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Campervan

Posted by Bruno Imbrizi . September 21st, 2008

Meu contrato termina quase no início do verão. É difícil dizer se volto ou se fico, mas uma coisa é certa: vou me dar um mês de férias e vou viajar pela New Zealand. E com essa idéia veio colada a idéia da Pri vir pra cá viajar junto comigo. (Aviso aos leitores anônimos: Pri é minha namorada e ela está no Brasil.) Quê? Como assim? O que você tá pensando? Que eu vou simplesmente pegar minhas coisas e… tá tá eu vou. YES! Ela vem!

Ok, vamos viajar pelo país, mas como? Pedindo carona? De avião? De trem? De ônibus de linha? Ônibus de excursão? Alugando um carro? Comprando um carro? Considerei todas as alternativas e fui atrás de informações. Depois de pentelhar umas tantas pessoas, ler fóruns na internet e debater as opções com a Pri pelo Skype, chegamos à conclusão que o melhor seria viajar de carro. De avião a gente perderia o caminho e as paisagens daqui são imperdíveis. Trem tem muito pouco, são só três linhas, não dá pra programar o roteiro inteiro só com trem igual se faz na Europa. Ônibus de excursão é legal, tem várias opções de roteiros e não é coisa para senhoras que querem experimentar o mundo sem perder o ar-condicionado, é busão de galera, cheio de balada e atividades radicais programadas. Foi uma opção difícil de descartar. Optamos pelo carro por causa da liberdade de roteiro e também pela grana. Entre alugar e comprar um carro, foi só fazer as contas. Para alugar os mais baratos, aqueles que ninguém quer, a diária sai por $35. Se quiser um decente, é na faixa dos $50. Viajar por 30 dias a esse preço significa torrar $1500. Por esse preço dá pra comprar um ótimo usado e revender depois da viagem, recuperando boa parte da grana.

O mercado de usados aqui é sensacional. Talvez não tenha algo assim em nenhum outro lugar do mundo. Uma busca por carros até $2000 no TradeMe mostra 860 resultados só em Auckland! E não é só chepa não, tá cheio de carro interessante ali. Quando que você acha um usado legal no Brasil por esse preço? Acredito que os principais motivos aqui são o fluxo de gente entrando e saíndo da NZ o tempo todo e a facilidade em trazer usado do Japão pra cá (é perto, barato e eles também dirigem com o volante na direita). É uma pena que eu não tenha guardado uma foto dos tempos de albergue, sempre tem um painel com anúncio de carro usado. Quando começa a chegar perto a data do cara ir embora, ele risca o preço e anota um mais baixo, depois risca de novo e abaixa mais um pouco, nessa hora saem umas pechinchas de dar dó.

E foi justamente no albergue que eu descobri a tal da campervan. Trata-se de uma van que teve os bancos traseiros retirados e substituídos por uma cama. É muito bicho-grilo, não é não? Pois então, foi bem uma dessas que eu comprei! Sou agora orgulhoso proprietário de uma Toyota Townace 1991 - campervan de lençol azul!

 

 

Foi o anúncio que mais me interessou no TradeMe e quanto eu vi os dados de contato do vendedor, dizia Rafael ou William. Pô, só podem ser brasileiros! Acabei comprando das mãos do William, brasileiro gente fina que está aqui já há dois anos e está se preparando para virar instrutor de paraquedismo. Não foi uma pechincha de dar dó, mas também não estava nem um pouco caro. Nas duas últimas semanas eu tive o prazer de ir quatro vezes até a auto-elétrica para consertar o sistema de trava que estava capenga e nesta semana eu iniciei a operação cortinas novas. Hoje passei a tarde entre arames e ganchinhos tentando bolar um esquema à prova de curioso. Vai ficar bacana.

Continuo indo a pé pro trabalho e pra academia. A van é só pro final do ano. Comprei no inverno porque o mercado é sazonal e os preços sobem no verão. Confesso que a vontade de dirigir começou a juntar com a preguiça de andar e eu estou usando a van pra ir ao mercado, mas não passa muito disso. Nos últimos finais de semana, o Thomas (meu flatmate) me intimou para viajar um pouco com a van e nós fomos primeiro até Long Bay e depois até Omaha, duas praias lindas. Na volta de Omaha escolhemos o caminho que passa por Helensville, mais pro interior. A paisagem dessa estradinha é algo de cair o queixo. Esta semana o Thomas ficou com inveja e comprou uma van pra ele também (a minha é mais legal), então acho que nossas viagens de domingo acabaram.

Não vejo a hora da Pri chegar e sair viajando pelo mundão levando a casa nas costas!

