Posts Tagged ‘inglês’

Cranium

Posted by Bruno Imbrizi . March 15th, 2009

No final de semana fui convidado para jogar Cranium na casa de uma colega de trabalho. Estávamos em seis: dois ingleses, um kiwi, uma francesa que mora na Nova Zelândia desde criancinha, um malaio que está por aqui há 12 anos e o brazuca aqui com inglês de cursinho + 10 meses de Nova Zelândia. Confesso que fiquei apreensivo no começo. “Puts, se eu não entender alguma coisa vou estragar o jogo.” Mas passou longe disso, foi muito divertido. Digo, foi de deitar no chão de tanto rir.

O Cranium lembra o Imagem & Ação e o Caldeirão do Huck. Se tem algum jogo no Brasil mais parecido com o Cranium eu não conheço. Em cada rodada uma equipe tira uma carta e quem acertar a resposta anda no tabuleiro. São quatro áreas, cada uma representada por uma cor. No azul você pode ter que desenhar algo, ou desenhar de olhos fechados (geralmente algo mais) ou fazer mini esculturas com massa de modelar. No verde você pode ter que fazer mímica, ou encarnar um personagem (é permitido falar) ou assobiar uma melodia. No vermelho você tem que dar respostas perguntas objetivas ou de múltipla escolha. E no amarelo ficam as sopas de letrinhas que vão desde soletrar algo de trás para frente até adivinhar o significado de uma palavra obscura.

Se eu pudesse jogaria Cranium todo final de semana. É aquele jeito de aprender uma coisa que você não esquece mais. Por exemplo: bum bag. Você sabe o que é? Eu não sabia. É o que chamamos de pochete. O nome mais usual atualmente é fanny pack, por isso a jogadora que pegou a carta achou que ninguém ia adivinhar se ela modelasse uma pochete em massinha. Ocorre que bum equivale ao Português bumbum e bag significa sacola, mala, bolsa, etc., então ela resolveu separar as duas coisas e modelou uma bundinha e uma bolsinha. Ninguém acertou, mas eu não consegui parar de rir quando alguém sugeriu que fosse um ass case - algo como uma mala específica para guardar bundas. Foi hilário.

Outro exemplo foi uma carta que eu peguei e tinha que desenhar pushing up the daisies. Lembrei da namorada do Pato Donald que em inglês é Daisy Duck e sabia que tinha que desenhar alguém empurrando margaridas, mesmo sem saber que diabos era aquilo. Minha equipe acertou porque conhecia a expressão. Agora que eu sei o significado, faz todo sentido, mas na hora nem me ocorreu. “Empurrando as margaridas para cima” signfica dizer que alguém está morto. Tem a ver. Tem mais a ver do que “um abraço pro gaiteiro” ou “bateu as botas”.

Numa das cartinhas amarelas, a outra equipe leu para nós uma palavra que tínhamos que adivinhar o significado. Saiu algo como ei-ti-lai-er. Ao ler a palavra na carta, a francesa da minha equipe se partiu de rir. Estava escrito atelier. Óbvio que eu também saberia, mas foi curioso ver que uma palavra tão óbvia para nós pudesse ser uma novidade para o cara que leu, já que ele não tinha nem idéia de como pronunciar. Algo semelhante aconteceu quando caiu a palavra cemetery e os ingleses insistiam em repetir palavras como tomb ou graveyard. Quando tempo acabou um deles falou “Ah, mas a gente nunca chama de cemetry! Sempre falamos graveyard!” Ou seja, a nossa principal palavra para designar um cemitério é parecida com a palavra em Inglês, mas não com a principal e sim com um sinônimo menos usado. Achei curioso.

No final cansamos de Cranium e partimos para um drinking game que consistia em contar e bater palmas de acordo de maneira coordenada. Quem errasse tinha que tomar um shot. As opções eram licor de cassis (iuc!), licor de anis e Jägermeister. Eu perdi a conta algumas vezes, mas sempre conseguia me safar proque alguém errava antes de mim. No final de algumas rodadas, quando um dos integrantes já não aguentava mais licor de anis, eu ainda estava invicto e adivinha qual foi meu prêmio? Dose dupla de Jäger.

Foi divertido.

