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NZ Trip - Week 4

Posted by Bruno Imbrizi . January 10th, 2009

A bússola estava fixa no N e nossa mente rodopiava em todas as direções. O diário de viagem ficou um pouco sem graça nessa quarta semana, já que passamos muito tempo na estrada. Precisávamos estar dia 6 em Picton para pegar o ferry de volta para a North Island e dia 7 em Mount Manganui para a festa de despedida da minha ex-flatmate que estava voltando para a França. No caminho, algumas paisagens e muitas dúvidas. O momento da decisão chegou: a Pri fica ou a Pri volta? Argumentos e projeções batalhando na nossa frente, não parecia que ia sair um vencedor tão cedo. Enquanto eles brigavam, fomos até o aeroporto e remarcamos a passagem dela para Dezembro de 2009. Pronto, decidido, a Pri fica.

Hmmm, mas que diabos essas dúvidas ainda estão fazendo aí? Já acendemos a luz e levantamos as cadeiras, xô! Não deu certo, mesmo com a multa pela remarcação da passagem, as dúvidas não nos deram sossego. A batalha foi dura e, assim a la Rocky Balboa, o volto nocauteou o fico. Remarcamos novamente a passagem (desta vez sem multa, ainda bem). Pronto, decidido, a Pri volta.

Eu confesso que a dúvida era mais interessante que a resposta. Saber que a volta é certa me deixou triste, por mais correta que tenha sido a decisão tomada. A quarta semana ficou incompleta, hoje é sábado e a viagem acabou. Faz 3 horas que deixei o aeroporto (engraçado, o tempo voltou a andar devagar) e a Pri já está sobrevoando o Pacífico em direção ao Brasil.

Vamos a um resuminho para não deixar o diário pela metade.

Segunda corremos de Christchurch até Blenheim. Como sempre paramos em vários pontos para ficar boquiabertos com as praias e numa delas, assim como se fosse normal, duas focas saíram do mar e foram se coçar nas pedras há poucos metros de nós. Foi sensacional ver os bichos de perto soltos na natureza.

Terça atravessamos com o ferry para a North Island e dirigimos horas e mais horas até chegar em Taupo tarde da noite. Para nosso azar, nenhum camping fazia check-in naquele horário e tivemos que estacionar nossa casa na rua. Por sorte ou civilidade dos que nos cercam, dormimos bem e acordamos sem ser importunados.

Quarta usamos o último suspiro da bateria para tirar uma foto de Hukka Falls próximo a Taupo e seguimos viagem. Em Rotorua não vimos nada, só deu tempo de sentir que era quente a água do Lake Rotorua e que a cidade cheirava a enxofre. Chegamos em Mount Manganui para dar tchau para a Audrey, minha ex-flatmate. A festa de despedida dela era num Party Boat. Isso mesmo, um barco que fica dando voltas no mar enquanto o pessoal enche a cara e se diverte. Tinha bar, churrasqueira e até DJ! Pena que não tínhamos mais bateria para fotos, mas foi uma experiência legal.

Quinta, dia de chegar em casa, desfazer as (minhas) malas e vestir o pijama em pé. Auckland estava quente e entrar em casa me deu uma estranha sensação de estar entrando em casa.

Sexta fomos ao zoológico. Desta vez não vimos kiwis, os danados estavam escondidos nas duas vezes em que passamos por eles, mas vimos tigres, rinocerontes, elefantes, macacos e outros bichos muito gente boa. Curioso observar que o comportamento das pessoas não é aquele primor de obediência às regras do zoológico, mas o tratamento aos bichos é muito melhor e muito mais preparado para entreter e informar os visitantes do que o zoológico de Curitiba. Aqui criança também bate no vidro quando diz que não pode bater, mas pelo menos o bicho tem onde se esconder.

Sábado, dia de comprar os últimos souvenirs e ir pro aeroporto. Eu esperei tanto pra dar oi, faz sentido agora dar tchau tão rápido? Não, mas é a vida. Foi ótimo, a gente aproveitou bastante e agora acabou.

 

 

Espero que tenham gostado do nosso diário. Foram 24 dias e 4.950 km.
Não tem Week 5, segunda estamos de volta no batente!

