Águas de Março

Posted by Bruno Imbrizi . March 23rd, 2009

É bossa nova. É melancolia alegre. É júblio triste. É pau, é pedra, é o fim do caminho. É um resto de toco, é um pouco sozinho. São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração.

A gente se vê.

How bizarre

Posted by Bruno Imbrizi . March 20th, 2009

As notícias são muito bizarras, nao posso esperar chegar em casa para escrever com acentos e cedilhas. Corrigido.

Extra, extra! Mulher deu a luz num avião em pleno vôo e ninguém percebeu! Só até aí já é bizarro o suficiente, mas esse é só o começo, veja só. Ela voava de Samoa para a Nova Zelândia e chegando no aeroporto de Auckland disse que havia perdido seu passaporte. As autoridades repararam que havia algo de estranho pois a mulher estava pálida e com manchas de sangue (!). Foi entao que encontraram um bebê recém-nascido no cesto de lixo do banheiro do avião (!!!).

Veja aqui o vídeo da reportagem:
TVNZ: Police investigate after baby left on plane

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Extra, extra! Vulcão submarino entra em erupção e assusta pescadores da ilha de Tonga! Na última segunda-feira alguns tremores foram sentidos na maior ilha de Tonga e desde então um vulcão submerso há 10 km da costa entrou em erupção arremessando colunas de água para cima e criando uma nuvem de fumaça de 15.000 metros de altura que obrigou aviões a desviarem suas rotas. As imagens são impressionantes.

Veja o vídeo da reportagem e algumas fotos:
TVNZ: Undersea volcano continues erupting
NZ Herald: Photos: Undersea volcanic eruption

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How Bizarre, how bizarre.
Dentre as novidades desta sexta-feira, a campeã de bizarrice é esta: descobri que a música “How Bizarre” é kiwi! Você conhece a música, não conhece? Foi lançada em 1995 e alcançou primeiro lugar nas paradas da NZ, Austrália, Canadá, Irlanda, África do Sul e Áustria além de um segundo lugar nas 100 mais da Billboard. A banda conhecida por OMC detém o recorde de artista neo-zelandês mais vendido no mundo com 20 milhões de cópias! OMC significa Otara Millionaires Club, sendo que Otara é um suburbio muito, muito longe do centro de Auckland e bem pobre (para padrões neo-zelandeses). Estima-se que autor da música e “vocalista” do grupo, Paul Fuemana, ganhou 11 milhões de dólares com o sucesso. E o que ele fez com a grana? Torrou tudo e está quebrado de novo, ainda morando em Otara.

Assista o videoclipe de “How Bizarre”:
Youtube: OMC – How Bizarre

Querido Diário

Posted by Bruno Imbrizi . March 18th, 2009

- E quem é que tem tempo pra ficar lendo diário dos outros na internet?

Esse sou eu em 2004, quando eu tinha ouvido o termo blog umas duas vezes e achava que sabia tanto do assunto que podia até dar opinião. Contra, ainda por cima. E foi com essa profundidade de conceitos que permaneci até o final de 2007, longe dos diarinhos online. Em novembro de 2007 eu e a Pri estávamos refogando a idéia de ir morar no exterior. Nossos quesitos a) europeu e b) que dê pra sobreviver com o inglês, logo nos levaram a colocar a Holanda no topo da lista (ignorando de maneira nada tendenciosa todos os outros países europeus em que se fala inglês em abundância). E numa dessas buscas no Google em que a gente resolve ir até a página 7 eu achei um link muito interessante chamado Ducs em Amsterdam. Apesar de ser um blog (iact!) eu li tudo o que tinha sido postado até então e continuei acompanhando sem muita fidelidade até eles ficarem um tempão sem publicar nada novo, aí eu abandonei mesmo, esqueci de vez.

- Estou pensando em fazer um blog da minha viagem.

Esse sou eu de novo, dessa vez em maio de 2008 às vésperas vir para a Nova Zelândia e nem-um-pouco-imagine-nem-pense-nisso inspirado pelo Ducs em Amsterdam.

Alguns posts meus mais tarde, já torcendo para que mais e mais pessoas viessem perder tempo lendo meu diarinho online, a Pri me avisou que o blog dos Ducs estava com textos novos. Eu fui conferir e desde então não perco nenhum post deles. Mais que isso, a coisa toda começou a se espalhar, rolou um efeito meio viral, eu comecei a clicar em links postados no blog deles e comecei a ler outros blogs! (Já pensou se descobrem que dá pra fazer isso pela internet?!) O primeiro foi o Blog da Bartira que de início eu não sabia se ia acompanhar ou não – porque ler dois blogs ao mesmo tempo é muita coisa – mas acabei não resistindo e voltando para conferir posts novos quase diariamente. Um belo dia, lendo os comentários de um post da Barts, cliquei no link do Nelson e fui parar no Pô, Meu! Aí a coisa saiu do controle, eu não ia dar conta de ser fiel a três blogs ao mesmo tempo além de cuidar do meu próprio blog!

