Posts Tagged ‘nova zelândia’

Eructação

Posted by Bruno Imbrizi . February 10th, 2009

Neo-zelandês arrota.
“Ah é? Vai dizer que eles também têm dois olhos e só uma boca?”
Sim, eu sei que todo mundo faz isso, é natural. A diferença está na discrição do ato.

Há algum tempo eu vinha pensando se devia postar sobre isso no blog, já que o assunto pode soar meio nojento, mas o nojo é cultural e o Viagem no Tempo também é cultura! (Que desculpa esfarrapada pra tratar de um assunto tosco… Ok, bola pra frente).

De acordo com o Wikipedia, arroto é o nome vulgar de um fenômeno fisiológico chamado eructação, que ocorre quando o estômago ou o esôfago precisam expelir um excesso de ar e outros gases. É tão natural quanto o espirro ou a tosse, mas os dois últimos não são reprimidos em público, mesmo quando emitidos em alto e bom som. Pelo contrário, ao abafar um espirro pode-se até levar um puxão de orelha de alguém: “Menino, não faz isso! Segurar espirro faz mal pra saúde!”. Já o arroto quando não é discreto causa reações que variam entre um olho torto e alguém berrando qualquer sinônimo de suíno.

Pois aqui na Nova Zelândia, o burp é livre. Da primeira vez que vi, eu pensei “ah, esse cara deve ser meio esquisito, ou estava distraído e esqueceu que tinha gente em volta”. Depois eu vi outra pessoa fazer igual. E mais outra e mais outra… Pô, é claro que num churrasco com os amigos sempre aparece um ogro pra achar bonito arrotar na frente de todo mundo, mas duvido que ele faça igual almoçando com os colegas no trabalho, principalmente se tiver mulher na mesa. Aqui não tem preconceito, não. Homem, mulher, chefe, reunião da empresa, o burp nunca é tímido e se apresenta na frente de quem for.

O sentimento de falta de educação deriva de quanto os outros reprovam seus atos. Por aqu não vejo muita reação negativa ao burp alheio. Alguns tentam remendar engatando um sorry no final, talvez tratando o arroto como tão inevitável e explosivo quanto o espirro que, uma vez impossível de abafar, só resta pedir desculpas. Fora isso, ninguém reage. É normal, deixa fluir.

Não adianta, não consigo me acostumar com esses hábitos de Primeiro Mundo. O jeito é voltar pra casa pra poder conversar com os macacos, sambar com as mulatas e me refrescar no Rio Amazonas.

My Precious

Posted by Bruno Imbrizi . February 7th, 2009

Em uma de suas aventuras longe do Condado, Bilbo Baggins encontrou um anel muito especial. Mais de dez horas de filme depois, o mesmo anel caia nas entranhas escaldantes do Mount Doom, restaurando a paz na Terra-Média. Todo mundo sabe que estou falando de Senhor dos Anéis, a trilogia de maior sucesso de bilheteria até hoje. Assisti todos no cinema, um por ano conforme foram lançados, em 2001, 2002 e 2003. Recentemente assisti de novo, quase um por dia, na versão extended cuja duração somada passa de 11 horas. Chega a cansar de tão longo, dá vontade que toque a campainha no meio só pra ter uma folga. Tá, e assistiu por que então, ô mané? Alguém te obrigou? Não, eu explico.

Quando comecei a espalhar que estava vindo pra Nova Zelândia, lembro que o Clair comentou:
- Meus filhos morrem de vontade de ir pra Nova Zelândia desde que ficaram sabendo que o Senhor dos Anéis foi filmado lá.
- Pô, legal, não sabia.

Chegando aqui tive algum contato com o assunto vendo flyers de LOTR (Lord of the Rings) Tours, mas só fui entender mesmo a coisa toda quando saí pra viajar pelo país e me dei conta da abundância de paisagens fantásticas da Nova Zelândia. A Terra-Média só podia ser aqui, palmas pro pessoal de Hollywood que escolheu filmar as externas aqui. Foi depois da viagem que eu decidi assistir de novo a trilogia e me informar um pouco mais sobre as histórias por trás dos filmes. E aí descobri a contribuição da Nova Zelândia para esse projeto foi bem além das locações.