Baby, vamos pra Babylon

Posted by Bruno Imbrizi . October 4th, 2008

Acabei de voltar de uma festa. Ainda ouço a música, porque é na casa ao lado. Não chega a ser uma festa, é mais uma reunião para uns drinks e aparece gente de todo lugar. Quando eu digo isso, é de todo lugar MESMO. Em uma sala com pouco menos de 20 pessoas, tive a oportunidade de conversar com kiwis, ingleses, franceses, um sul-africano, uma japonesa e uma italiana. Essa possibilidade de trocar idéia com gente do mundo inteiro é um tesão. Ou, como diria meu flatmate, “it’s fantastic, I love it!” Não tem preço. Mudando o sotaque, a conversa ia mais ou menos assim:

- Oh, your English is so good!
- Valeu, valeu. Ainda tenho muito que melhorar.
- No, seriously. I know a lot of Brazilians and you don’t speak like them.
- É mesmo? Que curioso, eu não conheço muitos brasileiros por aqui.
- Really? They’re everywhere! You should go to Gina’s on Symonds St.
- Sim, mas eu quero conhecer brasileiros interessantes, gente que dê pra bater um papo cabeça como as pessoas nessa sala aqui hoje à noite.
- Oh, then. Aí já fica mais compricado…

Fica fácil de ver quão brasileiro eu sou e quão diferente do brasileiro médio eu sou. Sou fruto de uma terra de ninguém.

A japonesa falou sobre o abismo entre homens e mulheres no Japão. Nossa cultura latina, machista, parece um conto-de-fadas para a mulher japonesa que tem que ficar sempre bem atrás do homem. Morando na NZ, agora ela namora um francês e juntos conversamos sobre o comportamento das mulheres kiwis. A situação se inverte, o desequilíbrio é claramente para o lado feminino, elas são mais fortes. Debatemos, como dois latinos (sim, franceses também são latinos) o quanto isso é legal e o quanto é esquisito. Uma coisa é a mulher ser independente e ter condições iguais aos homens na sociedade, isso é fantástico. Outra coisa é ela chegar em casa à noite e em vez de se aconchegar no marido, é o marido que se aconchega nela. Ou pior, ela dá um chega pra lá nele e manda ele parar de ser tão sentimental! Me chamem do que quiserem, mas prefiro o sistema latino e acredito que, em algum ponto da escala, fala mais alto a natureza masculina de proteger e a feminina de ser protegida.

A francesa namora um inglês que está morando em Cingapura. Ou ele vem pra NZ, ou ela vai pra Cingapura. E pra França, não volta? De jeito nenhum!

A italiana está aqui há um ano e ainda não sentiu saudade de casa. Fora o clima, que ela diz que na Itália é melhor. Aí eu digo que quero muito ir para a Itália, que até comecei a estudar italiano e tal. Ela responde que a Itália está terrível, o governo está uma palhaçada, muita corrupção, impostos altíssimos, desemprego… Aí eu interrompo e falo para ela comparar com o Brasil. Ela conclui com algo que eu traduziria como:

- Ééé…

Sábado tem mais festa, com certeza vai ser internacional de novo.

Snuque

Posted by Bruno Imbrizi . October 2nd, 2008

Durante um bate-papo com o daniduc, surgiu um exemplo que me deu vontade de compartilhar aqui no blog. Imagina a cena: uma mesa de sinuca, jogo de duplas, é a sua vez e você fala:

- Cara, vou tentar adubar a 5 na boca de baixo. Não tem como pegar de peito porque a mesa tem uma descaída e esse viado deixou a 11 bem na minha reta.
- Ê meu, tá valendo a nega, não pode dar mole, dá uma com força na casquinha que ela cai!

Imaginou? Fácil, né? Situação corriqueira. Dá pra entender o que está acontecendo.

Agora, fala isso em inglês!

Quando eu falo sobre diferentes níveis de inglês, é isso que eu quero dizer. Eu trabalho, vou a reuniões, assisto filmes, tudo em inglês, mas jogar sinuca são outros quinhentos! Claro que mirar a bola branca nas bolas coloridas é a mesma coisa em qualquer lugar do mundo, mas teorizar abobrinhas sobre onde o seu cérebro ACHA que consegue colocar a bola branca é só no seu idioma de origem. Ou então depois de muita experiência sinucando em outro país.