NZ Trip - Week 3

Posted by Bruno Imbrizi . January 9th, 2009

Segunda – mais um passeio de barco. Desta vez um pouquinho mais rápido. Na verdade, bem mais rápido. Reservamos uma atividade chamada jet boat com a Shotover Jet que prometia “the most exciting jet boat ride.” E assim foi. Pegamos nossos lugares numa lancha vermelha e ouvimos o guia avisar para segurarmos firme quando ele fizesse um movimento circular com a mão, pois ele iria dar um 360º. O lugar era um canyon por onde passam as águas absurdamente azuis do Shotover River. A lancha em questão é um brinquedinho de tecnologia kiwi que expele 800 litros de água por segundo dos seus propulsores e dá uma velocidade incrível mesmo em águas rasas de até 10 cm de profundidade. E não é papo não, o cara realmente desceu a lenha em lugares que parecia que a gente ia ralar o casco. O passeio consiste em risco constante de colisão com as rochas do canyon. O piloto passa raspando e ainda dá uma viradinha na lancha pra ela passar deslizando de frente pra pedra. E aí vem o 360º que dá aquela chicoteada no esqueleto e tira da garganta um “uoooo!” Foi muito legal, o lugar era alucinante, o piloto era muito gente boa e a coisa toda foi melhor que a gente esperava. Não teve como não comprar aquele pacote de foto + vídeo que eles vendem no final. Depois aproveitamos o dia para passear por Queenstown, tirar umas fotos no lago e tomar um sorvetinho.

 

 

Terça, nenhuma atividade agendada. Passeando pelo lago e dando uma olhada no movimento não demorou muito para arrumarmos o que fazer. A dúvida era entre paraflight e jet boat de novo. Que mané dúvida, vamos fazer os dois! No dia em que chegamos na cidade vimos um pára-quedas com um smile enorme sobrevoando o rio. Tentando ler o mapa e entender como aquele negócio estava nos acompanhando pela rua, conseguimos ver que havia uma corda e o smile estava sendo puxado por um barco. Esse é o tal do Paraflight, nossa primeira atividade do dia. Pegamos um aqua-taxi até o barquinho que estava numa área de menos vento atrás das montanhas. Pulamos de um barco para outro e fizemos fila para andar no smile atrás de dois americanos e na frente de uma família de Sydney. Havia um cachorro no barco e enquanto os americanos eram levados pelo vento lá longe eu notava que aquela embarcação pasava muita credibilidade e os guias não eram exatamente um poço de segurança. Alguns dias mais tarde alguém comentou que uma mulher caiu de um passeio desses e morreu, mas vou deixar para confirmar essa história quando eu voltar a ter uma internet decente. Comentei só pra aumentar a emoção :-) Amarramos uma cordinha nas pernas e lá fomos nós pro smile. A corda foi soltando, soltando até a gente enxergar o barco pequenininho lá embaixo. Estávamos há 20 m (ou 30? Ou mais? Quem sabe?) de altura e lá de cima a vista era incrível. A sensação também, mas não dá pra negar que bateu medo. Uma hora o barco parou e nós fomos caindo devagar até quase encostar no mar, aí o barco voltou a correr e nós voltamos voando (lietralmente) lá pra cima. O frio na barriga foi o mesmo da primeira descida embalada na montanha-russa, só que pra nós foi debaixo pra cima. Descemos pra plataforma do barco para darmos lugar para a família de Sydney. A mãe ficou no barco com a câmera ligada e o pai subiu com um moleque de uns 8 anos e uma menina de uns 3 anos! Eles levaram cada chicotada do vento lá em cima que eu achei que a menininha ia descer traumatizada, chorando até ficar roxa. Que nada, desceu sorrindo e feliz da vida. Ok, chega de ficar pendurado no ar, vamos voltar e pegar uma lancha à jato. Tínhamos gostado tanto do jet boat do dia anterior que pegamos outro. Desta vez com outra companhia, a Kawarau Jet, que prometia 1 hora e 43 km de passeio. Foi bem por aí, mas não foi tão bom quanto o primeiro. Os 360º estavam mais para 297.5º. Passamos pelo lago e pelo leito de dois rios, desta vez tirando fina de troncos e pontes. Uma parte legal foi atravessar uma “caverna” de troncos e árvores com a lancha. De resto, o que eu lembro é de muito chacoalho e muito vento. E chega por hoje.

 

 

Quarta, último dia do ano. Dia de bungy jump. “Aí, ficou falando falando, e agora? Vai pular ou não vai?” Sim, desde que eu pensei em vir pra Nova Zelândia comecei a falar que faria um bungy aqui e não tem lugar melhor que Queenstown. Agendei meu salto para as 11 da manhã na Kawarau Bridge, o primeiro bungy comercial do mundo. Pra variar um lugar espetacular, uma ponte sobre um rio de um azul incrível. A Pri não quis pular e enquanto eu esperava minha vez na fila era difícil dizer qual de nós dois estava mais nervoso. Ok, minha vez. “E aí cara, beleza? Primeira vez que vai pular? Quer encostar na água?” Opa, tá calor hoje, solta um pouco mais de corda aí pra eu me refrescar! Eu com uma toalha amarrada no pé caminhando a passos curtíssimos até a plataforma e penso “Pra que que eu vou me jogar daqui? Que sentido tem isso?” Tarde demais. “See you bro.” OOOOooo! Tchibum! Lá estou eu pendurado de ponta cabeça, encharcado, me aproximando e me afastando do rio até ser resgatado por um bote. É do ca-ra-lho. Muito bom mesmo. Tá estressado? Pensando muito na vida? Se joga da ponte! Fiquei com uma sensação maluca até o final do dia (ou do ano, pra não perder a piada infâme). Lá pelas 6 da tarde eu e a Pri cumprimentamos nossos vizinhos de camping – Robbie e Lucy, de Londres – e ficamos com eles até às 2 da manhã. A festa em Queenstown foi na beira do lago com direito a DJ e pista de dança na faixa e, claro, fogos de artifício. Happy new year!

