Banheiro, Sala e Cozinha
Posted by Bruno Imbrizi . May 3rd, 2009
Moro com minha namorada em um flat. Nele há duas portas: a de entrada e a do banheiro, o resto é tudo uma peça só. Não é possível dar mais que dez passos atravessando a cozinhasalaquarto. A vantagem é que já veio mobilhado. Mas é pequeno para duas pessoas e nós começamos a pesquisar outros apartamentos.
Para quem acabou de chegar de Auckland, procurar lugar para morar em Curitiba é uma tristeza. De saída demos de cara com os sites labirínticos das imobiliárias – meu ex-professor de Design da Informação poderia usá-los de exemplo de como não fazer um site. Depois de driblar os obstáculos e chegar finalmente à página do imóvel, descobrimos que minha ex-professora de Português também tem um case nas mãos. Vamos a um exemplo:
Precisava ser tão confuso? Eu fico imaginando: o sujeito é corretor de imóveis, trabalha com isso, vive disso, custa ele perder dois minutos organizando as informações na hora de anunciar o imóvel? “Piso TACOS, Farmácia, Aquecimento Elétrico…” como assim? “Calçada, Supermercado, Interfone…” hã? E qual é a da caixa-alta nesses anúncios? E desde quando acento é facultativo? Alguém me explica por favor o que é “P.Social Bom” e “T. Construção Alvenaria”?
Passada a fase de interpretação, vem o prêmio: as fotos do imóvel. Isso, claro, quando o anúncio tem foto, afinal por que você iria querer ver imagens do imóvel que está pesquisando, não é mesmo?
- Opa, este aqui tem três fotos, vamos lá. Uma da fachada. Outra da fachada. Mais uma da fachada.
- Próximo.
- Este aqui tem mais. Pulando as quatro primeiras da fachada, ah, agora sim! Mas espera aí, isso aqui é a parede ou é um armário? Será que tem pia na cozinha? Não, sério, para que que serve esta foto do chão? Que a parede é branca eu já sei e isso ali no canto é uma janela? Ha! E não tem nenhuma da cozinha!
- Próximo.
Filtrados os imóveis pela internet, chegou a hora de ir na imobiliária e pedir a chave de alguns apartamentos para visitar. Um deles nos pareceu bem interessante, não era muito grande, mas estava bem cuidado e tinha grande potencial. O valor do aluguel era o mesmo do nosso flat, só que teríamos que providenciar toda a mobilha. Então, hora de pesquisar móveis e eletromésticos. Não é uma tarefa assim tão chata. Foi divertido passear pelas lojas de móveis usados. Descobrimos como pode ser abissal a diferença entre um sofá de uma loja popular e de uma loja que se pretende chique. No final das contas, comprar os ítens necessários para poder morar no novo apê sem dormir no azulejo ou almoçar sentado que nem índio, gastaríamos em torno de 5 mil reais. Não, não estávamos comprando uma geladeira da GE nem uma TV de 50 polegadas, era só o básico.
- Ei, mas o básico a gente já tem aqui no flat, uai.
- É mesmo. Vamos ficar, então?
Ficamos.
Em Auckland, a imensa maioria dos imóveis para alugar já vêm mobilhados. Não apenas cama, mesa e armários, vêm com fogão, geladeira, lavadora de roupa, secadora, TV, DVD, microondas e muitas vezes até com lavadora de louça. Entrar e sair de um imóvel é fácil e rápido. Encontrar um imóvel também é muito simples, sites como o TradeMe e T&E (que funcionam como o MercadoLivre no Brasil) têm um alto giro de anúncios de flatmates, aluguéis e vendas e são geralmente recheados de fotos e informações legíveis.
Essa é mais uma diferença cultural que eu acho que poderíamos copiar e adaptar à nossa realidade.