Pra minha sorte, temos uma mesa de sinuca na empresa e, quando os prazos não estão muito apertados, dá pra jogar uma ou duas partidas na hora do almoço. Por sinal tenho jogado melhor aqui do que eu costumava jogar nos brazinhos do Brasil. E eu que achava que o chopp melhorava minha mira… Enfim, minha pequena experiência com os sinuqueiros kiwis me ensinaram algumas coisas interessantes:

  • Aqui ninguém mata a bola, aqui se afunda a bola, sink the ball.
  • Apesar de no Brasil a gente ler snooker o tempo todo, aqui jogar sinuca é play pool.
  • O cara que manda bem aqui é o tubarão, the shark.
  • Nas regras kiwis, se você não acertar sua bola, ou bater numa bola do adversário, não tem castigo nenhum. Se você derrubar a branca perde a vez, o adversário recoloca a branca na posição inicial e ele só pode bater pra frente (na direção do estouro). Se matar a bola 8 no meio do jogo, game over, quem matou perdeu.
  • Eu perguntei para dois colegas se eles tinham uma palavra para “descaída”. Um respondeu que nunca viu uma mesa com descaída e outro disse que já viu, mas não tem uma palavra pra isso.

Agora é só me esforçar mais no meu intercâmbio cultural e passar a jogar mais vezes por semana. Ói, vou te falar, jogar snuque sem castigo em mesa sem descaída é coisa de primeiro mundo, sô!

Conselho

Posted by Bruno Imbrizi . September 3rd, 2008

Quem não assistiu o vídeo “Wear Sunscreen”? É muito bom, mas encheu um pouco o saco depois que começou a passar em tudo quanto é colação de grau, palestra motivacional ou qualquer reunião com mais de três pessoas e um telão.

Começa assim:
“Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro eu diria: use filtro solar!

Pois eu já teria feito diferente:
“Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro eu diria: aprenda a falar inglês!

Até porque o vídeo original é em inglês (meus pêsames para quem viu a versão do Pedro Bial). Aliás, deixa eu explicar direito, o texto do vídeo chama-se “Advice, like youth, probably just wasted on the young”, foi escrito por Mary Schmich e publicado no Chicago Tribune em junho de 1997. Um ano mais tarde, um cara chamado Baz Luhrmann gravou o texto junto com a música que faz a trilha. A versão mais famosa no Brasil é uma compilação de stock footage que a agência DM9 fez para ilustrar a música. Ou seja: Não, não foi o Pedro Bial quem escreveu. E sim, o vídeo é velho, todo mundo já conhece.

Voltando ao meu conselho. Meu público alvo seria bem mais jovem do que o público do filtro solar. Minha mira é na criançada. Se você tem idade pra estar lendo este blog, então provavelmente já é tarde demais (Hehehe). Melhor seguir o conselho com seus filhos, ou passar adiante para afilhados ou sobrinhos. (Ou netos, no caso do Clair. Hehehe. Tô zoando.)

E não me refiro ao inglês de colégio. Esse é só pra tapear. Tem que ser um curso decente. Se puder investir num curso de imersão ou um intercâmbio, melhor ainda. O resto vem com música, internet e filmes.

Já parou pra pensar como é o mundo para um analfabeto? Não poder ler placas nas ruas, ignorar revistas, jornais, livros, internet… uma lista sem fim. Agora pense em você, neste momento, teletransportado para a Rússia. Você é o analfabeto. Pior até, porque não vai conseguir nem compreender o que te falam nem ser compreendido. O lugar torna-se hostil e você quer ir embora o quanto antes, voltar para o seu canto, onde você entende tudo e todo mundo te entende. Agora imagine se você fala russo. O mesmo lugar torna-se rico, novo, interessante e você tem todos os cantos para explorar.

Aprender inglês não é para explorar os Estados Unidos ou a Inglaterra. É para deixar de ignorar revistas, jornais, livros, internet… O inglês te tira do teu canto, mesmo que você não se mexa. E se quiser se mexer, o número de lugares para onde você pode ir sem se sentir num ambiente hostil é imensamente maior do que se você soubesse só o português. Incluíndo a Rússia. Com o inglês, você pode acessar um fórum na internet e fazer uma pergunta sobre o que for, ActionScript ou jardinagem, e receber respostas de um finlandês, de um belga, de um chileno e de um japonês. É o mundo se comunicando. E vai continuar se comunicando com você ou sem você. Claro que é melhor que seja com você.