 

 

Quinta, dia de seguir viagem. Nosso rumo foi Timaru, na costa leste da South Island. No caminho passamos pela estrada que leva até o Mount Cook, a montanha mais alta da Nova Zelândia com 3.754 m de altura. Desta vez nossa curiosidade não nos tirou da rota e nos contentamos em bater fotos de longe às margens do Lake Tekapo. Ao fundo os Southern Alps e à frente uma imensidão de água azul turquesa, mais uma paisagem Photoshop-Ao-Vivo© que você só encontra aqui na Nova Zelândia. Em Timaru, nada demais. Depois de Queenstown foi bom sossegar um pouco.

 

 

Sexta, bora pra Christchurch, a maior cidade da South Island com 320 mil habitantes. O caminho foi o mais chato e sem graça da viagem. Uma reta sem fim com paisagens bem mais ou menos e um vento infernal. Manter a van na faixa com vento transversal é como tentar fazer um bêbado andar em linha reta. Chegando em Christchurch fomos tomar umas beers on tap num pub irlandês e mais tarde encontramos o Alexandre, um gaúcho que eu conheci na academia em Auckland e tinha acabado de se mandar pra Christchurch. Depois de uma parada clássica no Burger King, por falta de coisa melhor aberta aquelas horas, nos despedimos e voltamos pro camping.

 

 

Sábado, fomos até o centro de Christchurch em um lugar chamado Southern Encounter. São vários aquários com peixes, polvos, arraias e outros bichos da South Island. Foi lá também que vimos o primeiro e único kiwi da viagem. Kiwis são bichos noturnos e, para os visitantes poderem vê-los de dia, eles são mantidos em uma sala escura. Dezenas de lâmapas são acesas à noite para enganar o bichinho e deixá-lo num fuso-horário igual do Brasil. São criaturas realmente diferentes e especiais, não é a toa que os kiwis têm tanto orgulho dos kiwis (e vice-versa). Na saída começou a chover e corremos para nos esconder na central do tram. O tram é um bondinho daqueles com cara de século retrasado que passa por um circuito retangular no centro mostrando alguns pontos clássicos da cidade. Você compra o passe e pode entrar e sair do tram a qualquer hora por dois dias. Já que tínhamos que esperar a chuva passar, por que não esperar andando de tram? Entramos e fomos vendo os pontos turísticos através das gotas na janela. Descemos, compramos um guarda-chuva e marcamos um lugar para encontrar o Walker. Ele tinha subido até Takaka (norte da South Island) para um festival de fim de ano e estava de passagem pro Christchurch no mesmo dia que nós. Junto com ele a Emma (kiwi) e o Bastian (francês). Eles estavam loucos para tomar Guinness e lá fomos nós novamente para o pub irlandês. E depois para outro e para outro e para outro. Cada lugar doido, meu preferido foi o Fat Eddie’s, com ambientes que realmente fazem você se sentir na sua sala. Acho que lá pelo quarto pub (ou quinto?) eu e a Pri jogamos a toalha, demos boa noite e voltamos pro camping.

 

 

Domingo, mais um pouco de Christchurch. Dia de passear pelo Jardim Botânico e de ficar de cara com o abismo gastronômico entre os brasileiros e os kiwis. O assunto rende um post só para ele, mas a idéia é a seguinte: imagina ler um cardápio procurando o que você quer pro café. Agora imagina lendo o mesmo cardápio de baixo para cima procurando a opção menos pior porque na ida você não achou nada. O próximo passo é desistir e pular para o café do lado torcendo para que ali tenha pelo menos uma opção que não seja frango com cranberry ou presunto com abacaxi. Bom, um dia eu escrevo mais sobre o assunto. Nosso dia e nossa semana terminaram com obrigações cotidianas: cozinhar, lavar roupa, etc. Estamos quase nos despedindo da South Island.