(Se você, caro leitor, querida leitora, acessa blogs por aí assinando seus comments como gandalf22 ou _ARwEN_, por favor não fique injuriado(a) com a coleção de obviedades a seguir, talvez elas sejam novidades também para outros leitores como certamente foram pra mim).

Para começar, eu não sabia que o diretor era kiwi. Peter Jackson nasceu em Pukerua Bay, North Island, New Zealand. Quando ele tinha 17 anos, leu o Senhor dos Anéis numa viagem de trem de doze horas entre Auckland e Wellington. Sua reação foi: “Não vejo a hora de alguém fazer um filme desse livro porque eu vou querer assistir!” Vários anos se passaram até que ele percebesse que ninguém ia fazer e resolvesse ele mesmo arregaçar as mangas. Tá aí mais uma novidade pra mim: a idéia do filme partiu de um kiwi, não foi um estúdio de Hollywood que contratou um kiwi pra dirigir. E tem mais, o roteiro foi escrito a seis mãos, todas kiwis: Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens – veja os três juntos.

Os figurantes são maciçamente kiwis. Tá, grande coisa, eles estão usando máscara de orc o tempo todo, que diferença faz… O legal está em saber que as máscaras de orc também foram desenhadas e produzidas na Nova Zelândia. Aliás, todo o design de roupas e armas foi feito aqui, assim como a maquiagem e os moldes que deram vida a criaturas até então só descritas no papel. A reponsável por esses efeitos não-digitais é a Weta Workshop, que fica em Wellington. E a esta altura talvez já não te surpreenda mais se eu disser que os efeitos digitais também são kiwis. Foram feitos pela premiadíssima Weta Digital. Vale a pena dar uma olhada em alguns trechos do LOTR disponíveis no site deles.

Entre os atores principais, é verdade que não sobrou muita coisa para os kiwis. A exceção fica por conta de Karl Urban que interpretou Éomer, cavaleiro de Rohan. Já a equipe técnica está novamente forrada de kiwis, uns por já terem trabalhado com Jackson em produções anteriores e outros porque simplesmente ficava mais fácil contratar gente daqui mesmo.

É claro que nada disso teria acontecido sem o peso do cinema americano. Eles foram os realizadores do projeto. Mesmo assim esta ilhazinha aqui perdida no Pacífico pode se orgulhar (e se orgulha) de não ter sido só pano de fundo nesse sucesso da história do cinema.

Citação

Posted by Bruno Imbrizi . January 30th, 2009

“Nasci e vivi em Los Angeles grande parte da minha vida e, como a maioria dos angelenos, adquiri habilidade de ignorar as pessoas a meu redor e eliminá-las do meu pensamento. Quando se vive em apartamentos e habitações sem espaços entre elas, essa é uma das estratégias que se desenvolve para lidar com as pessoas próximas. Estou tentando livrar-me deste mau hábito e interagir um pouco mais com minha comunidade. É difícil para mim, desconfortável e inconveniente forçar conversas com estranhos, mas está sendo incrivelmente gratificante. Isso mostra que pessoas interessantes estão em abundância; apenas temos que olhar a nossa volta um minuto para reparar.”

Ian Stawn – www.ianstrawn.com
Revista Zupi, n.10

Senti uma incômoda familiaridade nessa citação. Talvez outros curitibanos como eu também sintam.

Curitiba tem fama de ter um povo fechado. Ao tocar no assunto, alguns se ofendem e outros acham bobagem, mas é certo que quem mais gosta de espalhar essa imagem é o próprio curitibano, falando que o outro é antipático e ignorando que ele também é, embora não perceba. Veja, não estou aqui cuspindo no prato, estou assumindo sem qualquer rastro de orgulho que somos – eu incluso – assim. É o ambiente que cerca, é a velha lei do “já era desse jeito quando eu cheguei”. E assim continua. O motivo da antipatia eu não sei. Muitos sugerem arrogância, mas eu acho uma saída fácil. Eu acho que está mais para timidez, insegurança, medo de se mostrar vulnerável. Tá tudo ali escondido uma camada mais abaixo.

