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Preguiça de escrever sozinho

Posted by Bruno Imbrizi . January 31st, 2009

Outro dia conversando com o Walker, ele falou algo que me botou pra pensar:

- Cara, você vai estranhar um pouco o Brasil quando chegar lá…

A minha vida agora é aqui, estou acostumado com a Nova Zelândia, é provável que eu ainda olhe o país de fora mesmo estando dentro por uns dias. Mas o que eu sei sobre isso? Não sei nada. Por isso convidei três amigos que moram fora do Brasil para escrever sobre esse tema. O resultado ficou excelente. Os três me lisonjearam com ótimos textos que eu publico aqui neste post que vale mais que um blog.

Com vocês: Igor, Tici e Daniduc.




IGOR - EUA, Itália e UK
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Bom, o Bruno me pediu pra escrever um “testículo” a respeito de quais foram as minhas impressões a respeito do Brasil, quando voltei do exterior.

Ele comentou que ia pedir o mesmo de outros 2 amigos dele que estão/estavam fora tambem. Não sei quanto tempo eles ficaram por lá, mas não acredito que tenha sido tanto tempo quanto eu fiquei. Deixei o Brasil no dia 19 de Dezembro de 2003, e retornei no dia 21 de Setembro de 2008. Foram quase 5 anos morando fora, sendo 4 anos e 4 meses nos EUA e quase 5 meses na Itália.

Pra falar da volta, você tem que tambem falar um pouco de como foram as coisas por lá. Particularmente a minha chegada aqui foi muito legal. Afinal de contas fazia muito tempo que eu não via a familia e nem os amigos e isso faz muita falta. Aliás, isso é o que MAIS faz falta. Por mais que você conheca pessoas novas e faça novas amizades, nunca vai ser a mesma coisa. A maioria de nós cresce num certo bairro ou cidade e está condicionado e acostumado a conviver com pessoas que têm hábitos e estilo de vida, similares ao nosso. Quando eu cheguei nos EUA, eu conheci e tive que conviver com pessoas extremamente diferentes daqui. Fossem elas Americanas (o que era normal, afinal de contas eles estao no paás deles) ou gente de outros paises (Colombia, Bolivia, Mexico, Zimbabwe, Serra Leoa, Uganda, Camboja, Russia - só pra citar alguns loucos que conheci) ou os Brazucas - gente da Bahia, do interior de MG, do Espirito Santo, de Rondônia,…. Isso é muito legal, sem sombra de duvidas, mas as vezes você esta meio “down”, precisando de um colo e nessas horas, a sensação de não ter um ombro amigo conhecido ou de não ter uma pessoa em que você possa confiar 100%, é ruim. Mas na verdade, eu diria que esse é um dos únicos pontos ruins de morar no exterior. O resto é quase tudo excelente e você se habitua e apega muito a certas coisas. No meu caso eu citaria: educação, respeito ao próximo, eficiência das coisas, e poder de compra.

Na minha volta pra cá, ainda lá no aeroporto de Milao, fiquei na fila da TAM por cerca de 2 horas, obviamente com 99% de brasileiros nela e eu ja comecei a estranhar e não gostar de certas coisas. Primeiro, a falta de educação das pessoas; gente furando fila, fingindo não perceber que está fazendo algo errado. Segundo, gente falando merda a menos de 1 metro de você. A pobreza dos assuntos discutidos em voz alta, era tao grande que era até envergonhante. E o estranho é que essas pessoas estavam muito bem vestidas, pareciam ser gente com uma certa grana, mas ao mesmo tempo, era aquele tipo de gente que acha que tem o peido mais cheiroso porque pode ir passear no exterior. Eu sei que não sou nenhum doutor, mas acho que tem hora e lugar pra falar merda e por mais rico ou humilde que você seja, é uma questao de bom senso prestar atenção no que está fazendo e falando quando se está em publico. Dizia minha sábia maezinha, “O seu direito termina onde começa o do próximo”.

