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Public Const NOISE

Posted by Bruno Imbrizi . September 14th, 2009

Nos meus dois primeiros meses morando em São Paulo nada me chamou mais a atenção que o barulho. Na minha rotina não existe silêncio.

De todos os barulhos, o mais irritante é o que me acorda todas as manhãs. Ele ataca numa hora em que não é uma questão de paciência, de respirar fundo ou de plugar um mp3 na orelha. Às 6:15 da manhã você só quer que o barulho suma. Mas ele não some, ele é alto e constante e só me resta ficar variando entre pagar uma grana preta por uma janela anti-ruído ou fabricar bombas caseiras.

E qual seria o alvo? Meu vizinho. Moro ao lado de uma lanchonete, ou para ser mais preciso, atrás de uma lanchonete. Nos fundos, esse estabelecimento tem uma indústria disfarçada de exaustor, que assopra, apita, trepida e lateja. Começa seis e pouco da manhã e fica o dia todo, todos os dias, inclusive sábados e domingos.

Por que não me mudo? Já corri bastante atrás e ainda não descartei totalmente essa possibilidade. Só não encontrei ainda um lugar que valesse a pena, seja pelo preço, pela localização ou pela estrutura. Por que não vou falar com o dono da lanchonete? Já fui e ele já mexeu no equipamento. Já foi bem pior, tenho que admitir, embora esse argumento não me mantenha dormindo, uma vez que ele só deve ter jogado uma graxa na turbina em vez de trocá-la por um sistema mais moderno e silencioso (e muito mais caro).

A melhor solução que encontrei até agora foi uma maravilha da engenharia comercializada pela 3M que atende pelo nome de protetor auditivo. Uma mísera espuminha ao preço de R$ 1,00 o par tem me feito dormir um pouco melhor. Não é o ideal, incomoda um pouco, mas é um detalhe que faz toda a diferença.

Uma vez em acordado, caminho pela Av. Paulista até o trabalho em meio a buzinas, sirenes e britadeiras. Sentado em frente ao computador o fone ajuda a disfarçar o também onipresente exaustor do vizinho, um luxuoso café, cuja saída do ar-condicionado fica na altura da nossa janela. À noite, chegando em casa e recorrendo a outra maravilha da ciência que atende pelo nome de Aspirina, é hora de ouvir a TV da sala que parece estranhamente ficar mais alta no final do corredor do que para quem está sentado na frente dela.

Viva a espuminha laranja.