 

 

NZ Trip - Week 2

Posted by Bruno Imbrizi . December 26th, 2008

Segunda acordamos cedinho e corremos para Charlestown, pois tínhamos reservado um Black Water Rafting. Eu não sabia direito como ia ser, mas quando terminou eu queria ir de novo, foi muito tesão. Começou com um passeio de trenzinho que é mais pra encantar a criançada. Chegando na floresta, as famílias foram para um lado e o pessoal do rafting para outro. Vestimos uma roupa ridícula para ajudar a manter a temperatura. Eu tive a capacidade de separar duas botas de pé esquerdo e a essa altura não podia mais trocar, tive que fazer o passeio todo calçando um pé errado. Olhando pro meu pé parecia que eu ia andar em círculos, hehe. Aí cada um pegou sua bóia e se mandou escada acima até a entrada da caverna. Lá dentro é muito legal. Uma hora a guia falou pra todo mundo apagar a luz do capacete e sentir a escuridão e o silêncio lá dentro. É realmente impressionante, não deve demorar muito pra alguém perder a noção de tempo e espaço num ambiente desses. Seguimos caminhando por formações bizarras de estalactites (teto) e estalagmites (chão). As únicas fotos são as que a própria guia tirou e, como fotógrafa, ela é uma ótima guia, pelo menos dá pra ter uma idéia de onde estávamos. Lá pra dentro, depois de 9 horas (ou 15 minutos, vai saber) de caminhada, finalmente encontramos as primeiras glow worms. Pra quem nunca ouvir falar, glow worms são minhocas com uma lâmpada na bundinha. Elas estão grudadas no teto de várias cavernas aqui na Nova Zelândia e são muito espertas. Insetos que entram na caverna de dia e não encontram a saída ou ovas que eclodem em um lugar muito escuro todos voam direto para a luz emitida pelas glow worms, aí é um abraço pro gaiteiro, elas paralisam as presas e partem pro banquete. A gente teve a sorte de ver um mostiquinho ser capturado por uma glow worm enquanto estávamos passando. Aí chegou a hora de ir pra água. Cara, é black water mesmo. A guia apagou a luz dos nossos capacetes, deitamos nas bóias, ficamos todos juntos engatados pelos braços e pés e começamos a nos mover remando pra trás. A sensação é muito maluca, boiar de costas em um ambiente totalmente escuro e cercado de pedras. Foi aí que entendemos o objetivo da coisa toda, entramos em uma área com o teto completamente forrado de glow worms. Sabe céu estrelado na fazenda? São milhares, talvez milhões de bichinhos formando uma galáxia e iluminando o teto da caverna. É espetacular. Depois dessa visão incrível, a brincadeira terminou com um passeio de bóia por um rio de corredeira de água verdinha e transparente. Nada mais para fazer em Charlestown, rumamos para Greymouth. No caminho paramos inúmeras vezes. Uma delas em Punakaiki para ver as famosas Pankake Rocks. São uma formação rochosa absurda, as pedras parecem panquecas empilhadas mesmo. Eu parei para ler as plaquinhas do parque para entender o porque daquilo e o que dizia era tão esclarecedor quanto “ninguém sabe dizer porque são assim”. É mais uma atração da natureza pra derrubar seu queixo. É lugar lindo atrás de lugar lindo e a gente não cansa de se impressionar. O caminho todo até Greymouth foi de 80 km. Nenhum posto de gasolina e eu estava no mico. Já estava até ensaiando na cabeça o discurso pra pedir carona até o posto mais próximo, mas não precisou. Chegamos lá no vapor, mas chegamos. A cidade em si, nada demais. Sim, tinha McDonalds e KFC, e a gente se arrependeu de não ter ido em um dos dois porque o restaurante que escolhemos foi o pior da viagem. O camping foi novamente um Top 10 Holiday Park e desta vez com uma estrutura quatro estrelas, tinha até uma salinha com fliperamas na qual eu perdi 40c apanhando para o E. Honda no Street Fighters II.

 

 