Chegando em SP a historia não foi diferente. Na hora de pegar as malas tinha nego pulando na minha frente, me empurrando, pisando no meu pé e sem nem pedir licenca. Gente vestida de terno e gravata e que se achava no direito de fazer o que estava fazendo porque se achava mais importante que você (os do peido cheiroso). Típica mentalidade brasileira. Até mesmo um outro rapaz, que por sinal estava bem vestido tambem, falou bem alto “Mas não tem como confundir mesmo né! ESTOU NO BRASIL!”. Eu e minha mulher olhamos pra ele e fizemos aquele sinal com a cabeça como se estivéssemos dizendo “We hear you buddy!”.

Com relação as outras coisas aqui, como por exemplo a cidade, achei Curitiba muito bonita, moderna e bem cuidada. Nesse aspecto acho que realmente as coisas aqui deram uma melhorada. Ou talvez seja porque eu achei que estivesse pior. Não sei. Outra coisa que notei é que quase não ha carros velhos nas ruas. Me parece que finalmente as coisas estao comecando a mudar de figura. O carro esta passando de Projeto de Vida, para utilitario essencial, como é nos paises de primeiro mundo. Mas infelizmente só vai melhorar mesmo quando o governo acabar com os impostos ridiculos que impõe aos produtos em geral. Algumas curiosidades, o Vectra GT daqui do Brasil, que deve custar uns 50mil, é o Corsa na Italia, e custa em torno de 10mil euros, Zero km! Uma caixinha de leite longa vida, custa 35 centavos na Italia. Um plano de celular de 900 minutos, pra ligar pra QUALQUER telefone do pais inteiro, custa 90 dolares/mes. Minha internet de 20Mb, ilimitada, custava em torno de 60 dolares/mes.

Enfim, há muitas e muitas coisas que AINDA me fazem gostar mais do exterior do que daqui. Acho que dá pra “sobreviver” muito bem morando fora e vindo passear de vez em quando, pra matar a saudade da familia e amigos. Pra mim foram muito difícil os últimos anos lá fora, pois eu não tinha Green Card e não podia voltar cá, mas pra quem pode deixar o país em que está morando e depois voltar, ficar um ano fora não é ruim, pois você vem pra cá, mata saudades do povo, curte férias e tudo o mais. Aproveita o lado bom do Brasil e volta pro exterior.

Pra ser bem sincero, não sei se quero morar no Brasil definitivamente de novo. Quem sabe quando e se eu tiver oportunidade de ganhar muita grana por aqui, mas no momento de jeito algum. E mesmo assim a minha vontade de viajar e conhecer lugares novos é muito grande e o mundo é tambem muito grande (duh!). Ter a oportunidade de conhecer o mundo, lugares novos, pessoas novas, culturas diferentes e não aproveitar, não minha crua opiniao, é burrice. Dessa vida não se leva nada. Não se leva carros, apartamentos, e nada material. Você pode perder tudo isso quando ficar velho, mas o que você viveu, viu e conhecou, isso ninguem tira de você. Obviamente esta é a minha opiniao e cada um tem direito a uma.

Resumindo Bruno, estranhar a volta é comum, mas a intensidade desse “estranhamento” varia de acordo com o tempo que você fica fora. Se você ficou 6 meses-1 ano, pode ser que não seja tanto, mas pra quem ficou anos e anos fora, é muito dificil de se acostumar. Por isso, Inglaterra, ae vou eu!
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TICI - Canadá
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Quando voltei pela primeira vez pro Brasil depois de ter passado 1 ano e 2 meses nas terras gélidas do Canadá, pensei comigo: “ai, será que depois não vou querer voltar?”. Mas queria muito rever minha familia e os amigos.

Mas o melhor de tudo é que o Canadá tem uma espécie de parceria com o Brasil a qual permite você de levar 2 malas de 32kg e mais 2 bagagens de mão pesando até 10kg. Quer dizer, levei muita muamba e coisas daqui, presente pra todo mundo sem nenhum problema.

