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Internet Blackout

Posted by Bruno Imbrizi . February 20th, 2009

No último dia de Fevereiro deve entrar em vigor uma emenda à Lei de Copyright da Nova Zelândia, que está sendo chamada de Guilt Upon Accusation Law – Lei da Culpa por Acusação. Dois artigos (Section 92A e 92C) são os responsáveis pela polêmica. Em poucas palavras eles determinam que os provedores de internet removam conteúdo ou cortem a conexão de usuários que possam estar infringindo a Lei de Copyright enquanto estão conectados.

Eu confesso que não entendi a emenda por completo – Direito em Português já é um saco, em Inglês então tenha dó – mas a repercussão está grande e sei que não estão gostando nada da novidade. Uma das reclamações é que, havendo uma acusação de quebra de direito autoral, o provedor de internet deve remover o conteúdo primeiro e entrar em contato com o acusado depois. Isso significa que se você não estiver compartilhando conteúdo ilegalmente, mas alguém disser que você está, seus arquivos podem ir pro espaço do mesmo jeito. E se você for pego repetidas vezes compartilhando arquivos ilegais, sua conexão com a internet também vai pro espaço e seu computador volta a ser um aparelho de jogar Paciência.

Como fica a situação das lan houses, bibliotecas e outras redes públicas? Onde fica sua privacidade enquanto os provedores rastreiam seus cliques em busca de ilegalidades? Essas e outras dúvidas geraram um protesto chamado Internet Blackout N.Z. Várias pessoas trocaram suas fotos por um retângulo preto no Facebook, MySpace, Bebo, Twitter, etc. Blogs e outros sites estão adotando fundo preto ou publicando banners contra a emenda. O site Creative Freedom colocou uma petição online que, até o momento, conta com 14.117 assinaturas contra a nova lei.

Acho que os direitos autorais devem sim ser protegidos e confio no bom senso dos kiwis em não sair cortando conexões a torto e a direita. Por outro lado, acredito que os tempos mudaram. Quem nunca baixou um MP3? As pessoas não estão baixando conteúdo digital ilegalmente só porque é de graça. Claro que tem gente que sempre vai preferir dar um jeitinho, mas considero comodidade e disponibilidade de acervo duas boas razões para buscar conteúdo online. O formato digital veio pra ficar. Eu ainda compro CD e gostaria que a uma lei milagrosa trouxesse da volta das mega stores com milhares de prateleiras e seus plec-plec-plec de caixinhas em busca de novidades. Era um dos meus passatempos favoritos, mesmo que eu nunca tivesse grana pra comprar nada. Hoje eu entro nas lojas (as que sobraram) só para comprar a caixinha e o encarte, porque a música já está no meu bolso faz tempo.

Não quero ter minha conexão cortada e também não quero ser um fora-da-lei. Como resolver? Os filmes ou seriados que eu quero ver demoram meses para chegar em um formato legal. Se fosse depender de encontrar CD para escutar o que eu escuto eu ainda não conheceria a enorme discografia (5 álbuns) do Stone Temple Pilots. Livro só comprando pelo Amazon, pagando frete internacional e esperando 3 semanas pra chegar – e olha que eu vivo fazendo isso! – enquanto o eBook chega em menos de um minuto. Para tudo isso a alternativa está ali, há alguns cliques. Não tem iTunes na Nova Zelândia nem no Brasil. Também não tem Amazon e os sites que transmitem seriados online estão bloqueados fora dos EUA. Como consumir esse conteúdo sem voltar no período pré-internet? Como baixar conteúdo digital legalmente? Talvez os leitores do Viagem no Tempo conheçam alternativas que eu ignoro, então não deixem de mandar seus comentários. Eu espero ainda ter conexão para responder vocês. :-D


Update:
Na última sexta-feira (23/02), o primeiro ministro John Key adiou a emenda à lei de copyright para o dia 27 de março e, se até lá não houver acordo, ela será suspensa. O interessante é que essa decisão se deu devido aos protestos online, conforme esta matéria no Herald*. Confesso que fiquei surpreso com a notícia. Não imaginei que uns perfis do Facebook e uns Twitters tivessem alguma força contra lobistas do mercado fonográfico / cinematográfico e contra os dois maiores partidos políticos do país que apoiavam a lei.