Terça curtimos uma praia deserta em frente ao camping em Greymouth e seguimos viagem. Nossa próxima parada era no Franz Josef glacier. No caminho passamos por mais paisagens incríveis. A Pri ficou de queixo caído com as primeiras montanhas cobertas de gelo no horizonte. Paramos para conferir um rio de água de azul ciano e temperatura congelante chamado Waiho River, que é o rio formado na base do glacier. E o que são glaciers afinal? Em poucas palavras, são rios de gelo. Eles são formados pela concentração de neve no topo das montanhas e escorrem por um leito num ciclo muito semelhante ao dos rios, só que muito mais lento. Ondas e cachoeiras também acontecem. Nas áreas mais inclinadas, o gelo se move a até 8 metros por dia e nas menos inclinadas cerca de 1 metro por dia. O Franz Josef tem 11 km de extensão e dirigindo 20 km ao sul chegamos ao Fox glacier que tem 13 km de extensão. Existem vários glaciers pelo mundo, mas apenas três chegam perto da costa: o Franz Josef, o Fox e um outro nos Andes. Além disso, os glaciers neo-zelandeses são os únicos a se formarem em meio a uma floresta de clima temperado. Eu estava louco pra ver isso tudo ao vivo. A Pri também ficou morrendo de vontade quando chegou aqui e viu os panfletos com fotos dos passeios. Podíamos fazer passeios de meio dia, dia inteiro, dia inteiro com escalada ou vôo de helicóptero com passeio de 2 horas no gelo. Eu fiquei louco pra fazer o de helicóptero, mas o preço obviamente era mais alto. A idéia ficou no ar e não tínhamos certeza de qual iríamos fazer até chegar em Franz Josef. Entramos no quiosque e pedimos pelo passeio comum de meio-dia. A atendente fez uma cara, olhou no computador e falou: “we are fully booked.” Puts e agora? Sentamos na escadinha pra decidir e não demorou 30 segundos para voltarmos para dentro e pedir o passeio de helicóptero. Não tinha mais volta. Jantamos em um restaurante ótimo e fomos dormir cedo, pois o dia seguinte prometia!

 

 

Quarta, véspera de Natal inesquecível. Acordamos cedo e nos mandamos pro ponto de encontro do glacier. Nós nunca tínhamos voado de helicóptero antes e logo na estréia, ainda impressionados com o próprio meio de transporte, sobrevoamos uma maravilha da natureza completamente diferente do que já tínhamos visto. E assim como se fosse uma coisa normal, o cara pousou no gelo! Descemos para conhecer nosso guia style e colocar crampons nas nossas botas para poder caminhar sobre o glacier. O passeio foi muito, muito bom. Estávamos sobre uma camada de 150 metros de gelo e a temperatura era só 1 ou 2 graus mais baixa que na rua. Olhar em volta e ver só gelo não acontece todo dia. Nossas duas horas de caminhada passaram num piscar de olhos. E na hora de ir embora, mais um vôo de helicóptero com direito a mergulho e um puta frio na barriga. O dia podia ter terminado ali, já foi aventura o suficiente, mas ainda era 1 da tarde e nós voltamos pra estrada. Nosso destino dessa vez era Wanaka. Novamente passamos por lugares espetaculares. Tá ficando chato pra vocês, leitores do blog, já nós nunca cansamos de nos supreender com as belezas do caminho. Completamos nosso 2000º km de viagem ao lado do Lake Hawea. Nosso peru de Natal foi substituído por cerveja e chips em um barzinho de frente para o Lake Wanaka. Eu nem pendurei minha meia perto da lareira porque eu não tinha mais nada pra pedir…

 

 

Quinta, Natal. Day off pra todo mundo e um pouco de sossego para nós. Wanaka é uma cidade muito aconchegante. Fica de frente para o Lake Wanaka e cercado por imponentes montanhas. Deu vontade de voltar lá durante o inverno para ver como fica a paisagem. Passamos o dia à beira do lago. Montamos nossas cadeiras de jardim, eu abri meu notebook e a Pri abriu o livro dela. Vida dura. Conhecemos um cachorro que adotava donos a cada 15 metros. Eu fui rejeitado rapidinho porque ficamos com dó de arremessar o graveto na água (estava muito fria), mas era bem isso que ele queria, então nos deixou após o terceiro arremesso. Almoçamos e jantamos em dois dos três únicos restaurantes abertos no dia de Natal.

 

 

Sexta o vento não nos deixou fazer caiaque no Lake Wanaka e seguimos viagem para Cromwell, terra de fazendas de pêssego, cereja e uma infinidade de berries: strawberry, raspberry, cranberry, boysenberry e tô-esquecendo-alguma-berry. Nosso objetivo nessa viagem era reencontrar o Walker que está em Cromwell trabalhando na colheita de cerejas. Pegamos nosso lugar na sombra num camping imenso e lotado. Tinha tanto trailer e tanta barraca gigante que pareciam pessoas preparadas para morar no lugar. O Walker chegou lá pelas 5h. Ele tá cabeludo, se continuar assim consegue um emprego de Jesus na próxima Páscoa. Junto com ele uma kiwi que não gosta de sapatos e um francês que tirou uma foto muito massa de um possum morto. Fomos tomar um sorvete de real fruit. A coisa funciona assim: você escolhe as frutas em um buffet e vai tudo pra um buraco negro junto com sorvete de baunilha, aí entra uma broca animal e esmaga tudo junto, voilá, do outro lado sai um sorvetão! Eu que não como fruta achei meu sorvete de mix de berries bem saboroso. Depois disso fomos todos para o lago onde os três malucos tiveram a coragem de entrar na água. É verdade que ao ver uma água transparente e verdinha como aquela dá uma vontade louca de pular, mas a temperatura é muito baixa, não tem como. Eles não concordavam e pularam mesmo assim. 47 segundos depois eles passaram a concordar e saíram correndo da água, hehe. Depois do rio a kiwi voltou pra casa e fomos eu, a Pri, o Walker e o Bastian em um restaurante Thai esquentar nossas línguas com a pimenta e esfriar com uma garrafa de Shiraz. Nossa noite terminou no camping sentado no chão ao lado da van ouvindo Lenine. O francês, como não podia deixar de ser, tirou sabedeus da onde um olive bread, um camembert e uma caixa (sim, uma caixa) de vinho. Foi bem legal, mas não deu pra colocar nem um décimo do papo em dia. Fica para a próxima vez que toparmos com o Walker nessa Nova Zelândia.

