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Transit Visa

Posted by Bruno Imbrizi . March 28th, 2009

Drinks de despedida na empresa. Festa de despedida com os amigos. Jantar de despedida dos vizinhos. Emails trocados, muitos abraços, desejos de sorte e alguns presentes. Fazer as malas, pensar na roupa da viagem, lembrar da escova de dentes no último minuto, devolver a chave do flat e ir para o aeroporto. Lá chegando, burocracia com sorrisos até que…

- Como assim não vou poder embarcar? Deve ter alguma coisa que possa ser feito!

Embaraço, frustração e raiva. Tirar as malas da esteira, levar de novo pro carro e voltar para o flat. Vou te dizer, não foi das sensações mais agradáveis…

Não, eu não estava tentando embarcar com uma faca ou algo pior (tipo uma garrafa d’água com mais de 100ml). Eu não estava com o ticket vencido, nem cheguei atrasado para o check-in, nem estava com excesso de bagagens. Meu problema foi o visto. Meu vôo era Auckland-Dubai com uma escala. Não, meu problema não era o visto para entrar em Dubai, era para entrar na escala. A parada em questão era Sydney, Austrália. O avião ficaria em solo por cerca de 1 hora e meia e dali seguiria até Dubai sem mais paradas. Cidadãos brasileiros não têm direto a trânsito pela Austrália e devem solicitar um visto de trânsito junto à Embaixada ou ao Consulado mais próximo. Não tem choro, não tem vela. Sem visto não embarca e pronto. Tire suas malas daqui e passar bem.

A escala, que nem sequer aparecia no ticket de embarque, estragou meus planos. Eu ainda estou tentando entender até agora por que é necessária a existência de um visto de trânsito. Por que eu tenho que preencher um formulário dizendo se eu já tive contato com pessoas com tuberculose antes de ficar 1 hora no saguão do aeroporto de Sydney? E se eu tivesse, seria meu trânsito negado? Ei amigo, eu não quero ficar aí no seu país e sobrecarregar seu sistema de saúde. O que eu quero mesmo é sair dele! Por mim eu passava por cima, entendeu?

Ok, não adianta discutir. Voltei “pra casa” (por sorte não tinha nenhum novo flatmate pronto para entrar no que era meu quarto), pesquisei tudo o que precisava saber sobre o tal visto na internet e botei o despertador para chegar no consulado da Austrália assim que abrisse. Às 9 da manhã eu estava tenso e puto da cara com a senha 14 na mão. A situação ainda poderia piorar se eu tivesse que mandar meu passaporte para Wellington e esperar meu visto pelo correio, ou se, mesmo resolvendo por Auckland, eu tivesse que aguardar, sei lá, 10 dias úteis. E ainda tinha a questão da passagem que teria que ser remarcada e sempre há uma multa de USD 100 para mudanças de data. No fim deu tudo certo e em 3 horas e meia, 2 visitas ao consulado e 2 visitas ao escritório da Emirates, consegui um visto de trânsito pela Austrália e remarquei minha passagem para o mesmo dia sem custo adicional.

O acontecido foi chato, mas não dá para culpar a companhia aérea. Eles foram racionais e educados o tempo todo e resolveram meu problema com agilidade e sem custo no dia seguinte. Apesar de algumas pessoas que ficaram sabendo do episódio terem xingado a companhia, eu discordo e continuo recomendando a Emirates. Ponho a culpa em mim mesmo por não ter ido atrás dos meus direitos e deveres como cidadão brasileiro e na idéia do visto de trânsito em geral que me parece mais uma pilha de papéis e números destinados a atrapalhar a vida das pessoas. E não posso deixar de criticar também a fraca atuação das relações internacionais do Brasil. A lista de países que têm acordo de trânsito pela Austrália e não exige visto é enorme, mas o Brasil não está nela.

A mensagem a passar com a história toda é: quando estiver planejando sua viagem, não faça como eu, não ignore as escalas, você pode precisar de mais que seu passaporte para botar seus pés brasileiros no estrangeiro e quanto antes você cuidar disso, menor a dor de cabeça.

Update:
Enquanto eu estava no aeroporto de Sydney, NINGUÉM pediu meu passaporte. O visto não fez a menor diferença…