O duro é que isso fica. A gente vem pro exterior e traz junto. Mas olha, vou te dizer, estou tentando me livrar desse mau hábito e interagir mais com a comunidade e está sendo incrivelmente gratificante. É do caralho, recomendo.

New Zealand rocks. Sweet as, bro!

Ed Mort

Posted by Bruno Imbrizi . January 14th, 2009

Durante nossa viagem, ao comentar sobre o medo que deu de sobrevoar o lago em Queenstown num pára-quedas puxado por um barco, alguém disparou:

- Uma pessoa caiu lá um tempo atrás.
- Vish, e aí?
- Morreu, oras.

Esse é o tipo de história que você quer ouvir depois de fazer o passeio, sem dúvida. Desde então eu fiquei curioso para confirmar se era verdade e também investigar outras fatalidades que possam ter ocorrido nessas aventuras tão populares por aqui. Fiz buscas por todas as atividades que participamos em 4 ou 5 sites de notícias da Nova Zelândia. Não encontrei absolutamente nada sobre quedas de paraflight, muito menos quedas fatais. Idem para bungy jumps, número de acidentes: zero. Nenhum desabamento de caverna com turista dentro, nem queda de helicóptero. Tudo certo, então? Infelizmente não. Aqui vão algumas histórias trágicas:

Semana passada dois jovens turistas foram esmagados por um enorme bloco de gelo no Fox Glacier – Garage-sized ice fall killed pair. Eles ignoraram um aviso de perigo e foram até uma área periogsa para fazer uma foto mais perto do gelo e foram surpreendidos por um desabamento. O fato ainda está rendendo capas de jornais por aqui. Os grandes meios de comunicação parecem ter um interesse mórbido por tragédias como essa, talvez eles somente reflitam um interesse mórbido da população kiwi em geral – de acordo com um colega de trabalho é porque não tem muito o que pôr no jornal. Além disso, o último burburinho se deu porque a empresa que alugou o carro pras duas vítimas queria cobrar a conta do guincho da família. O carro tinha transponder e a chave eletrônica ainda está soterrada com um dos rapazes. O dono da empresa falou que ele sente pela tragédia, mas que ninguém vai aliviar os custos dele e ele vai morrer com o prejuízo sozinho. Deu uma polêmica danada e agora à tarde saiu que uma companhia de turismo se ofereceu para pagar a quantia.

Agora uma de arrepiar, essa aconteceu num passeio que eu e a Pri fizemos! Em setembro de 2008 morreu uma turista chinesa no Kawarau Jet – Fatal right turn. O jetboat levava 22 pessoas mais o piloto quando bateu em algo escondido embaixo d’água e virou. Todos se salvaram, exceto Yan Wang de 42 anos. Por ironia o azar dela foi estar usando o colete salva-vidas, que a prendeu contra o barco. Mudanças foram feitas no trajeto dos jetboats após o acidente.

Em agosto do ano passado uma turista britância morreu após perder o controle de um quadricíclo e cair de um barranco de 50 m – Tourist’s fatal plunge. Ela tinha 24 anos e estava viajando com o grupo do Kiwi Experience. O acidente aconteceu em Waitomo e, de acordo com o NZ Herald, o site da companhia de quadricíclos anunciava que o terreno difícil da região fazia parte do desafio. Também de acordo com o jornal, entre 2006 e 2007 ocorreram 358 acidentes com quadricíclos, sendo 10 fatais. Eu vi alguns anúncios desses passeios de quadricíclo, principalmente próximo a Greymouth, e até fiquei com vontade de fazer. Eu nem imaginava que pudesse ser tão perigoso. Acho que eu e a Pri não demos muita bola porque já tínhamos passado e queriamos chegar logo em Franz Josef para subir no glacier.

Para fechar, três acidentes de rafting. Um em 2003 – White water rafting victim named. Outro em 2004 – 18-year-old woman drowns in Wairarapa river. E outro em 2008 – River victim died in less dangerous water. Nós não chegamos a fazer esse rafting de água branca, como eles chamam aqui, mas ficamos com vontade de fazer em Queenstown. A única coincidência entre as três fatalidades é que todas foram em passeios privados, ou seja, sem guia no bote, o que talvez sirva para tranqulizar os turistas.