Quando eu voltei do meu ano trancado na faculdade, peguei uma turma que fazia trabalhos ótimos. Ali eu aprendi muita coisa. Não queria que meus trabalhos ficassem muito atrás dos meus colegas e fui melhorando automaticamente graças a uma saudável concorrência. No meu post anterior, eu disse que queria ver o Brasil melhorando e aqui neste post deixo meu humilde conselho para que isso aconteça. O inglês serve para se comunicar com o mundo e ver o que os outros estão fazendo. Uma vez que se compare e se compreenda as diferenças, não há como ignorar e ficar de braços cruzados. O país vai melhorar graças à natural e saudável concorrência.

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Em tempo: não escrevo isto do alto do meu conhecimento da língua inglesa. Apanho todos os dias para o inglês e já declarei minha ignorância em outro post. O idioma, como qualquer conhecimento, não é uma chave liga/desliga, sabe ou não sabe, é uma escala com infinitos graus. O inglês que eu sei me trouxe até aqui e eu sei que se fosse melhor eu poderia ir muito além. E sei também que tem muita gente, inclusive aqui em Auckland, que está alguns graus abaixo do meu e patina para conseguir algo decente. Meu conselho vai pra eles também.

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Ainda sobre o mesmo assunto, deixo aqui um link para um dos melhores posts de blog que eu já li, chamado O homem que sabia javanês, o Orkut e o arenque, publicado no Ducs em Amsterdam.

Could you repeat, please?

Posted by Bruno Imbrizi . June 19th, 2008

Lá pela metade de 2005, alguns intercambistas da Alemanha começaram a fazer algumas matérias comigo na faculdade. Uma noite, depois da aula, alguém sugeriu uma esticadinha no bar junto com eles. Depois de uns dois copos de cervjea descobri que meus semestres de Cultura Inglesa e FISK não tinham sido em vão. A partir de então, passei a considerar meu inglês muito bom.

Em 2006 quando fui pra Alemanha, as pessoas diziam que meu inglês era ótimo. Eu estava confiante, satisfeito. Passei a achar que falava inglês. Que podia ir para qualquer lugar e ia me dar super bem.

Minha confiança ficou um pouco abalada quando comecei a ouvir rádios neo-zelandesas pela internet, mas nada grave. Quando cheguei aqui já voltei a achar que estava tudo sob controle. Entre estrangeiros no albergue nosso inglês (meu e do Walker) era dos melhores. Nem sempre dava para entender o que os kiwis falavam, mas coreanos e inglêses a gente tirava de letra. Conversei pelo telefone, fiz entrevistas, consegui um emprego! Meu inglês está louco de bom!

Até então, tudo morno.

Quarta-feira veio a água fria. Uma ducha de 3 horas de duração para aprender a ser humilde.

Jantar da equipe digital da empresa. 14 pessoas na mesa. 10 kiwis, dois ingleses, um malaio (que mora há 12 anos na NZ) e eu. Fiquei imaginando como seria se eu tivesse ido trabalhar numa agência em São Paulo e na primeira semana oferecessem um jantar para integrar as caras novas. Com certeza eu ia meter minha colher nos assuntos da mesa e ia ficar procurando na minha cabeça comentários sagazes para todo mundo dar risada. Não foi assim. Não foi assim mesmo. A conversa parecia interessantíssima. Eu conseguia pegar trechos, uma ou outra fala, mas eram sempre fragmentos, nada que eu pudesse concordar, ou discordar, ou pensar numa piadinha, ou comentar qualquer coisa. Teve momentos em que eu não entendia absolutamente nada, era como se eu estivesse sentado com chineses. E estava animadíssimo. Eu queria muito participar, mas não teve jeito. Fora uma ou outra conversa paralela que eu puxava com meu vizinho de cadeira, fiquei quieto e observando quase o jantar inteiro. Talvez meus novos chefes e colegas pensem agora que eu sou muito tímido, mas não foi timidez não, confesso aqui no blog, foi pura ignorância. Calei a boca para não ter que assumir que não estava entendendo porra nenuma. Eu queria sair logo dali. Queria chegar em casa e ligar para alguém no Brasil e falar pelos cotovelos, mas o fuso-horário não deixou. O máximo que consegui foi falar mais um pouco de inglês com meus flatmates franceses. Para eles, meu inglês continua ótimo…