* Valeu pelo link, Daniduc!

Portfolio Kiwi

Posted by Bruno Imbrizi . October 16th, 2008

Algumas pessoas me pediram para mostrar os trabalhos que eu tenho feito aqui e eu finalmente tive tempo de atualizar meu portfolio.

Aqui vai uma breve descrição dos trabalhos postados:

Vodafone Innovations
Comentei sobre este job num post em julho chamado “Uma para os coders”. Infelizmente não fui eu quem fez o 3D da introdução. Minha participação foi nas páginas internas. Foi o código (html, css e jquery) mais puro que já escrevi. O cliente está super preocupado (alguns dizem até demais) com os padrões da web. Achei um job bem interessante.

Air New Zealand - Hotseats
Este foi uma correria absurda. A parte bacana foi amarrar bem o Flash para acertar os vídeos e o som. Fiz mais duas versões: um chinês chutando a tela e as pernas de uma modelo andando na passarela, mas a do rugby foi a primeira e a mais legal.

The Warehouse - Big Red Race
Quando eu vi os layouts desse job rolando eu estava torcendo pra cair pra mim. Não via a hora de fazer um joguinho em Flash. O código ficou redondinho, deu pra usar as mesmas classes para os dois banners e mesmo com uma porrada de alterações do cliente, o resultado me agradou bastante. O banner faz parte de uma campanha onde os vencedores da tal promoção vão poder pegar o que quiserem na The Warehouse (uma espécie de Lojas Americanas) em 60 segundos e levar na faixa.

The Warehouse - Room Planner
Este no começo me assustou. Eu não sabia se eu ia dar conta e acho que eles também não sabiam. Foi meu primeiro job com Flash na agência e eu precisava me integrar com os EventCenters, Delegates, XMLParsers e outras tantas custom classes que o pessoal já usava por aqui. Foi tranquilo e o resultado agradou todo mundo.

Yellow Treehouse
Meu chefe prometeu: o próximo projeto inteiro em Flash vai ser teu. E foi. Este site aparentemente simples é um container de funcionalidades que eu tive duas semanas para desenvolver no Flash. Reparem que o site se ajusta a qualquer tamanho de tela e que você pode usar os botões de Próximo e Anterior do navegador para andar pelo site (isso se chama deep linking). Além disso, temos conteúdo dinâmico sendo alimentado por webservices, galeria de fotos e vídeos e um efeito de texto que eu duvido que vocês tenham visto em outro lugar porque fui eu que criei do zero. Foi duro, trabalhei que nem um cavalo, mas tá aí. O site está no ar e a campanha só está começando. Espero que seja um sucesso.

É claro que eu trabalhei em vários outros jobs que não estão aqui porque não vale a pena mostrar. Só está faltando na lista um que é enorme. Estamos fazendo há meses. Trata-se de um e-learning com vídeo, 3D, webservices, drag and drop e o escambau. Assim que sair eu atualizo lá no portfólio.

E aí? O que acharam?

