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A saga da internet

Posted by Bruno Imbrizi . August 12th, 2008

Ok, notebook na mão, hora de ficar online. Ah, se até no Brasil já tem wireless na faixa em vários lugares, aqui no primeiro mundo vai ser teta. E lá fomos eu e o Walker descendo a Queen Street em busca de um Wireless Hotspot. Encontramos no útlimo lugar possível, lá no finalzinho da rua, na estação central de metrô / ônibus. O adesivo Hotspot na parede não deixava dúvidas. Além disso, tinha um cara estava sentado num banco com o notebook no colo. Opa, é aqui mesmo! Sentei, abri meu notebook cheio de receio. Já pensou? Chegar no Terminal do Capão Raso, ligar seu VAIO e ficar lá tranqüilão? É bom que alguém tenha um cronômetro do seu lado, pra registrar quanto tempo leva até um magrão levar seu brinquedo. Se bobear, leva o cronômetro também… Mas estamos em Auckland, então dá pra relaxar e fazer pose: “I’ll have a mocha, please”. Café na mão, notebook ligado e cadê a internet? “Hey my friend, como eu faço pra acessar a internet aqui?” – pergunto para o cara do café. “Você tem que comprar créditos com a companhia de acesso.” Pô, pagar pra usar internet? Que absurdo! Vou procurar em outro lugar!

E começou a saga da internet.

Não demorou muito para descobrir que wireless na faixa só tinha em UM lugar: a toca do Coelhinho da Páscoa. Não quis incomodar o orelhudo e resolvi procurar outras alternativas. Descobri que era possível pedir um café em qualquer uma das Esquires Coffee Houses e ganhar uma hora de acesso wireless. Bom, um cafézinho sempre vai bem. No centro de Auckland você encontra Capuccinos e Mochas por $3.00 ou $3.50. No Esquires, custam $4.50 ou $5.00. Ou seja, você vê claramente a vantagem do puta poster FREE INTERNET ACCESS que eles têm na entrada. Coincidência ou não, $1.50 é exatamente o preço mais comum a se pagar no centro de Auckland para acessar a internet nas lan houses.

Estava faltando tinta amarela na minha máquina de imprimir dólares, então achei melhor usar a internet nos computadores do albergue que era de graça. Ah, tem internet no albergue e tá reclamando – você pensa. E eu retruco seu pensamento: se eu estivesse na internet do albergue até hoje, eu teria conseguido subir umas, hmmm, cinco fotos pro meu blog. Muito lenta. Mas muito lenta. O Google até perguntava “Tem certeza que deseja fazer essa busca? Pense bem.”

Nem tudo é tristeza nesta história. A sorte estava prestes a sorrir para nós. Mudamos de albergue. Era a mesma coisa, tinha wireless, mas tinha que pagar por hora. Um saco. Só que aí o Walker resolveu abrir o notebook dentro do quarto e “Cara, tô online!” Como? Por que? Onde? Online? “Sim, online!” Internet wireless rápida e de graça dentro do quarto! HAHAHA! Até sai do quarto para ver até onde ia o sinal, mas não ia muito longe, era só ali no quarto mesmo. Puta sorte!

Não por muito tempo, é claro. Durou dois ou três dias, aí veio a lentidão. Daquelas de ver a barba crescer na cara entre um link e outro. E dois dias depois, fim da mamata. Sinal bloqueado. Nem rápida, nem de graça. Nada.

Eu fui descobrir depois que na verdade a gente sacaneou alguém sem querer nesses dois ou três dias que usamos internet na faixa. Provavelmente alguém do prédio vizinho não colocou senha na sua rede e a gente acabou pegando o sinal. Até aí tudo bem, certo? Que mal tem isso? O problema é que todos, eu disse TODOS os planos de internet daqui são com Limite de Dados. Isso significa que quando você assina um plano, você não escolhe somente a velocidade de acesso, escolhe também o quanto você vai poder acessar naquele mês. Se assinar o plano de 1GB, é só baixar um filme e mais umas bobagens e pronto, internet só no mês que vem! Bota fé? O castigo por excesso de uso varia de plano pra plano, alguns cobram por MB excedido, outros cortam o acesso e o mais comum é reduzir sua velocidade para 56K. Sim, depois de um certo volume de dados transmitidos, sua banda larga vira conexão discada igual antigamente. E não é só download não, upload conta também! Por isso era tão lenta no primeiro albergue. Por isso ficou lenta depois dos primeiros dias da conexão no quarto. Primeiro mundo!

