Mais Bislama

Posted by Bruno Imbrizi . November 22nd, 2008

Continuando o assunto do post anterior, não consegui parar de procurar coisas sobre o Bislama. Você pode achar tudo isso aqui no Google, mesmo assim eu quis compilar algumas coisas num post.

Algumas palavras em Bislama tem origem francesa, como légume que em Inglês seria vegetable e em Bislama ficou legim. O curioso é que a grafia e o som das vogais em Bislama não parece nem com Francês nem com Inglês, mas é quase idêntico ao som das vogais em Português. Se você encontrar uma frase em Bislama basta ler em voz alta como se estivesse lendo um Inglês abrasileirado. Quem nunca brincou de escrever “Du iu uan tu rid a buc?”. É mais ou menos por aí.

Alguns exemplos:
aftenun (afternoon)
bol (ball)
baskel (bicycle)
bokis (box)
bisnis (business)
kantri (country)
fingga (finger)
faea (fire)
flaoa (flower)
haos (house)
mani (money)
mun (moon)
pepa (paper)
tebol (table)
wota (water)

Vamos lá, tente entender o que significa esta manchete de um jornal de Vanuatu:
Proses fud komsamson i kosem plande sik long pipol tede

Muito difícil? Resposta no final do post.*

O Wikipedia me ensinou que o tal long virou substituto para várias preposições em Inglês que, convenhamos, é um saco pra aprender. Você pode usar long para at, in, on, to, by, beside, etc. Espertos os caras, não? E tem o blong também, que vem de belong e engloba tudo quanto é origem, posse, característica ou intenção. Buk blong mi é The book that belongs to me ou My book.

Com todo esse conhecimento acumulado, eu diria que já podemos arriscar a frase mais importante de qualquer idioma: o livro está sobre a mesa. Seria Buk i long tebol?

Talvez seja mesmo. O artigo “Pidginise your English” sugere que você tente simplificar seu Inglês para falar com os habitantes de Vanuatu, pois nem deles se espera um Bislama correto e padronizado. O idioma está em mutação, assim como outros tantos falados em Vanuatu. Vanuatu é considerado o país com a maior densidade per capita de idiomas do mundo. Um dos artigos que li diz que são 113 línguas, isso num país com pouco mais de 200.000 habitantes. Imagino que sejam pequenas variações, mas mesmo assim, é um número absurdo.

Vendo essas coisas eu me impressiono que o Brasil inteiro de norte a sul fale a mesma língua. É claro que tem muito sotaque e regionalismo, mas não o suficiente para caracterizar um dialeto. Se você sair do Rio Grande do Sul e for passar uma semana no Piauí não vai sair totalmente perdido. No máximo vai se divertir com algumas expressões locais.

Update: Bullshit. Quem manda não saber das coisas e sair escrevendo blogs? No Brasil tem dialeto sim e de montão. Confira abaixo os comentários de quem entende do assunto.

Estou pensando em fundar meu próprio Bislama. Assim como os brasileiros que vão para a Argentina falando sorviete de moriango, vou pra Vanuatu falando o Inglês que me der na telha. Se bobear acabo criando algumas expressões que os habitantes locais passam a usar. Aí quando eu estiver aposentado e voltar para Vanuatu vou ouvir as crianças usando frações do meu Bislama.

Ok, ok, menos.

Links interessantes:
Pidginise Your English – Learn Bislama, Vanuatu’s national language
Bislama – Sounds

Ah, e sobre o hino nacional “Yumi, Yumi, Yumi”, a melodia é bem bonita! Vale a pena conferir:
Wikipedia – Yumi, Yumi, Yumi (letra e áudio instrumental)
YouTube – SPG Chanel College – Vanuatu National Anthem (coral)

* Process food consumption is causing plenty sick on people today

Yumi, Yumi, Yumi

Posted by Bruno Imbrizi . November 21st, 2008

Quem lembra do jogo FIFA 98? Eu lembro. Eu era viciado. Eu jogava tanto que conseguia ser campeão do mundo com o pior time do jogo que era a seleção de Vanuatu. Nas eliminatórias eu enfrentava em trocentos turnos jogos dificílimos contra Fiji, Papua Nova Guiné, Austrália além do clássico Vanuatu x Ilhas Salomão. Depois pegava repescagem contra um país da América do Sul, geralmente Paraguai ou Chile e só então ia pra Copa. Aí pegava toda aquela jornada de chaves, oitavas, quartas e semi pra ter um pouco de emoção lutando contra o Brasil ou a Alemanha na final. Eu tentei jogar com a segunda ou a terceira piores seleções, mas não tinha jeito, eu gostava mesmo era de jogar com Vanuatu!

