Eructação
Posted by Bruno Imbrizi . February 10th, 2009
Neo-zelandês arrota.
“Ah é? Vai dizer que eles também têm dois olhos e só uma boca?”
Sim, eu sei que todo mundo faz isso, é natural. A diferença está na discrição do ato.
Há algum tempo eu vinha pensando se devia postar sobre isso no blog, já que o assunto pode soar meio nojento, mas o nojo é cultural e o Viagem no Tempo também é cultura! (Que desculpa esfarrapada pra tratar de um assunto tosco… Ok, bola pra frente).
De acordo com o Wikipedia, arroto é o nome vulgar de um fenômeno fisiológico chamado eructação, que ocorre quando o estômago ou o esôfago precisam expelir um excesso de ar e outros gases. É tão natural quanto o espirro ou a tosse, mas os dois últimos não são reprimidos em público, mesmo quando emitidos em alto e bom som. Pelo contrário, ao abafar um espirro pode-se até levar um puxão de orelha de alguém: “Menino, não faz isso! Segurar espirro faz mal pra saúde!”. Já o arroto quando não é discreto causa reações que variam entre um olho torto e alguém berrando qualquer sinônimo de suíno.
Pois aqui na Nova Zelândia, o burp é livre. Da primeira vez que vi, eu pensei “ah, esse cara deve ser meio esquisito, ou estava distraído e esqueceu que tinha gente em volta”. Depois eu vi outra pessoa fazer igual. E mais outra e mais outra… Pô, é claro que num churrasco com os amigos sempre aparece um ogro pra achar bonito arrotar na frente de todo mundo, mas duvido que ele faça igual almoçando com os colegas no trabalho, principalmente se tiver mulher na mesa. Aqui não tem preconceito, não. Homem, mulher, chefe, reunião da empresa, o burp nunca é tímido e se apresenta na frente de quem for.
O sentimento de falta de educação deriva de quanto os outros reprovam seus atos. Por aqu não vejo muita reação negativa ao burp alheio. Alguns tentam remendar engatando um sorry no final, talvez tratando o arroto como tão inevitável e explosivo quanto o espirro que, uma vez impossível de abafar, só resta pedir desculpas. Fora isso, ninguém reage. É normal, deixa fluir.
Não adianta, não consigo me acostumar com esses hábitos de Primeiro Mundo. O jeito é voltar pra casa pra poder conversar com os macacos, sambar com as mulatas e me refrescar no Rio Amazonas.