A saga da internet

Posted by Bruno Imbrizi . August 12th, 2008

Ok, notebook na mão, hora de ficar online. Ah, se até no Brasil já tem wireless na faixa em vários lugares, aqui no primeiro mundo vai ser teta. E lá fomos eu e o Walker descendo a Queen Street em busca de um Wireless Hotspot. Encontramos no útlimo lugar possível, lá no finalzinho da rua, na estação central de metrô / ônibus. O adesivo Hotspot na parede não deixava dúvidas. Além disso, tinha um cara estava sentado num banco com o notebook no colo. Opa, é aqui mesmo! Sentei, abri meu notebook cheio de receio. Já pensou? Chegar no Terminal do Capão Raso, ligar seu VAIO e ficar lá tranqüilão? É bom que alguém tenha um cronômetro do seu lado, pra registrar quanto tempo leva até um magrão levar seu brinquedo. Se bobear, leva o cronômetro também… Mas estamos em Auckland, então dá pra relaxar e fazer pose: “I’ll have a mocha, please”. Café na mão, notebook ligado e cadê a internet? “Hey my friend, como eu faço pra acessar a internet aqui?” - pergunto para o cara do café. “Você tem que comprar créditos com a companhia de acesso.” Pô, pagar pra usar internet? Que absurdo! Vou procurar em outro lugar!

E começou a saga da internet.

Não demorou muito para descobrir que wireless na faixa só tinha em UM lugar: a toca do Coelhinho da Páscoa. Não quis incomodar o orelhudo e resolvi procurar outras alternativas. Descobri que era possível pedir um café em qualquer uma das Esquires Coffee Houses e ganhar uma hora de acesso wireless. Bom, um cafézinho sempre vai bem. No centro de Auckland você encontra Capuccinos e Mochas por $3.00 ou $3.50. No Esquires, custam $4.50 ou $5.00. Ou seja, você vê claramente a vantagem do puta poster FREE INTERNET ACCESS que eles têm na entrada. Coincidência ou não, $1.50 é exatamente o preço mais comum a se pagar no centro de Auckland para acessar a internet nas lan houses.

Estava faltando tinta amarela na minha máquina de imprimir dólares, então achei melhor usar a internet nos computadores do albergue que era de graça. Ah, tem internet no albergue e tá reclamando - você pensa. E eu retruco seu pensamento: se eu estivesse na internet do albergue até hoje, eu teria conseguido subir umas, hmmm, cinco fotos pro meu blog. Muito lenta. Mas muito lenta. O Google até perguntava “Tem certeza que deseja fazer essa busca? Pense bem.”

Nem tudo é tristeza nesta história. A sorte estava prestes a sorrir para nós. Mudamos de albergue. Era a mesma coisa, tinha wireless, mas tinha que pagar por hora. Um saco. Só que aí o Walker resolveu abrir o notebook dentro do quarto e “Cara, tô online!” Como? Por que? Onde? Online? “Sim, online!” Internet wireless rápida e de graça dentro do quarto! HAHAHA! Até sai do quarto para ver até onde ia o sinal, mas não ia muito longe, era só ali no quarto mesmo. Puta sorte!

Não por muito tempo, é claro. Durou dois ou três dias, aí veio a lentidão. Daquelas de ver a barba crescer na cara entre um link e outro. E dois dias depois, fim da mamata. Sinal bloqueado. Nem rápida, nem de graça. Nada.

Eu fui descobrir depois que na verdade a gente sacaneou alguém sem querer nesses dois ou três dias que usamos internet na faixa. Provavelmente alguém do prédio vizinho não colocou senha na sua rede e a gente acabou pegando o sinal. Até aí tudo bem, certo? Que mal tem isso? O problema é que todos, eu disse TODOS os planos de internet daqui são com Limite de Dados. Isso significa que quando você assina um plano, você não escolhe somente a velocidade de acesso, escolhe também o quanto você vai poder acessar naquele mês. Se assinar o plano de 1GB, é só baixar um filme e mais umas bobagens e pronto, internet só no mês que vem! Bota fé? O castigo por excesso de uso varia de plano pra plano, alguns cobram por MB excedido, outros cortam o acesso e o mais comum é reduzir sua velocidade para 56K. Sim, depois de um certo volume de dados transmitidos, sua banda larga vira conexão discada igual antigamente. E não é só download não, upload conta também! Por isso era tão lenta no primeiro albergue. Por isso ficou lenta depois dos primeiros dias da conexão no quarto. Primeiro mundo!