Acho que eu nunca tinha ouvido falar sobre Vanuatu antes do FIFA 98, mas agora não consigo esquecer, ficou marcado, tenho uma conexão com o país. Vanuatu é formado por 82 pequenas ilhas, das quais 65 são habitadas. Não é nem a primeira nem a segunda escolha dos turistas que querem se aventurar pelas Ilhas do Pacífico. Ainda recebe ajuda financeira de outros países, principalmente da Austrália e atrai alguns investimentos estrangeiros por ser um paraíso fiscal. Ou seja, não tem muito o que fazer por lá, mesmo assim eu quero ir.

Semana passada o Neto me mandou um link explicando a origem dos nomes dos países.
Vanuatu: do idioma bislama, significando “para sempre em nossa terra”.

Fiquei intrigado com o tal idioma bislama e fui atrás de mais Wikipedia. E o que eu achei foi hilário. O tal do bislama tem 95% das suas palavras com origem em Inglês, só que a grafia e a estrutura das frases é bem mais simplória. O resultado parece diálogo de filme do Tarzan. O hino nacional de Vanuatu se chama “Yumi, Yumi, Yumi” sendo que yumi deriva do Inglês you and me, ou seja, nós. Se for pra falar de vocês, eles dizem yutufala (you two fellows), se eu estiver incluso aí já é yumitufala (you me two fellows). Cantar é singsing, falar é toktok. Hahaha. Eu achei sensacional.

Aqui vão alguns versos do hino nacional:
Yumi save plante wok i stap, (we know there is plenty of work to do)
Long ol aelan blong yumi, (on all our islands)
God i helpem yumi evriwan, (god helps everyone)
Hem i papa blong yumi, (we belong to the father / he is our father)

Plante wok? Aelan blong yumi? Evriwan? Fala sério. É muito bom.
Tem vários exemplos do idioma Bislama no Wikipedia.

Preciso começar a estudar. Tenho que treinar meu Bislama para quando eu chegar em Vanuatu e for comprar a camisa da seleção deles. Como será que fica a frase? Vou arriscar aqui, talvez seja:
Yufufela save ue mi bai soka tim iunfo? Hahaha!

Aberto para balanço

Posted by Bruno Imbrizi . November 16th, 2008

Há exatos seis meses conheci o ponto mais turístico de Auckland: o aeroporto. O dia estava bonito e a empolgação da chegada me fez vestir bermuda e havaianas. Bastou chegar o fim-de-tarde pra eu trocar por moleton e meia. Agora, apesar da data especial, não me sinto muito em clima de “fechado para balanço”. São 11 da noite, estou de bermuda e descalço. O clima é aquele comecinho de verão e não tem nem um pouco de cara de fechamento. Pelo contrário, parece que está só começando.

Nosso relacionamento, meu e da Nova Zelândia, já passou por poucas e boas. Não foi paixão à primeira vista, fui gostando dela aos poucos e quando me dei conta estava completamente envolvido. Estamos nos dando bem. Recentemente tivemos ums brigas, ela me mostrou um lado meio feio e eu pensei que não ia ter futuro, mas depois pensei melhor e vi que todos temos defeitos. Agora estamos em paz.

Tenho conhecido muita gente nova. Sempre há algo a aprender. Ontem conversei com um indiano gerente de TI que está aqui há 5 meses e já está de saída. Para ele a NZ é um healing country (um país para te curar), você vem cheio de stress e preocupação e sai tranquilo e calmo, mas não passa disso, não tem nada novo pra aprender, se bagunçou arruma, se estragou conserta, mas não se inventa muita coisa. Ele me aconselhou a parar de perder meu tempo aqui e ir logo pra Austrália. Talvez pela minha descrição pareça meio arrogante, mas o cara falou com jeito e me botou pra pensar. A conclusão que cheguei é que eu já aprendi muito aqui, pessoal e profissionalmente. Acho que ele está coberto de razão, mas estamos em momentos diferentes, ainda não é a minha hora.

A gente sabe, eu e ela, que uma hora vai acabar. Ela já cansou de terminar relacionamentos por causa da outra, a Austrália. Nem por isso temos que decidir tudo hoje, vamos com calma, mesmo que esse dia chegue temos muito o que curtir juntos até lá.

Fio-dental com ziriguidum

Posted by Bruno Imbrizi . November 9th, 2008

Made in New Zealand não tá no verso, tá na frente e bem grande. Made in Australia tem aos montes. Made in China é covardia. Made in Thailand também não é fraco.