Para mim, meu inglês é uma merda. Eu quero falar inglês como se fosse desde criancinha. Quero fazer piada na mesa do jantar. Quero conversar com um kiwi bêbado. Quero ir para o trabalho rindo junto com o programa matinal na rádio. Quero aprender inglês igual ao personagem do livro Budapeste (Chico Buarque) que vai para a Hungria e aprende húngaro tão bem que escreve um livro de poesias e dá para um autor húngaro publicar como se fosse dele.

O idioma tem níveis que vão além dos livros Advanced e Conversation. Imagina um estrangeiro no Brasil, ele pode chegar numa loja da Vivo, falar “pré-pago” e sair satisfeito, porque o vendedor, tentando puxar papo ou não, vai vender de qualquer jeito. Agora imagina esse estrangeiro ouvindo Pânico. Será que ele vai dar risada?

Se o seu inglês não é dos melhores, não se desespere. Não precisa chegar na loja da Vodafone e falar “I would like to see which is the best option for me considering my budget and my visa status”. Na saída a sua sacola vai ter exatamente o mesmo produto que se você entrar e falar só “prepay”. :-)

Go to the patrobô

Posted by Bruno Imbrizi . May 21st, 2008

No Brasil a gente anda na rua e vê gente de tudo que é tipo. É uma mistura tão grande que fica difícil de saber de onde vem cada um. Aqui em Auckland eu presto atenção quando passa alguém que eu não consigo identificar de onde vem, porque pode ser um brasileiro. A maioria das pessoas tem uma fisionomia bem característica do lugar de origem. Os kiwis (neo-zelandeses) tem cara de kiwis. No máximo dá pra confundir com um australiano ou talvez um inglês dependendo da idade. Quando começa a falar fica bem claro quem é quem.

Reconhecer orientais já é mais difícil, mas estou começando a treinar os olhos e ouvidos para isso. A maioria aqui vem da Coréia. E tem muito, muito coreano por aqui. Eles são bem tranquilos e bem gente boa, mas tem tanto que às vezes você entra num lugar e não vê nenhum ocidental, parece que os olhos puxados vão tomar conta da cidade.

Ontem fomos almoçar num restaurante coreano onde os clientes, a garçonete, o cozinheiro, a comida, os cartazes na parede, tudo era coreano. De ocidental só tinha eu, o Walker e o preço. Aliás, muito boa a comida, pretendo voltar lá.

Conversar com os coreanos é bem mais fácil do que com os kiwis. Não todos, é claro. No nosso (ex) albergue tinha um kiwi chamado Kevin que parecia mastigar as frases antes de colocá-las no nosso ouvido. Eu me esforçava bastante, mas tinha vezes que só podia responder “yeah” e olhar pra baixo. Os coreanos que estão aqui há mais tempo falam inglês como nós, como segunda língua, então fica mais pausado e mais fácil de entender. Alguns estão estudando inglês aqui, então fica mais pausado ainda e às vezes a gente até ajuda o cara com algumas palavras.

Nada como inglês dos caras em Dubai. Uma vez fomos pedir informação sobre um ponto de ônibus pra um cara na porta do Mall of The Emirates. Ele falava um inglês horrível, mas falava rápido como se fosse a língua dele. Ele dizia:
- You can go to the patrobô.
- Sorry, we didn’t understand.
- Go to the patrobô.
- What? Where?
- Go to the patrobô, den turn rrright.
- What is the patrobô?
- Patrobô, you know? Like Pi, E, Ti, Robô, you know?
(e nós com aquela boca de U invertido)
- The patrobô, to drive the car.
(e nós com aquela interrogação na testa)
- Yes, go to the patrobô.
De repente chegam mais dois caras:
- Drive car, you know? (fazendo um volante com as mãos)
- Yes, drive car, patro, gasol, drive car.
E nós:
- Aaaaaahh! The gas station! The PETROL BOMB!