 

 

Sábado saímos para reconhecimento de território em Cromwell. Ao lado do lago: vinhedos. Do outro lado: deserto. Ok, não exatamente deserto, mas é que a paisagem muda tanto que faz sentido que eles chamem de deserto. Foi uma área de exploração de ouro no século XIX e o que sobrou foi mantido pelo Department of Conservation para preservar a história. Fizemos metade de uma trilha, vimos algumas cavernas e milhares de abelhas. Alguém aí sabe dizer porque abelha gosta tanto de flor roxa? Tinha muita flor roxa naquelas plantinhas não muito simpáticas do deserto e com elas um zumbido constante e abelhas de todos os tamanhos. Voltamos para a estrada e rumamos para Queenstown. Logo na chegada reservamos cinco noites no camping e, se não tivéssemos feito isso, estaríamos sem cozinha e banheiros porque depois lotou tudo. Reservamos também algumas atividades para o nosso período na cidade. Quem já ouviu falar de Queenstown sabe que é a capital dos esportes radicais e nós compramos nosso bilhetes para alguns deles. Contudo nosso primeiro passeio seria um calmo cruzeiro em Milford Sound, não muito longe de Queenstown. Bom, isso era o que eu pensava até olhar o mapa com mais cuidado. Longe não é realmente, mas a única estrada para lá é dando uma puta volta pelo sul transformando o que seria um pulinho em uma viagem de 300 km e prováveis 5 horas de estrada. Tudo bem, sem problemas. A previsão do tempo era de sol, então fomos dormir preparados para a jornada do dia seguinte.

 

 

Domingo montamos os sanduíches e saímos. Contornamos montanhas de pedra ao redor do Lake Wakatipu e passamos por minúsculas cidadezinhas onde a placa de Bye ficava antes da de Welcome. O dia estava ensolarado e quente, mas a cara foi mudando conforme fomos chegando perto de Milford Sound. O ar foi ficando úmido e subindo as montanhas parecíamos entrar nas nuvens. Das encostas escorríam filamentos de água como se fossem riachos verticais formando repetidas cachoeiras. Esse negócio de abençoado por deus e bonito por natureza faz muito sentido por aqui. Parece um parque de diversões montado naturalmente, você anda um pouco e já encontra mais uma atração. E como a gente queria brincar, compramos nosso ticket para o cruzeiro em Milford Sound e também para o observatório debaixo d’água. Não era nosso dia de sorte, chegando lá descobrimos que o observatório estaria fechado no horário do nosso passeio e nos devolveram o dinheiro do ingresso. Foi uma pena, mas pelo menos tínhamos o cruzeiro. O lugar ainda estava completamente úmido e nublado e tivemos que trocar bermuda e havaianas por calça e moletom. Embarcamos no Spirit of Milford e navegamos por uma região montanhosa que teve seus vales alagados há milhares de anos. Dessa vez os riachinhos verticais viraram cachoeiras de verdade. Durante o passeio o barco entra embaixo de duas delas e, apesar do frio, nos aventuramos em ficar do lado de fora para sentir o spray de água gelada. O lugar é muito bonito, uma pena que o tempo não estava bom. Na volta, conforme nos afastamos das montanhas, voltou a fazer sol. O fim de tarde dura até quase dez da noite por aqui e o sol deitado deixa as paisagens ainda mais bonitas. No caminho vimos várias criações de ovelhas, vacas e cervos – pra que diabos eles criam cervos eu não sei. Tive o azar de bater em um passarinho que voou na frente do meu vidro, mas consegui freiar a tempo de ver uma lebre cruzar a pista. Depois de escurecer a van foi alvo do suicídio de uns duzentos insetos voadores que simplesmente não conseguiam resistir à luz dos faróis. Eu tive a impressão de ouvir um deles falando: “Cara, eu vou lá naquele farol nem que seja a ultima coisa que eu faça na vida!”