Aqui começam as impressões, eletrônicos no Canadá é muito barato, tudo mundo tem acesso. Mesmo um vendedor de loja ou um faxineiro pode ter um celular de última geração. Já estando no Brasil dificilmente iria conseguir comprar um iMac por 1500.00 ou um iPhone por apenas 200.00 e poder manter uma conta com acesso a internet. Isso é reflexo de uma economia estável e igualitária, na qual o salário mínino é de quase $9 / hora, o que proporciona uma qualidade de vida superior à do Brasil.

Agora o mais extranho é chegar no Brasil e descobrir que tudo continua o mesmo, o governo é o mesmo, a economia continua capengando, os politicos naum mudaram, também foi só um ano… Por outro lado, continua lindo, com belas e lindas praias, com um povo bonito e caloroso.

Depois que você passa um tempo fora, começa a dar valor a pequenas coisas do seu país como a cultura (ai o samba, confesso que detestava antes), a comida (nunca pensei que ia voltar morrendo de vontade de ir numa churrascaria ou num buffet por kilo pra poder comer a vontade) e os hábitos.

Falando em hábitos, uma coisa que realmente me faz falta do Brasil é aquela ida semanal ao salão de beleza. Esse tipo de serviço no Brasil é muito barato, você faz as unhas por apenas 15.00 reais, sendo que aqui, esse serviço é oferecido em SPAs ou grandes centros de beleza e custam em média $30.00 a manicure e $60.00 pedicure… Claro que tive que aprender a fazer por conta própria. Cabelereiro é a mesma coisa, um corte sem lavar custa $35.00 a $40.00. Depois de rever a familia claro, a primeira coisa que fiz foi marcar um dia no salão, com direito a tudo!

Outra impressão que tive, quando começei a reencontrar os amigos, foi que tudo parecia igual à quando deixei o Brasil, como se nada tivesse mudado. Alguns casaram, outros se separarm, outros estão namorando, outro mudaram de cidade mas a maioria continua na mesma, mesmo emprego ou com muita dificuldade de achar um que pague bem e valorize o empregado.

Acho que viver fora pro um tempo te faz em um curto periodo de tempo experimentar milhões de coisas novas, uma cultura diferente, hábitos novos, uma outra lingua que você tem que dominar pra se fazer entender. Tua vida toda muda de uma forma tão drástica, você tem experiências novas a cada dia, que parece que você, por ter ficado fora, evoluiu muito mais do que os outros, pode ser que sim, pode ser que não. Mas sua bagagem cultural com certeza está bem maior.

Depois que passa aquela euforia da novidade, das primeiras experiências, dos primeiros meses, primeiro inverno, primeiro verão, tudo cai na rotina.

Uma coisa que me impressionou bastante foi sair na balada em Curitba. Fiquei impressionada como as pessoas ostentam um status social bem marcado pela aparencia física, pelo que você veste, pelo que se mostra ter. Aqui eles não se preocupam muito com isso, tanto que você até se admira às vezes de ver como as pessoas são desleixadas com a aparência e até mesmo com a higiêne pessoal. Isso vem um pouco da cultura francesa de não tomar muito banho e de lavar mal as roupas. Mesmo no escritório de manhã, as pessoas chegam e vem falar com você e estão com aquele cheiro…

Ah, uma experiência interessante foi que, como de habito, escovo meus dentes todos os dias depois do almoço. Um dia no banheiro do prédio escovando meus dentes, sozinha no banheiro (claro pois sou a única com esse hábito), uma mulher entra e me pergunta se tenho alguma doença porque ela me via todos os dias escovando os dentes na mesma hora. Doença, eu?!!?!?!!??! Claro que não. Respondi que era imigrante e que do país de onde venho isso é normal, são nossos hábitos de higiêne. Isso explica porque a maioria dos nascidos aqui tem os dentes meio extragados, questão de hábito…