 

 

Atualmente eu tenho um plano Broadband de 30GB da Telecom. Meus flatmates queriam pegar um menor, mais barato, mas eu achei 30GB até pouco e me propus a pagar a maior parte da mensalidade. Eu pago metade e eles racham a outra metade. Hoje é o último dia do mês para o nosso limite de dados. Estamos em cima do laço. A multa no nosso plano é de 2 centavos para cada MB excedido. Não é muito, mas a mensalidade já é cara o suficiente, não tem porque pagar mais. É um saco ter que ficar de olho no medidor de uso todo dia. É um saco desconfiar que meus flatmates estão abusando. É um saco ter que pensar se eu realmente quero assistir esse vídeo antes de acessar.

Fazer o quê? Aqui é assim.

A saga do notebook

Posted by Bruno Imbrizi . August 4th, 2008

Essa é velha, mas ainda não contei. Antes de sair do Brasil, eu sabia que minhas unhas iam cair se eu ficasse muito tempo sem um computador, então já estava planejando comprar um notebook direto no aeroporto. Comecei pesquisando uns modelos na internet (lógico) e o olho já foi crescendo. Como preço de notebook no Brasil é sem noção, qualquer coisa é mais barata no exterior. Pelo preço de um Celeron da Positivo dá pra comprar um VAIO Core 2 Duo. Tá certo que um Acer ou Toshiba aqui sai pelo preço de uma caixa de maria-mole, mas adivinha qual eu escolhi pra comprar? Um VAIO Core 2 Duo, claro.

 

 

Dubai parecia um bom lugar para fazer negócio. Eu e o Walker achamos um shopping (quase não tem shopping por lá…) e fomos pesquisar. Configuração boa, preço bom, maravilha. Tava muito fácil. Se tinha aquilo num shopping, imagina na tal Computer Street que tinhamos ouvido falar. Seria uma pechincha. No dia seguinte, lá fomos nós pra Computer Street. Você pode imaginar New York, mas eu te garanto que o cenário é mais Paraguai. (Nunca pisei em NY e a última vez que fui pro Paragua eu tinha 4 anos, mas vamos imaginando, certo?) Uma comparação mais palpável (e bem mais cheirosa) é a Rua 24 de Maio. Cheia de lojinhas que não passam muita credibilidade e que tem praticamente as mesmas coisas, só muda o número e a cor do toldo. Não estava muito fácil de encontrar o modelo que a gente queria. O auge da odisséia foi quando acompanhamos um cara até um beco e entramos numa loja sensacional. Parecia aqueles escritórios dos anos 80, com umas mesas retas de madeira, uma porrada de caixa e papel na parede e um telefone preto. O vendedor era árabe daqueles de quadrinhos. Inteiro de branco, barba preta e turbante na cabeça. Ele imprimiu uma lista dos PCs que ele tinha (não ali pelo jeito, pois ele não nos mostrou) e nós vimos que o preço era exatamente o mesmo do shopping. Estava muito surreal a situação e resolvemos sair dali com antes que aparecesse alguém com uma AK-47. A gente podia comprar no shopping e sair com a cabeça em cima do pescoço.

Acontece que a passagem por Dubai não foi uma coisa normal, onde você dorme, descansa, acorda e planeja seu dia. Foi uma viagem lisérgica de sono, jet-lag, fuso-horário, choque cultural, empolgação e comida apimentada. A gente queria fazer turismo. Não queríamos correr pro shopping de novo. Deixamos pra ir depois. O Walker acabou desistindo, falou que ia comprar o notebook dele em Auckland. O preço devia ser o mesmo – ele achava.

Eu decidi que ia comprar o meu em Dubai mesmo. Queria já começar a escrever para o blog no avião! Na véspera do nosso vôo de saída, eu estava moído e acabei dormindo à tarde. Acordei lá por 9h da noite, peguei um mapa e fui pro shopping. Andar é susse – pensei. Cidade nova, vai ser legal – pensei. Sim, é legal, mas é longe pra caralho. Cheguei no shopping 10h30 da noite. Por sorte todas as lojas fecham às 11h certo? Errado, QUASE TODAS as lojas fecham às 11h. As de eletrônicos fecham às 10h. Sim! Andei uma hora e meia pra nada!

No dia seguinte, mal deu tempo de chegar no aeroporto antes do avião sair (assunto pra outro post, talvez). Resultado: notebook só na Nova Zelândia.

Não vou falar quanto foi, mas no meu notebook a diferença do preço de Dubai pro preço de Auckland ficou na faixa de mil reais MAIS CARO.

Suicídio não é uma má idéia…

Hã? Ok. QSF! Agora já era, bora comprar esse aí mesmo.

Não me arrependo de ter escolhido um VAIO. É estável, confiável, tem boa performance e era o que eu queria. Se tivesse mudado de idéia podia estar arrependido hoje.

Bom, depois dessa palhaçada toda, escrevo o quê?
Uma lição talvez:
Comprar sem pesquisar é burrice. Pesquisar demais pelo jeito também é.