 

 

NZ Trip - Week 1

Posted by Bruno Imbrizi . December 20th, 2008

Ao vivo ela pareceu mais bonita do que eu me lembrava dela. E também me pareceu mais baixa. Quem é essa pessoa que vem agora e me abraça? Sete meses depois deu uma sensação estranha, mas não demorou para ficarmos à vontade de novo.

O primeiro dia era pra ser ensolarado e não foi. Os outros eram pra ser de chuva e não foram, menos mal. Nos 4 dias que passamos juntos em Auckland, visitamos Long Bay, Takapuna, Mission Bay, Kohimarama, St. Heliers Bay e Devenport. Apesar do frio que fazia à noite, pegamos praia quase todos os dias. Jantamos com o Rafael e a Paula em um restaurante francês e subimos a Sky Tower para rodopiar 360º enquanto um garçon indiano achava ridículo qualquer coisa que fazíamos, falávamos ou pensávamos. Cozinhamos juntos. Tomamos sorvete na pracinha. (No dia seguinte voltamos à pracinha para procurar minha carteira, mas essa fica pra outro post).

 

 

Segunda foi dia de preparar os sanduíches e de esticar o lençol no colchão da van. Por volta de meio-dia e meia deixamos Auckland em direção ao sul. O tempo estava ruinzinho e até Taupo tivemos poucas surpresas, apesar de uma ou outra paisagem interessante. Em Taupo, editaram a cor do rio Waikato antes de passarmos. De Taupo a Napier, uma estrada de 150 km sem nada, nenhum posto de gasolina, nenhuma lojinha, o único sinal de civilização foi um telefone público lá pelo km 90. Nessa estradinha começamos a entender porque todo mundo fala que a Nova Zelândia é linda. A paisagem era incansavelmente bonita. O sol de fim de tarde dourava as encostas das montanhas e o diálogo dentro da van variava do “uau” para o “puta que o pariu olhe isso”. Lindo mesmo. Chegamos em Napier, uma cidadezinha simpática e organizada. Passeamos perto do chafariz, vimos o mar verdinho e a praia de pedrinhas pretas ao invés de areia. Na hora de dormir, procuramos uma rua escura e tranquila para estacionar a van e pular pro ban… digo, pra cama de trás. Ficamos um pouco preocupados, mas rua tranquila na Nova Zelândia é tranquila mesmo e a noite foi bem sossegada.

 

 

Terça foi dia de voltar pra estrada. O destino era Wellington, onde tínhamos que passar a noite para pegar o ferry para a South Island no dia seguinte. Saindo de Napier começou um novo festival de paisagens incríveis. A van não corre nada, é lenta na reta e tem que descer pra empurrar na subida, mas mesmo se estivéssemos de Ferrari a viagem teria demorado muito além do normal, pois paramos incontáveis vezes para bater fotos ou simplesmente ficar boquiabertos com a paisagem. A Pri dirigiu a van por uns 30 km após Palmerston North, passando por Levin. Pra ela foram várias novidades juntas, dirigir um trem grande, em uma auto estrada e do lado direito do veículo! Acredito que foi emocionante pra ela, mas não tanto quanto pra mim, eu quase morria do coração cada vez que a van caía pra esquerda. Foi legal, tomara que ela aceite dirigir mais vezes até pegar confiança. Em Welligton nada demais. Constatamos o que todo mundo fala: venta forte o tempo inteiro. Já tínhamos pouco tempo e perdemos muito dele no trânsito, quase não deu pra ver a cidade. Achamos um motor camping cheio de tiozão e passamos a noite lá.

 

 

Quarta acordamos cedo e fomos pro ferry. Saímos com um tempo horroroso e um balanço no mar que deixou a Pri enjoada nas primeiras duas horas. Chegando na South Island o ferry já estava deslizando macio e o sol colorindo as montanhas. Em Picton poderíamos escolher o caminho para Nelson pelas rodovias convencionais ou um alternativo que ia acompanhando o mar. Óbvio que fomos pelo alternativo. A van causou sofrimento para quem vinha atrás e tinha que aguentar seus 45 km/h nas curvas e subidas. Não bastasse isso, paramos dezenas de vezes para bater fotos ou admirar a paisagem. Uma viagem que deveria ser de duas horas acabou levando a tarde toda. Foi incrível. Uma hora paramos para um scenic lookout e saiu um pássaro bizarro de trás de uma moita. Em vez de fugir da gente, ele veio na nossa direção. A Pri foi na van e pegou um pedaço de pão pra dar pra ele e não é que o bicho comeu na mão dela? A foto saiu centésimos depois da bicada. Chegamos tarde em Nelson, mas o dia por aqui está comprido, o sol se põe lá pelas 9h da noite, então deu pra aproveitar um pouco da cidade, ainda mais simpática e organizada que Napier. Jantamos em um restaurante na Trafalgar Street, uma rua de calçada bonitinha, mesas para fora e flores penduradas nas marquises. Para passar a noite, encontramos um motor camping muito bom em Tahunanui Beach ali perto.