Estranhei o Canadá quando voltei. Também! Não tem corpo que aguente suportar uma diferença de 60º C. Saí de Curitiba com uma temperatura de 30ºC e cheguei aqui debaixo de uma tempestade de neve e um frio polar de -30ºC. Você tem noção do que é isso??? Eu não tinha ainda! Uma vez eu entrei numa camera fria dessas de açougue, sem comparação… lá dá pra se aquecer. Pelo menos todos os lugares são bem aquecidos, mesmo metro e ônibus… Não temos que trabalhar com luvas e botas ou ficar com preguiça de tomar banho por causa do frio!! hehe
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DANIDUC - Holanda
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Opa. Primeiro, me apresentar, que é educado. Sou o Daniduc, brazuca expatriado em Amsterdam na Holanda. O Bruno me pediu um texto sobre as impressões que tive do Brasil quando voltei pra lá após morar fora um tempo. Eu me mudei pra Holanda em abril do ano passado, e voltei pro Brasil em outubro, pela primeira vez como visitante aonde costumava ser minha casa.

A volta pro Brasil já começou no avião, ainda em solo holandês, com os passageiros embarcando. A língua é, afinal de contas, também a nossa pátria, e após seis meses praticamente só ouvindo pessoas estranhas falarem qualquer coisa menos português, estávamos de novo entendendo a briga do casal na poltrona na frente, a conversa besta sobre o namorado da amiga para a outra, os planos do que iremos fazer ao fim da viagem no corredor ao lado. Apesar das choramingadas do Bruno de ele não ser um native speaker, ele fala efetivamente a língua da Nova Zelândia, sorte que não temos com o holandês – ainda :). De repente saímos de um mar de sons desconexos, onde apenas algumas palavras e expressões saltam como ilhas de compreensão, para um mundo do qual fazíamos parte. Entendíamos e poderíamos ser entendidos por desconhecidos.

Aqui cabe um parêntesis: erro mais comum de turista/imigrante é falar a sua língua no país estranho achando que está falando um dialeto nepalês extinto, e ninguém entenderá uma única palavra. E daí sai falando putaria, ou mal dos outros na cara deles, crente que ninguém está entendo picas. Claro, apenas pra descobrir do pior jeito que o Mané de narigão, você viu que ridículo, calha de ser um dos milhões de falantes do tal, cof, dialeto nepalês. Oh, as coisas que as pessoas falam quando acham que não estão sendo entendidas. Dica: quando falar em público, só diga coisas que você não se importa que o público saiba, não importa se você está no Zirigundistão e jure que seja o único falante de português em milhares de quilômetros.

A volta à pátria, como eu disse, já estava se dando no avião. Holandês é assim, ele compra a poltrona 7D e ele senta na 7D. Não na 7E ou na 7C. 7D, mesmo que resmungue e reclame do azar de pegar uma poltrona tão ruim, e longe dos amigos. Mas os brazucas não se conformam assim tão fácil. Logo que entramos já tinha um grupo na nossa frente… como é a gíria?… “causando”, pra arrumarem-se nos lugares de preferência, diferentes dos adquiridos. Era uma verdadeira operação de guerra, uns 15 brasileiros trocando de lugar, um queria ir na janela, outro no corredor, outro ao lado da mulher e outro ainda longe da mulher, será que não tenho folga nem no avião?

Observávamos, fascinados, a ginga, o ziriguindum e o balacobaco verdeamareloazulanil em ação, quando passa pelo corredor um guri de uns 4 anos de idade, correndo e gritando agitando os bracinhos pra cima, UAAAAAHHHHHHH, e logo atrás dele a mamãe também corria, aos gritos, com pronunciado sotaque regional, de “Ô MULÉÉÉÉQUIIII, volte aqui MULÉQUIIIIIIIIII!”. Eu e Carla caímos na gargalhada e imediatamente começamos a cantar… “Moro… num país tropical… abençoado por Deus…”, enquanto tocávamos pandeiros imaginários. A pátria, amigos, não é somente território.