Fatalidades não são um assunto que me interessa muito. Como eu disse anteriormente, este post saiu de uma pesquisa para confirmar boatos depois que eu e a Pri nos aventuramos em passeios radicais pela Nova Zelândia. As histórias são todas horríveis é claro, mas analisando estatísticamente é possível dizer que é bem seguro se aventurar por aqui. Eles te dizem no início de cada passeio que toda atividade envolve um risco e que todos devem respeitar as regras e usar de bom senso para cuidar de si. Acho que é por aí, risco a gente corre em todo lugar, tem que ficar esperto.

Agora bom mesmo foi ter sobrevivido ao paraflight, já pensou morrer caindo de smile gigante? Pior que isso acho que só capotar o pedalinho!

Casa da árvore

Posted by Bruno Imbrizi . January 13th, 2009

Hoje almocei na casa da árvore. Foi na Yellow Treehouse, projeto de marketing para as Yellow Pages da Nova Zelândia do qual eu participei fazendo o site. A idéia da casa da árvore veio com um conceito que a agência estava trabalhando com o cliente dizendo que qualquer missão é possível de realizar usando Yellow Pages. Pra provar isso, eles decidiram que iam construir um restaurante em cima de uma árvore usando só empresas listadas nas páginas amarelas. Aqui as Yellow Pages têm muito mais força que no Brasil, eles anunciam pesado na mídia e todo mundo está listado. Se eu não encontrar sua empresa numa busca no site das Yellow Pages é bem provável que sua empresa não exista! A casa da árvore ficou bem legal. O desenho lembra uma cebola e é bem improvável de ver aquilo há 10 metros do chão, mas está lá, é real e bem firme.

O almoço foi bom, é daqueles chiques que te explicam o prato na hora de servir e vem várias coisas em porções pequenas. Começou com canapés ótimos e uma taça de espumante. Depois a salada de folhas verdes, primentinha recheada com feta e cubos de abóbora. Aí veio um peixe grelhado sobre um folhado de batata com cubos de beterraba. Depois filetos de carneiro bem mal passados com alho e mandarim. Pra fechar uma tábua de queijos, outra de doces e um café. Quem quiser dar uma olhada no menu, é só clicar aqui.

Acesse www.yellowtreehouse.co.nz para ver fotos e vídeos da casa da árvore. Meu vídeo favorito é uma compliação das +- 30 fotos diárias da obra que acabou virando um stop-motion da construção do projeto.

Viajar pela Nova Zelândia é fácil

Posted by Bruno Imbrizi . January 11th, 2009

Já pensou em vir passar as férias na Nova Zelândia? Olha, eu recomendo. Viajar por aqui é fácil. Muita gente vem pra cá rodar pelas estradas e o turismo é responsável por uma grande parte da economia do país, por isso a estrutura é ótima.

Meio de transporte / Hospedagem
Se vier sozinho, tem a opção dos ônibus de excursão que juntam uma galera e sempre tem festa. Se vier em casal ou com um amigo ou mais, já compensa pegar um carro, uma van ou uma campervan. Os carros são mais baratos e mais rápidos, porém você tem que se virar com hospedagem. Tem quem compre um Ford 77 e monte a barraca em algum lugar toda noite e tem quem ande por aí de Mercedes e passe a noite em motor lodges. Já quem viaja de van ou campervan pode estacionar em qualquer lugar e tá feito, mas é sempre bom parar num camping ou holiday park para poder ter banheiro, cozinha, energia elétrica, etc. O interessante é que você acha várias opções de hospedagem em quase todas as cidades, mesmo aquelas bem pequenas que nem supermercado tem. Campings, albergues, hotéis, motéis, motor lodges e holiday parks estão por toda parte, seja em pontos turísticos ou pontos que gostariam de ser turísticos.

Informações
Turista é um bicho perdido e cheio de perguntas. Por isso o departamento de turismo da Nova Zelândia criou os i-SITE Visitor Centres. São 79 espalhados pelo país, isso é suficiente para ter i-SITE até em Reefton, uma cidadezinha de 950 habitantes no meio do nada! Os i-SITEs são quiosques com guichês e atendentes para tirar dúvidas. Estão sempre forrados de panfletos e tem sempre banheiro público por perto. Se você chegou num lugar e não sabe onde dormir, onde alugar um carro, onde jantar, ou de qual ponte você pode pular, vá até o i-SITE que lá eles te dizem.