 

 

Quinta foi dia de descansar da boléia. Em vez de volante, ficamos andando por Nelson e por Tahunanui. De manhã fomos tomar café no parque e ficamos cercados por gaivotas. Não vi pombo em Nelson, mas vi muita gaivota. E como as bichinhas são nervosas. Como elas conseguem morar num lugar tão lindo e sossegado e ficar tão estressadas? Haha. Tomamos sol na praia, passamos frio no supermercado e comemos no Burger King (aqui não tem muito como fugir disso). Quando o sol desceu lá pelas 9:15, seguimos viagem um pouco mais ao norte até Motueka, onde achamos mais um motor camping bacana. A idéia era ficar mais perto do Abel Tasman National Park, que pretendíamos visitar no dia seguinte.

 

 

Sexta acordamos bem cedinho. Eu reservei um passeio chamado Torrent Bay Tour no Abel Tasman. Todo mundo fala que o Abel Tasman é imperdível e a gente tinha que conferir. Por azar o dia não amanheceu tão ensolarado, mas fomos mesmo assim. Logo de manhã, duas horas de caiaque pelo mar. Foi muito legal. O mar liso liso, quase uma lâmina d’água, não tem coisa melhor que pegar um caiaque e remar pra ver o que tem atrás daquela curva. Foi muito bom. Na chegada o guia deu tchau e boa sorte, o passeio continuava por nossa conta. Iamos seguir só eu e a Pri mata adentro até um lugar chamado Torrent Bay. E lá fomos nós. Estávamos de chinelo e shorts porque o guia do caiaque falou que calça e tênis não era uma boa. Tínhamos só um sanduíche de pão com presunto e queijo que sobrou do café da manhã porque o panfleto dizia que com $12 poderíamos comprar um almoço, mas não disse que só tinha lugar pra vender na saída. Pra piorar começou a chover. Situação terrível? Não. Não mesmo. Foi um passeio espetacular. Não somos muito naturebas, mas ficamos embasbacados com as árvores e os pássaros do parque. E a água, óbvio. Piscinas naturais de água transparente, mini praias, riachos de água verdinha e o marzão incrível pra todo lado. Foi uma pena não estar fazendo um calor de 30º pra gente poder se jogar na água. Pra voltar esticamos o braço e chamamos um Aqua Taxi.

 

 

Sábado. Chuva.
Dia de lavar roupa, atualizar o blog e enxugar a van. Contra nossa vontade…
_ update
Opa, vira vira virou! Depois das duas da tarde o tempo abriu e o céu ficou azul. Abandonamos o blog e corremos pra conferir Kaiteriteri, uma praia de areia laranja, dezenas de gaivotas e mar verdinho. Depois rumamos para Takaka num caminho extremamente sinuoso. A pista simples somada à altura da montanha dava frio na barriga. Um mirante lá em cima dava pra ver tão longe que eu acho que vi até a torre da Telepar. Depois passamos por diversas ovelhas, vacas e outros bichos. Na volta a Pri dirigiu mais uns 30 km, inclusive passando por uma ponte de uma mão só e fazendo uma curva de 180º na subida! Dormimos no mesmo motor camping. Dica para quem estiver pensando em viajar de carro/van/campervan pela Nova Zelândia: vale a pena procurar pelos Top 10 Holiday Parks, são todos muito bons.

 

 

Domingo, dia de virar a página do mapa. Acordamos e rumamos para Westport. O caminho foi o mais gostoso de dirigir até agora. A estrada pra variar estava um tapete e desta vez não teve muita subida nem era muito sinuoso. Westport não tem nada demais. Lugarzinho bem lugarzinho mesmo (adaptando uma expressão do Walker). Nosso parâmetro pra saber se a cidade vai ter uma alguma estrutura é ver um McDonald’s e um KFC logo na entrada, em Westport não tinha nenhum. Casinhas pequenas, algumas caindo aos pedaços e um ambiente mais interiorano e aparentemente não tão feliz com a presença de turistas. Mesmo assim, não tem lugar feio por aqui, é só chegar perto da água para encontrar a beleza de novo. Passamos de carro por uma rua que se afastava da praia e ia até um farol. De lá pudemos ver um mar imenso cujas ondas carregavam uma força assustadora. Antes de ir embora, testei sem sucesso a tração 4×4 da van e tive que contar com um empurrãozinho do pessoal que estava por ali.