu Immigration Status. O departamento de imigração ainda te manda mensagens no celular de vez em quando pra avisar como está indo. Demora umas 3 semanas mais ou menos.

Esse foi o processo para mim até agora. O Walker que está em Kerikeri passou por etapas diferentes. O Thomas, meu flatmate francês, acabou de conseguir a Residency dele e daqui um ano ele vira cidadão Neo-Zelandês se quiser. Cada caso é um caso.

O Orkut, apesar de ser 99.9% bullshit, tem uma comunidade que mostra brasileiros bem estabelecidos por aqui e outros que não passaram do aeroporto.

O assunto é complexo e quando comecei a escrever vi o tanto de coisa que tinha pra falar. Se estiver interessado e quiser fazer alguma pergunta fique à vontade. Eu me informo por aqui e tento responder.

Cheers!

Plano A

Posted by Bruno Imbrizi . June 6th, 2008

O plano antes de sair do Brasil era vir pra cá com visto de turista, trazer a documentação já traduzida, procurar uma vaga em web e tentar achar um empregador aqui que pudesse patrocinar um visto de trabalho pra poder ficar mais tempo. Sabe o que aconteceu na realidade? Exatamente conforme planejado. E isso não é pouca coisa.

A maioria dos brasileiros que chegam aqui não sabem o idioma, não tem visto de trabalho, não trouxe documentos traduzidos do Brasil e topa qualquer coisa. Não tenho nada contra topar qualquer coisa, eu mesmo estava indo pra esse caminho. Um dia depois de eu começar a disparar meus currículos pensei “Meu, onde eu tava com a cabeça? Achei que era só chegar aqui e mandar uns CV’s pela internet e pronto? Putz, minha grana vai acabar, eu tenho que começar a procurar um lugar pra lavar prato, ou colher kiwi”. Seria uma experiência e tanto, sem dúvida. Uma lição de humildade. Uma variação na rotina atrás do computador e com certeza um poço de histórias pra contar.

Agora, não seria uma fuga fácil? Longe de mim julgar quem vem pra cá pra colher kiwi. Tem muita gente que vem fazer isso aqui por opção e não por fuga. Eu mesmo talvez faça isso por aqui antes de ir embora. Mas e a idéia de tentar trabalhar com web no exterior? Procurar emprego, fazer entrevistas em inglês, disputar uma vaga com um neo-zelandês, um coreano e um indiano? E já pensou passar? Trabalhar em um ambiente totalmente novo, outra maneira de fazer negócio, outra maneira de gerenciar, outro comporamento entre os colegas. Eu tinha que tentar, foi pra isso que eu vim.

Mandei meus primeiros currículos dia 26/05. Dia 28/05 recebi três ligações de três agências de recruitment falando sobre o mesmo cliente. Marquei entrevistas com todas. Fui suando pra primeira. Um pouco mais tranqüilo pra segunda e ansioso pra terceira. No dia 30/05, o cliente (Aim Proximity) me chamou pra conversar. Fui nervoso. Veio o final de semana e o feriado (Queen’s Birthday) e no dia 03/06 mais uma reunião numa agência de recruitment que mencionou que a Saatchi & Saatchi poderia estar interessada no meu CV. No dia 04/06, outra entrevista na Aim Proximity. No dia 05/06, entrevista na Spook Design e eu já tinha uma entrevista marcada para 06/06 na Born Digital, mas tive que cancelar, pois no dia 05/06 às 4 da tarde recebi uma ligação dizendo que a Aim Proximity me fez uma oferta de emprego.

Foi sensacional. Em 10 dias eu saí de turista com aspirações megalomaníacas para contratado na empresa de marketing direto mais premiada da Nova Zelândia. Sorte? Muita. Determinação? O dobro.

Não sei o que me aguarda no primeiro dia de trabalho. Estou num misto de empolgação e medo que não tem como descrever. Vai que esses caras descobrem que eu sou uma farsa? E se eu for realmente bom como eles acham que eu sou, quem vai me agüentar com meu ego inchado depois? Hahaha!

Sabe aquela história de tem um sonho corre atrás? É clichê, mas é verdade.

 

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Deixo aqui meu obrigado para o Santi, o Sérgio Coelho e o André Strauss.
A ajuda de vocês foi fundamental, se precisarem de alguma coisa podem contar comigo.

 

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Emprego

Posted by Bruno Imbrizi . June 5th, 2008

Eu consegui um emprego! Eu consegui um emprego!
Ahá! Iuuuhu! Aeaeae! Ha ha ha! Eo eo eo!