Estradas
As estradas são ótimas, o asfalto está sempre impecável. Quando tem alguma coisa de errado eles armam um circo de obras em volta. É sério, não é uma plaquinha de Atenção Obras, são vários cones laranjados, duzentas placas de Works Begin, Works End, Temporary, 30 km/h, Cuidadopelamordedeus e outras paradas. Não raro eles fecham uma pista e fica um cara em cada ponta com um radinho e uma placa de Stop e Go. A sinalização também é muito boa e está em todo lugar. Às vezes tem umas coisas meio bestas tipo uma placa No Petrol For The Next 120 Km perdida no meio do nada, em vez de estar perto de algum posto de gasolina. Como a van é beberrona a gente passou alguns apertos por causa disso. Tem que ficar sempre de olho no tanque. No mais a sinalização é boa e intuitiva. Antes das curvas mais fechadas normalmente se encontra um número indicando uma velocidade segura para contornar. As mais comuns sugerem 65 ou 75, mas tem algumas de 25 e 35. 15 é raro e 95 é estúpido uma vez que o limite de velocidade é 100 km/h. Quase tudo é mão-dupla, exceto na saída das grandes cidades onde há duplicação. Em alguns casos é até mão única, como nas One Lane Bridges – pontes de uma pista só – que são bem comuns e as placas indicam quem tem a preferência.

Atrações / Atividades
Se você for marcar umas férias no Rio Grande do Norte, vão te oferecer um pacotão com city tour na segunda, passeio de escuna na terça, buggy na quarta e assim por diante. Deve ter isso por aqui também, mas como viajar por conta é muito legal, nada te impede de ir montando o roteiro durante a viagem. Essa alternativa é bem popular por aqui. Eu já comentei antes que a Nova Zelândia parece um parque de diversões, você anda 100 m e tá lá mais um brinquedo, ou no caso, 100 km e tá lá mais uma maravilha da natureza. É difícil fazer um roteiro que não tenha nada interessante pra ver. Sempre tem um lago, ou praia, ou montanhas, ou cavernas ou (por que não?) um glacier por perto. E sempre tem o que fazer. Os caras inventam todo tipo de passeio ou esporte para os turistas. Rafting, caiaque, pára-quedas, paragliding, bungy jump, jetboat, quadricíclo off road, bondinho, teleférico, tem de tudo. O mais recomendado é reservar antes pela internet, telefone ou pelos guichês de informação (i-SITE). Não tem como fugir dos panfletos das atividades, eles estão por toda parte, você vai ficar com vontade de fazer alguma. E eu recomendo fazer mesmo!

Custos
O jeito mais barato de viajar é pedindo carona, acampando em um lugar isolado e comendo miojo. Pra quem não tá nessa pindaíba, pode comprar um carro (sai mais barato que alugar). Um mês de viagem a $50 a diária já dá um usado bem legal que depois da aventura você pode vender e recuperar parte da grana. Campervans já são bem mais caras e são opção de famílias européias ou casais jovens com um pouco mais de grana. Minha opção foi uma van com cama atrás, que é só um pouco mais caro do que um carro. Não tem a estrutura de uma campervan, mas dá pra dormir dentro, o que é bem prático porque você está sempre com as suas coisas e pode passar a noite em quase qualquer lugar. Se você tiver mesmo que pagar hospedagem, as opções vão de beliches em albergues a $15 até hotéis com preço a perder de vista. Para armar a barraca ou estacionar a van no camping costuma ser $15 por pessoa, mas eles têm também cabines só com cama (cozinha e banheiro compartilhados) na faixa dos $70. Já o quesito alimentação é mais complicado. Cozinhar sem dúvida é a melhor opção. Restaurantes ficam na média de $20 ou $30 por prato. Para pagar menos, tem que fugir para um kebab, ou um McDonalds/KFC/Buger King, ou para um sushi, ou para um porcão desses chineses/indianos, todos na faixa de $10 ou $15. Não tem buffet, não tem comidinha caseira boa e barata, sobra comidinha cara e ruim (pelo menos pelo meu gosto e o da Pri, que achamos com facilidade comidas gostosas no Brasil). Outro ítem é a gasolina, média de $1,30 o litro, cerca de R$ 1,75. E, pra fechar, as atividades podem variar de $60 (passeio de barco) a $400 (saltar de para-quedas + DVD e fotos do salto), mas normalmente ficam entre $100 e $120 (jetboat, caminhada pelo glacier).