Made in Brazil foi a primeira vez…

Hora extra

Posted by Bruno Imbrizi . November 7th, 2008

Trabalho é meu nome. Esta semana o chefe reuniu a equipe pra dizer que nunca se atrasou deadline na empresa como está acontecendo agora. Mijada geral. Solução? Ficar trabalhando depois do horário! Depois me disseram em off que a equipe toda tinha que estar reunida mas que o esporro foi só pra alguns, que eu podia ficar na boa. Mesmo assim, fiz um balde de horas extras.

Em vez de ficar observando o mundo ao meu redor e pensando em temas para novos posts, fico lá perdendo meu tempo… trabalhando, onjáseviu!?

Só pra não deixar o post totalmente sem graça, conto aqui a história do Max, um cara que eu conheci quando cheguei. O Max era programador Delphi em Taiwan. Perguntei se ele tinha namorada e ele respondeu que não dava tempo. Como assim, Max? Ele contou que começava às 8h da manhã e saia 10h ou 11h da noite. Depois só janta, TV e cama. E os finais de semana, Max? Ele tinha metas a cumprir, se não conseguisse dar conta de segunda a sexta, tinha que trabalhar sábado e domingo também. Porra, mas isso não é vida! Quanto você ganhava, Max? Ele conta nos dedos, inicia e interrompe frases com um “no” desesperado que só os asiáticos sabem falar, faz conversões de moeda e responde: 1.200 dólares por mês.

Área de TI. Mais de 60 horas por semana. Só $1.200? Já pensou…
Se o inglês dele fosse um pouco melhor, aqui tem vaga de 80K por ano pra programador Delphi, (olha só que folga) das 8h às 6h e (cúmulo da preguiça) sábado e domingo livres!

Não sei se em Taiwan é assim mesmo. Se ele falou sério, eu tô praticamente de férias…

Ah e quedelhe o Max agora? Está Tauranga trabalhando numa fábrica de flores e deve partir em breve para a South Island para colher cerejas. Aqui vai uma foto dele conquistando uma montanha em Napier. Gente fina o Max.

Eleição

Posted by Bruno Imbrizi . October 28th, 2008

Peço desculpas a todos os dois leitores do meu blog que estão ávidos por posts novos. Minha demora vem com justificativa: as últimas semanas foram de decisões muito importantes. Em rítimo de eleição, tanto no Brasil quanto nos EUA e até aqui na Nova Zelândia, tivemos, eu e a Pri, também um candidato a escolher: Curitiba ou Auckland?

Com 99.7% das urnas apuradas, digo-lhes que a campeã foi Auckland!

Quem não acompanhou a campanha pode pensar que o resultado é barbada, mas não é bem assim. A vitória foi apertadíssima. As pesquisas de opinião mostravam a constante alternância na liderança das intenções de voto. Nos últimos momentos qualquer debate novo poderia mudar tudo. No final, venceu a segurança, a honestidade e a aventura.

Já dizia o sábio Walker que é viajando e se colocando em situações novas que se conhece a si mesmo. Como saber como você vai reagir se você nunca esteve naquela situação? Não é raro você se surpreender. A Pri ainda não saiu pra viajar, mas já começou a surpreender. A decisão não era fácil. Eu diria que ainda não tinha se colocado uma decisão tão difícil. Dedico este post a ela e a sua coragem e vontade por algo mais. Uma salva de palmas para a Pri.

Aqui não está nada certo. Não está tudo preparado. Ainda tem muito que batalhar.
E é aí que a coisa começa a ficar legal :-)

É verdade que ainda falta um assunto pra resolver. Não me aguentei e botei este post no ar antes. Mas minha intuição diz que está tudo nos conformes. Ou, para usar uma expressão que não espero ouvir de novo tão cedo: tá dominado, tá tudo dominado.

Adeus, funk. Tchau, pagode. A gente se vê, igreja universal…

Back in Black

Posted by Bruno Imbrizi . October 23rd, 2008

I hit the sack…

30 dias

Posted by Bruno Imbrizi . October 22nd, 2008

Pessoalzinho aí fica falando que eu sou enrolado pra fazer as coisas. Olha, é verdade. Demoro mesmo. Levei um mês pra fazer esse Flashzinho aqui:


Guia para reconhecer brasileiro no exterior

Posted by Bruno Imbrizi . October 18th, 2008

Brasileiro é um bicho misto. Se o cara não tiver cara de gringo, já tem potencial pra ser brasileiro. Na verdade a gente é tão misto que até brasileiro com cara de gringo tem, mas aí é sacanagem. É igual brasileiro de olho puxado, aqui tem tanto asiático que passa camuflado fácil fácil. Tentar reconhecer brasileiro andando na rua virou meu esporte. E eu estou ficando craque.

