Baladas
Posted by Bruno Imbrizi . June 1st, 2008Este é o meu terceiro fim de semana em Auckland. O primeiro foi de jet-lag e eu caía de sono depois das 8 da noite. Nos outros dois eu saí pra dar uma volta. Ainda é cedo para analisar a balada aqui, mas já deu pra perceber algumas coisas.
Aqui a coisa acontece muito mais na rua, tem muita gente a pé e provavelmente as pessoas ficam mudando de bar ou club ao longo da noite. A maioria dos lugares não paga pra entrar.
Todos os seguranças são Maoris. Eles são enormes por natureza. Os seguranças de porta julgam pela cara do cidadão se ele está bêbado ou não. Se ele achar que sim, te deixa esperando do lado de fora um tempo antes de deixar você entrar. Os seguranças dentro da casa podem te tirar se acharem que você já passou do ponto. Eu vi um cara inventando uns passos de dança em que ele se agachava e colocava a mão no chão, depois caía pro lado e se apoiava de novo (deu pra imaginar mais ou menos?) Pro segurança foi o suficiente pra tirar o cara. Eu acho que ele não estava bêbado, mas ele foi mesmo assim, sem ficar chiando ou dando desculpa. Uns 5 minutos depois ele estava de volta. É complicado opinar sobre isso. Se o segurança não for com a sua cara você vai pra fora. Por outro lado, você não vê ninguém naquele estado lamentável na balada. Exagerou? Vai tomar um ar lá fora!
É proibído beber na rua. Ninguém para em volta do carro com latinhas de cerveja e aqui não se vende álcool em posto de gasolina. Se quiser beber tem que entrar em algum lugar.
As meninas se vestem muito diferente. A grande maioria sai de vestido, algumas de short curtinho e bem alto e umas poucas de calça. À noite aqui faz frio, mas elas andam pela rua só de vestido numa boa.
A dinâmica da paquera é uma incógnita pra mim. Aqui parece que os caras são menos afobados, não ficam puxando pelo braço, nem gritando qualquer pedreirice quando passa uma menina de vestido, nem baixando no maior número de gurías possível na pista de dança. Talvez por isso mesmo, as mulheres têm mais espaço e elas usam pra provocar. Elas dançam de um jeito mais abusado, se enroscam umas nas outras pra provocar os caras, ou se enroscam nos caras. Não todas é claro, mas muitas. No Brasil já ia sair um “aquela ali tá cozida” ou “essa tá fácil” ou coisa pior. Aqui parece normal. Elas fazem isso porque têm a segurança de que não vão ser importunadas. Se ela dançar 20 segundos com um cara, ela não é obrigada a dançar os próximos 20 segundos com ele de novo, não é obrigada a dar papo pra ele, muito menos ficar com o cara. E como os caras não ficam pressionando elas ficam nessa a noite inteira.
Se for reparar bem, os fatores que eu observei acima se encaixam.
Poucos bêbados = menos pedreiros
Menos pedreiros = mulheres mais à vontade
Mulheres mais à vontade = mais interação (sem compromisso) na balada
Não consigo entender os sinais. Já me custou muita dúvida na adolescência pra aprender os sinais da balada brasileira. Hehehe… Aqui mudou tudo. O que será que alguém daqui pensaria da balada no Brasil? Alguém aí conhece algum blog que conte a experiência de um kiwi no nosso país?