Links
New Zealand Tourism
i-SITE Visitor Centres
TOP 10 Holiday Parks
Jucy Rentals
Maui Motorhome Rentals & Car Hire
Brtiz Campervan Hire & Car Rentals
KEA Campers Motorhome Campervan Rentals

Espero que eu tenha ajudado com esse resuminho e deixo o canal aberto. Quem quiser perguntar alguma coisa é só deixar um comentário ou entrar em contato. Até!

Aberto para balanço

Posted by Bruno Imbrizi . November 16th, 2008

Há exatos seis meses conheci o ponto mais turístico de Auckland: o aeroporto. O dia estava bonito e a empolgação da chegada me fez vestir bermuda e havaianas. Bastou chegar o fim-de-tarde pra eu trocar por moleton e meia. Agora, apesar da data especial, não me sinto muito em clima de “fechado para balanço”. São 11 da noite, estou de bermuda e descalço. O clima é aquele comecinho de verão e não tem nem um pouco de cara de fechamento. Pelo contrário, parece que está só começando.

Nosso relacionamento, meu e da Nova Zelândia, já passou por poucas e boas. Não foi paixão à primeira vista, fui gostando dela aos poucos e quando me dei conta estava completamente envolvido. Estamos nos dando bem. Recentemente tivemos ums brigas, ela me mostrou um lado meio feio e eu pensei que não ia ter futuro, mas depois pensei melhor e vi que todos temos defeitos. Agora estamos em paz.

Tenho conhecido muita gente nova. Sempre há algo a aprender. Ontem conversei com um indiano gerente de TI que está aqui há 5 meses e já está de saída. Para ele a NZ é um healing country (um país para te curar), você vem cheio de stress e preocupação e sai tranquilo e calmo, mas não passa disso, não tem nada novo pra aprender, se bagunçou arruma, se estragou conserta, mas não se inventa muita coisa. Ele me aconselhou a parar de perder meu tempo aqui e ir logo pra Austrália. Talvez pela minha descrição pareça meio arrogante, mas o cara falou com jeito e me botou pra pensar. A conclusão que cheguei é que eu já aprendi muito aqui, pessoal e profissionalmente. Acho que ele está coberto de razão, mas estamos em momentos diferentes, ainda não é a minha hora.

A gente sabe, eu e ela, que uma hora vai acabar. Ela já cansou de terminar relacionamentos por causa da outra, a Austrália. Nem por isso temos que decidir tudo hoje, vamos com calma, mesmo que esse dia chegue temos muito o que curtir juntos até lá.

Se eu posso você também pode

Posted by Bruno Imbrizi . July 6th, 2008

Já pensou em vir pra Nova Zelândia? Por que não?

Eu queria ter mais exemplos de brasileiros aqui para escrever este post, infelizmente tenho bem poucos, mas vou contar o meu processo pelo menos.

Antes de sair do Brasil, é bom ter um Plano A, um Plano B e um Plano C. Ou pelo menos a idéia de que se uma coisa der errado você já sabe mais ou menos o que vai fazer em seguida. Meu Plano A era buscar um emprego em web, o Plano B era ir trabalhar nas fazendas e tirar um trocado e o Plano C era fazer turismo até acabar meu dinheiro e voltar para o Brasil.

Para o Plano C, não precisa saber inglês, só precisa ter dinheiro pra viajar.
Para o Plano B, precisa saber um pouco de inglês, ter vontade de conhecer gente nova do mundo inteiro e espírito de aventura para viajar e trabalhar em condições não exatamente confortáveis.
Para o Plano A, precisa saber um bom tanto de inglês e ter qualificação para trabalhar em alguma área que esteja em falta aqui.