Links
Passagens aéreas - Air New Zealand [ www.airnewzealand.co.nz ]
Passagens de trem - Tranz Scenic [ www.tranzscenic.co.nz ]
Ônibus de excursão - Kiwi Experience [ www.kiwiexperience.com ]
Aluguel de carro - Apex Car Rentals [ www.nzrentalcar.co.nz ]
Carros usados - TradeMe [ www.trademe.co.nz/Trade-me-motors ]

Trânsito

Posted by Bruno Imbrizi . September 15th, 2008

Aqui todo mundo tem carro. As duas frases mais repetidas são “Em Auckland sem carro você não faz nada” e “O transporte público é uma porcaria”. Exagero, mas tem fundamento.

Auckland tem uma população de 1.417.000 (estim. Jun 2008) espalhada por uma área de 1.086 km². Para comparar, Curitiba tem 1.797.408 (IBGE 2007) vivendo em uma área de 430.9 km² (sem a Região Metropolitana). Ou seja, Auckland tem uma área enorme e sem carro fica difícil de cobrir essa distância toda. Sem contar que dirigindo um pouco mais pra cima ou um pouco mais pros lados pode-se encontrar paisagens incríveis e uma porrada de praias. Os números acima também mostram que a densidade populacional aqui é mais baixa e, mesmo que todo mundo tenha carro, os congestionamentos são raros. O que eles chamam de congestionamento aqui é de dar risada. Quem já se estressou na Treze de Maio aí ia agradecer aos céus pelos congestionamentos daqui. Imagine o pessoal de São Paulo…

Sobre o transporte público, não tenho muito o que falar porque eu não uso. Trem eu só usei uma vez, acho que é uma boa opção para ir para as áreas mais afastadas, mas eu não tenho muito o que fazer por lá. Ônibus também só usei uma vez e o preço foi um absurdo. Parece que o preço muda dependendo da linha ou de onde você pega o ônibus. A principal companhia de ônibus tem um site onde você pode colocar os endereços de partida e de chegada e ele te retorna os possíveis itinerários de transporte público. Até agora para os lugares onde eu precisava ir, compensava mais ir a pé, porque não tinha uma linha que fizesse o meu trajeto em menos tempo. Vai ver é por isso que o pessoal reclama, sei lá.

Sobre ir a pé eu sei bastante! Já andei por tudo quanto é lado aqui. Tem muitos parques bonitos espalhados pela cidade e é sempre legal chegar perto do mar. Carrego na minha mochila um óculos de sol, um guarda-chuva e um cachecol. Nunca sei qual vou precisar. Geralmente preciso dos três em momentos alternados e não raro preciso dos três juntos. A combinação óculos de sol e guarda-chuva não faz sentido pra você? Vem caminhar em Auckland, então!

O ser pedestre aqui funciona um pouco diferente do Brasil. Também tem aquela história de “você pisa na faixa e os carros param” que já virou sinônimo de civilização. Só que aqui as faixas ficam longe dos sinaleiros, sempre com uma placa laranja de cada lado. A idéia é que o motorista preste atenção e veja se tem algum pedestre querendo passar por ali, se não tiver ninguém ele pode tocar o barco. Nos sinaleiros o esquema é diferente, não tem faixa listrada, são só duas linhas contínuas e sempre tem um baita botão pra você apertar e ficar esperando. O comportamento da galera nesses sinais varia muito. Tem gente (a maioria) que espera mesmo que não tenha nenhum carro vindo, tem gente nem aperta o botão e já vai atravessando e tem gente que atravessa fora da faixa no meio da rua mesmo. Uma vez eu atravessei fora da faixa com um colega de trabalho e levamos um pito de um caminhoneiro. Um pito muito bem educado por sinal: “Hey gentlemen, you know that there is a crosswalk down the road!” Abaixamos a cabeça e seguimos, né, fazer o quê? De maneira geral a coisa é bem organizada, mas tem um quê de bagunça também (não consigo evitar de comparar com a Alemanha, em matéria de organização é covardia).

 

 

Tá, mas o que eu queria contar mesmo com este post é que eu comprei uma van! Agora, posso colocar no meu currículo que tenho experiência como pedestre e motorista! Aqui funciona como na Inglaterra, o volante é do lado errado e todo mundo dirige na contra-mão. Somado a isso, ainda tem o fato da minha van ser um trem grande e de eu não ter muita experiência com câmbio automático (tá, é ridículo de fácil, mas nos primeiros 10 minutos dá uma confundida, vai). Todas essas diferenças juntas me deixaram um pouco nervoso nas primeiras voltas que eu dei, me senti de novo na auto-escola, mas agora, olhando em retrospectiva, até que a curva de aprendizado foi rápida.

Se algum leitor deste blog estiver pensando em vir para a Nova Zelândia, pode trazer a carteira de motorista na bagagem, vale por 1 ano aqui e não precisa de habilitação especial para dirigir vans. E pra pegar a manha é dois palito, mano!

Fica prometido aqui um post no futuro contando mais sobre a minha nova van, pra onde eu já fui com ela e pra onde pretendo ir, combinado? Até lá.