Tem coisas que não dá pra descrever. Vai na base da intuição. Às vezes eu não tenho como ter certeza, fica só na desconfiança, já outras fica evidente. Hoje vi uns caras passando pensei “esses são brasileiros”. Não deu dois segundos escutei um “muito loco, véio”. Não sei explicar, eu simplesmente sabia.

Agora, tem coisas que dá pra descrever sim. É fácil. É só bater o olho. São indicadores de brasileirice. Confira abaixo no tupinicômetro:

Quicksilver & Billabong
Se o cara ou a menina estão usando uma dessas marcas, já levanto a orelha. É impressionante, brasileiro chega aqui e corre pra comprar Quicksilver ou Billabong em ponta de estoque.

Tatoo Japonesa
- Tô pensando em fazer uma tatoo.
- Ah é? E o que pensa em tatuar?
- Ah, não sei. Acho que o meu nome em japonês…
Mais brasileiro que isso só arroz com feijão.

Nike Shox
Kiwi não usa. Chinês não usa. Nem indiano, coreano, japonês, sul-africano. Sinceramente, acho que Nike Shox só fez sucesso no Brasil.

Brinco comprido
Mulher brasileira em geral é mais fácil de reconhecer que homem. Um dos fatores é o brinco comprido. As brasileiras gostam e as indianas também. Só que indiano é bicho único no mundo, é muito fácil de reconhecer. Então se a moça estiver com brinco comprido e não tiver cara de indiana, 90% de chance de ser brazuca.

Bota plataforma
Eu ponho minha mão no fogo. Se estiver usando bota com salto plataforma é brasileira. É batata. Não tem erro.

Portfolio Kiwi

Posted by Bruno Imbrizi . October 16th, 2008

Algumas pessoas me pediram para mostrar os trabalhos que eu tenho feito aqui e eu finalmente tive tempo de atualizar meu portfolio.

Aqui vai uma breve descrição dos trabalhos postados:

Vodafone Innovations
Comentei sobre este job num post em julho chamado “Uma para os coders”. Infelizmente não fui eu quem fez o 3D da introdução. Minha participação foi nas páginas internas. Foi o código (html, css e jquery) mais puro que já escrevi. O cliente está super preocupado (alguns dizem até demais) com os padrões da web. Achei um job bem interessante.

Air New Zealand – Hotseats
Este foi uma correria absurda. A parte bacana foi amarrar bem o Flash para acertar os vídeos e o som. Fiz mais duas versões: um chinês chutando a tela e as pernas de uma modelo andando na passarela, mas a do rugby foi a primeira e a mais legal.

The Warehouse – Big Red Race
Quando eu vi os layouts desse job rolando eu estava torcendo pra cair pra mim. Não via a hora de fazer um joguinho em Flash. O código ficou redondinho, deu pra usar as mesmas classes para os dois banners e mesmo com uma porrada de alterações do cliente, o resultado me agradou bastante. O banner faz parte de uma campanha onde os vencedores da tal promoção vão poder pegar o que quiserem na The Warehouse (uma espécie de Lojas Americanas) em 60 segundos e levar na faixa.

The Warehouse – Room Planner
Este no começo me assustou. Eu não sabia se eu ia dar conta e acho que eles também não sabiam. Foi meu primeiro job com Flash na agência e eu precisava me integrar com os EventCenters, Delegates, XMLParsers e outras tantas custom classes que o pessoal já usava por aqui. Foi tranquilo e o resultado agradou todo mundo.

Yellow Treehouse
Meu chefe prometeu: o próximo projeto inteiro em Flash vai ser teu. E foi. Este site aparentemente simples é um container de funcionalidades que eu tive duas semanas para desenvolver no Flash. Reparem que o site se ajusta a qualquer tamanho de tela e que você pode usar os botões de Próximo e Anterior do navegador para andar pelo site (isso se chama deep linking). Além disso, temos conteúdo dinâmico sendo alimentado por webservices, galeria de fotos e vídeos e um efeito de texto que eu duvido que vocês tenham visto em outro lugar porque fui eu que criei do zero. Foi duro, trabalhei que nem um cavalo, mas tá aí. O site está no ar e a campanha só está começando. Espero que seja um sucesso.

É claro que eu trabalhei em vários outros jobs que não estão aqui porque não vale a pena mostrar. Só está faltando na lista um que é enorme. Estamos fazendo há meses. Trata-se de um e-learning com vídeo, 3D, webservices, drag and drop e o escambau. Assim que sair eu atualizo lá no portfólio.

E aí? O que acharam?