A parte boa é que tem muito trabalho aqui. A primeira coisa que eu fiz foi acessar o site www.seek.co.nz e buscar por palavras-chave como “Actionscript” ou “Web Design”.

Depois, dei uma boa lida no site de imigração da Nova Zelândia. Provavelmente o site sobre imigração mais completo do mundo - o país é uma ilha, então imigração é assunto muito sério por aqui. No site é possível ver a lista de qualificações em falta na NZ e quais os tipos de visto que se pode tirar.

Na hora de procurar emprego quem está com visto de turista já começou lá atrás. Existe uma lista de 26 países que dão direito ao Work Holiday Visa para os jovens que querem vir passar um tempo viajando e trabalhando na NZ. O Brasil não está nessa lista.

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Editado 03/09/2008

O Brasil entrou na lista! Leia aqui.
Obrigado ao Bruno Jonas pelo link.
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Não estou dizendo que fica impossível de arrumar trabalho, mas o empregador vai dar prioridade para quem já tem esse visto. E tem muito asiático aqui nessa situação, então acredito que a balança oferta/demanda não está favorecendo muito quem é turista e quer trabalhar. A saída, como em todo bom mercado, é vender a um preço mais barato. Se você topar trabalhar por menos que um cara com visto, talvez você ganhe a vaga.

A boa notícia é que para quem tem uma qualificação é possível dar entrada num Work Permit. A lista de documentos é extensa, mas se você estiver realmente disposto a vir, não é nenhum fim do mundo. Abaixo está tudo o que eu coloquei dentro do envelope que entreguei na imigração na metade de junho:

1. Application Form para Work Permit preenchido (16 páginas)
2. Employer Form preenchido pelo empregador
3. Carta do empregador me convidando para trabalhar na empresa
4. Carta da empresa de RH com anúncio da vaga, dizendo que eles tentaram contratar kiwis antes de dar a vaga pra um estrangeiro
5. Cópia do meu diploma
6. Cópia traduzida oficialmente do meu diploma (traduzi antes de sair do Brasil)
7. Cópia traduzida oficialmente do Tribunal de Justiça dizendo que não sou criminoso (traduzi antes de sair do Brasil)
8. Formulário médico com dados de um raio-x do tórax (tem que fazer aqui, é muito fácil, rápido e custa $85)
9. Uma foto do tamanho do passaporte deles
10. O próprio passaporte
11. Cópias de cartas de referência que eu recolhi com meus ex-empregadores antes de sair do Brasil
12. Cópia de um certificado da ENG
13. $200 em dinheiro

Logo de cara dá pra ver que se você não tiver um empregador, fica difícil de preencher todos os requisitos. Por isso mesmo que eu recomendei um Plano B. E como faz para conseguir um empregador que te patrocine para tirar um Work Permit? Aí é que está o pulo-do-gato. Eu só fui descobrir aqui e não tem muito segredo. É igual procurar emprego em qualquer lugar. Tem que estar com o currículo preparado, o portfólio atualizado e motivação para correr atrás de empresas e fazer entrevistas em agências de RH. Uma vez que uma empresa estiver interessada em você, está feito. No dia em que fui assinar meu contrato já estavam em cima da mesa os ítens 2, 3 e 4 da lista acima, sem eu precisar pedir nada.

Aí é só esperar e acompanhar pelo site o seu Immigration Status. O departamento de imigração ainda te manda mensagens no celular de vez em quando pra avisar como está indo. Demora umas 3 semanas mais ou menos.

Esse foi o processo para mim até agora. O Walker que está em Kerikeri passou por etapas diferentes. O Thomas, meu flatmate francês, acabou de conseguir a Residency dele e daqui um ano ele vira cidadão Neo-Zelandês se quiser. Cada caso é um caso.

O Orkut, apesar de ser 99.9% bullshit, tem uma comunidade que mostra brasileiros bem estabelecidos por aqui e outros que não passaram do aeroporto.

O assunto é complexo e quando comecei a escrever vi o tanto de coisa que tinha pra falar. Se estiver interessado e quiser fazer alguma pergunta fique à vontade. Eu me informo por aqui e tento responder.

Cheers!