 

 

Atualmente eu tenho um plano Broadband de 30GB da Telecom. Meus flatmates queriam pegar um menor, mais barato, mas eu achei 30GB até pouco e me propus a pagar a maior parte da mensalidade. Eu pago metade e eles racham a outra metade. Hoje é o último dia do mês para o nosso limite de dados. Estamos em cima do laço. A multa no nosso plano é de 2 centavos para cada MB excedido. Não é muito, mas a mensalidade já é cara o suficiente, não tem porque pagar mais. É um saco ter que ficar de olho no medidor de uso todo dia. É um saco desconfiar que meus flatmates estão abusando. É um saco ter que pensar se eu realmente quero assistir esse vídeo antes de acessar.

Fazer o quê? Aqui é assim.

Uma para os coders

Posted by Bruno Imbrizi . July 13th, 2008

Nessa semana foi ao ar uma nova área no site da Vodafone NZ desenvolvida pela agência onde estou trabalhando aqui em Auckland.

http://www.vodafone.co.nz/now/

Vodafone é a maior operadora de telefonia celular do mundo. A primeira vez que ouvi falar da Vodafone foi quando acessei este site, ganhador de vários prêmios incluindo 2 leões de ouro em Cannes 2004 e o Site of The Year 2004 no FWA.

A nova área do site neo-zelandês da Vodafone tem por objetivo lançar novos serviços para os celulares com tecnologia 3G. Minha participação neste job foi fazer a área que o usuário vai ver caso não tenha o Flash instalado ou caso a conexão seja muito lenta. É a mosca do cocô do cavalo do bandido. Pensa que por isso foi feito de qualquer jeito? Muito pelo contrário.

O papo aqui fica meio técnico, os coders acompanham. :-)

Todos os HTMLs deviam ser XHTML 1.0 Strict válidos. Todo e qualquer style deveria ser referenciado por id ou class. As alturas dos elementos da página devem ser em unidade em que varia de acordo com o elemento-pai, isto mantém a página funcionando corretamente para aqueles usuários e têm problema de visão e aumentam o tamanho do texto no browser. Todas as tags <a> devem ter títulos e todas as <img> devem ter alt. O retângulo vermelho com texto em destaque no topo é um <div> com header e parágrafo dentro que é substituído por um Flash ao carregar a página, isto preserva a semântica do HTML e mantém o texto visível para os buscadores. Se o usuário tiver Flash e JavaScript habilitado, ele vê o texto com a fonte da Vodafone e com anti-alias. Se não tiver, vê o texto como o browser mostraria normalmente. Além disso, a navegação é feita por abas (tabs) e a funcionalidade delas é controlada por um plug-in que usa jQuery, mas se o usuário não tiver JavaScript habilitado, a página ainda tem que funcionar e se apresentar decentemente. Isso tudo funcionando em Firefox 2 e 3, Internet Explorer 6 e 7, Safari e Opera.

O resultado disso é que se o usuário tiver Flash Player 9 instalado, ele vai ver uma animação 3D muito legal com navegação em Papervision 3D - feito pela oktobor. Se não tiver ou a conexão for muito lenta, vai ver uma página dentro dos padrões do site com uma navegação em abas e que funciona em qualquer browser dos lançados nos últimos 3 anos e com qualquer tamanho de fonte. Caso o JavaScript esteja desabilitado no browser do usuário por qualquer motivo, a página ainda funciona muito bem. As audiências estão todas cobertas. A parte técnica está de acordo com as recomendações mais restritas da web. Os buscadores conseguem mapear toda a informação da página como se fosse o mais puro “texto e link” lá de 1996.

No final do job, eu tive a satisfação do dever cumprido somada à satisfação muito maior de ter feito a coisa do jeito certo.

Uma coisa interessante é que boa parte das exigências de acessibilidade vieram da própria Vodafone. Isso somado à competência do time na agência gerou, na minha opinião, um ótimo resultado. A experiência aqui está sendo ótima.