Nessa casa tem goteira
Posted by Bruno Imbrizi . September 10th, 2008Quarta-feira, cinco da tarde. O sol já está baixo e entra pela janela da agência deixando o texto no canto do monitor difícil de ler. Olho pro lado e um dos meus colegas pergunta:
- Do you guys want a beer?
Pra mim não, obrigado. Nisso chega uma produtora perguntando sobre o trabalho do dia com uma taça de vinho tinto na mão. Enquanto conversamos, deu tempo de meu colega descer e voltar com uma caixa de papelão cheia de long necks que ele buscou na geladeira. Pegou uma pra ele e deixou as outras ali, pro pessoal se servir. E o pessoal se serve mesmo. Cada um se levanta, pega uma bera, estoura a tampa usando o dedão e um marca-texto (já aprendi a técnica) e volta pra sua mesa. Não é comemoração por job finalizado, não é pro pessoal que vai ter que ficar até tarde e não é aniversário do chefe. É assim todo dia: depois das 5h, álcool liberado.
Isso não quer dizer que a coisa vira festa. Que todo mundo vira as costas pro computador e começa a contar piada de Argen… digo, de Australiano. O clima dá uma descontraída, mas todo mundo continua trabalhando. Às vezes a cervejinha marca o final do expediente, mas na maioria das vezes é só um relax, depois volta o trampo até as 6h, 7h, 8h… até a hora que o cara tiver que ficar. Funcionário bebe, chefe bebe, gerente de conta bebe, não tem crise, ninguém te olha torto se você estiver com uma Corona na frente do seu teclado.
Na minha mega pesquisa antropológica, descobri que isso acontece na maioria das empresas kiwis, desde as pequenas até gigantes como a Vodafone. O normal é ter esse tipo de coisa na sexta, mas em alguns ambientes mais criativos rola a semana inteira. Algumas empresas fazem uma caixinha para as beras e outras são open bar. Na minha é open bar e a geladeira está sempre cheia.
Tá e qual o sentido de deixar o cara beber no serviço? Deixar o cara feliz com a empresa, oras! Mão-de-obra qualificada aqui é artigo raro e todo mundo quer segurar o seu quadro de empregados. E além disso, tem um outro argumento que surgiu numa mesa de jantar com franceses e kiwis (e o brazuca aqui), todos com várias viagens pelo mundão no currículo. A conclusão foi que kiwi não bebe pra socializar, bebe pra ficar cozido. Quanto antes melhor. E eles se passam mesmo, homens e mulheres bebem até ficarem “wasted”, como eles dizem por aqui, ou “smashed”.
Pessoalmente, acho bem legal a idéia de trabalhar num ambiente assim e sou um desses funcionários felizes que não querem mudar de emprego. Por outro lado, quase nunca tomo a tal cerveja depois das 5h. Falta motivo, eu acho. Se o dia foi muito estressante, se fiquei sob pressão desde às 8h da manhã, então uma cervejinha cai bem. Se é sexta-feira e o clima na empresa está legal, desce uma pra mim também. Do contrário, não me agrada beber por beber, acho que só aumenta a preguiça de continuar no trabalho. Pra mim não, obrigado.
E aí no Brasil, na sua empresa?
O que você ia achar de abrir uma bera no finalzinho do expediente?