Ao chegar no Brasil mesmo, o que me chamou a atenção foi o cheiro da cidade. São Paulo é uma cidade grande, e tive bastante tempo pra me adaptar ao novo cheiro nas quatrocentas horas em que passei preso dentro de um carro indo do aeroporto pra casa. Havia me esquecido como é grande e como é difícil se locomover em Sampa. Tudo é longe. A Holanda é minúscula e é muito fácil se locomover por ela. A minha mobilidade é incrível aqui, mesmo não podendo, por motivos de saúde, dirigir. Ao voltar pro Brasil ela foi imediatamente reduzida, o que causa uma certa angústia à quem se acostumou a se mexer com eficiência. E isso é agravado em São Paulo.

O tamanho absurdo da cidade com mais habitantes do que a Holanda toda é algo impossível de ignorar. Ela é tão grande que cria um universo em si, quase como um país à parte do resto. E submergir nesse ritmo tão diferente, tão mais acelerado, depois de um bom tempo vivendo em outra batida é algo que demora um pouco pra absorver. São Paulo é como um país à parte, e a sua esfera de influência na mentalidade das pessoas é marcante, e é preciso sair dessa esfera de influência para perceber o quão forte ela é. São Paulo tem um ruído constante de fundo (não só literal, que tem, mas também figurado, algo na visão, no pensamento das pessoas), que acaba sendo incorporado ao seu subconsciente, e quando você sai, e ele pára, você percebe que há algo de diferente, mas demora pra entender o que é. E quando você volta, demora um pouco pra você se acostumar com ele de novo, e ele ser incorporado ao subconsciente, e você entrar naquela batida – e em Sampa ou você entra na batida ou é atropelado por ela.

Há as pequenas vantagens, como café decente com pão de queijo, sushi barato, médicos que falam a sua língua (a sua língua é um luxo só apreciado quando você é privado dele), e amigos, que tanta falta fazem. Certas amizades não se constroem em seis meses, ou em seis anos. Há que se ter uma história juntos, passar por certos perrengues, experiências, aventuras. E esses laços fazem uma falta tremenda. Certas coisas é preciso compartilhar, e por mais compreensiva que a Carla (minha esposa) seja, não é a mesma coisa falar de qual das amigas dela é mais gostos… hã… de física quântica com ela do que com o Érre ou o Fred, amigos de uma vida. Entende?

Pequenos hábitos demoram a voltar. Não jogar o papel na privada, mas no cesto. Não abrir a torneira e beber água limpa, de qualidade, geladinha. Andar olhando por trás do ombro o tempo todo. Não dizer “sorry” quando esbarra em alguém. Eles demoram um tico, mas voltam, e como todo hábito, quando voltam é como se nunca houvessem partido. Voltar para o seu pai, é como voltar para a casa dos seus pais, depois de viver anos fora (casado ou não). Tudo é estranhamente familiar, familiarmente estranho, mas depois de uns dias, você está ajustado, pois foi ali e assim que você foi criado, e queira ou não isso é parte de quem você é. Você pode correr o mundo, mas sempre haverá um canto dessa casa pra você e ela sempre terá um canto dentro de você também, mesmo que você tenha crescido. E, acreditem em mim, ao morar fora, você irá crescer – mesmo que aquele garoto de dez anos que você foi ainda no fundo seja você, você nunca mais será ele. Seu mundo ficou maior, a experiência te modificou irremediavelmente, e as marcas serão suas pra sempre. E se isso não é motivo suficiente pra dizer, “valeu a pena”, eu realmente não sei o que é.

Sorte, Brunão, na nova etapa que vai vir. Lembre-se que você irá morar não mais em Curitiba, mas em Curitiba, Brazil. E isso, cara, é uma grande diferença.
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Muito obrigado.