Foi então que eu me rendi a mais uma novidade da internet – que já estava fazendo sucesso há pelo menos uns 3 anos: o tal do RSS. Se você não sabe o que é o RSS, eu explico. O RSS é o office boy que sai pra buscar um título, um texto, uma data, um link e mais uns outros papéis. E o cara é organizado, não importa pra quantos escritórios ou juntas diferentes você o mande, ele sempre traz tudo formatado no mesmo padrão. Agora só falta alguém para colocar essa papelada toda em pastinhas, certo? Sim, eles são os feed readers e devem ter vários por aí, mas eu nem me dei o trabalho de procurar e fui direto pro Google Reader. Qualquer um com uma conta no Google (vai dizer que você não tem?) pode acessar o Reader e começar a receber RSS feed dos seus blogs preferidos. É só clicar no botãozão “Add a subscription” (se o seu Reader estiver em Inglês) e colar a URL do RSS. Meu, pára tudo, o que você tá falando? Que diabos é a URS do RLL? Calma, é fácil. Sabe aquele iconezinho que todo mundo coloca ao lado da sigla RSS? Aquele que está em vermelho ali no menu do topo do meu blog? Então, é só clicar ali e você vai pro endereço do RSS feed. É esse que tem que colar lá no “Add a subscription” do Reader.

Desde que eu deixei o Google e o RSS organizarem minha vida, não parei mais de adicionar blogs à minha lista. Faço questão de citar mais dois aqui que estão entre meus favoritos. O primeiro é o Sociologia Independente que é mantido pelo Fábio, um cara muito gente fina que eu tive o prazer de conhecer aqui em Auckland e que me surpreende a cada post. O outro é o Wagner & Beethoven que é um sarro. Aliás, se você ainda não tem nada na sua lista de blogs no Google Reader, o W & B é uma boa opção para começar, pois são em formato de tira e são sempre inteligentes (cof!) e engraçadas.

Ô, e vê se adiciona o Viagem no Tempo também, né?

Green Day

Posted by Bruno Imbrizi . March 17th, 2009

Os pubs Irlandeses estão lotados – e olha que aqui tem um pub Irlandês a cada 100 metros. Muita gente vestindo roupas verdes pelas ruas, alguns com chapéu e trevo de três folhas. O executivo continua de traje social, mas a gravata não escapa. Uma transversal está fechada entre a Hobson e a Nelson Streets bem no centro da cidade. A banda toca alto. Homens e mulheres verdes esticam o braço para mostrar o carimbo e se misturam à multidão. Barris e mais barris de Guinness se empilham próximo ao bar. Hoje é Saint Patrick’s Day!

Ok, mas qual é a dessa festa? Em poucas palavras é mais um festa de origem cristã que ninguém mais tem certeza como começou mas todo mundo celebra. Eu fui atrás da história do tal Patrício e pelo que eu entendi a biografia dele é tão cheia de evidências quanto à do Saci Pererê. Foi um sujeito que viveu ali entre os anos 360 e 460, ninguém sabe ao certo. Dizem que ele nasceu no País de Gales (há controvérsias) e foi levado como escravo para a Irlanda na adolescência. Depois de alguns anos fugiu e entrou pra igreja. Voltou à Irlanda como missionário, mas pouco se sabe sobre os lugares que visitou ou mesmo sobre sua ligação com a igreja. Nunca foi canonizado pelo papa (naquela época não precisava), mas foi considerado santo e virou o patrono da Irlanda no século VIII. Uma lenda diz que ele usava o trevo de três folhas para representar a santíssima trindade em suas pregações. Outra diz que foi ele quem expulsou todas as cobras da Irlanda, embora haja evidências de que a Irlanda pós Era Glacial nunca teve cobras. Lá pelo século XVII, um franciscano influente resolveu estabelecer o dia 17 de Março como o dia de São Patrício, supostamente o dia e o mês da morte do mesmo, embora ninguém tenha certeza do ano.

A cor associada ao santo é o azul. Não qualquer azul, mas o Saint Patrick’s Blue, que está no Brasão de Armas da República da Irlanda, na bandeira das províncias Irlandesas de Munster e Mide, nas cores da Universidade de Dublin e outras entidades da Irlanda. Até o século XX o santo era retratado usando o seu azul. O verde só veio mais tarde para combinar com a cor mais associada aos Irlandeses.

Faz sentido agora? Entendeu agora porque milhões de pessoas na Irlanda, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia celebram este dia? Não? Então espera até eu explicar a Páscoa, o Natal, o Carnaval…

Cranium

Posted by Bruno Imbrizi . March 15th, 2009

No final de semana fui convidado para jogar Cranium na casa de uma colega de trabalho. Estávamos em seis: dois ingleses, um kiwi, uma francesa que mora na Nova Zelândia desde criancinha, um malaio que está por aqui há 12 anos e o brazuca aqui com inglês de cursinho + 10 meses de Nova Zelândia. Confesso que fiquei apreensivo no começo. “Puts, se eu não entender alguma coisa vou estragar o jogo.” Mas passou longe disso, foi muito divertido. Digo, foi de deitar no chão de tanto rir.

O Cranium lembra o Imagem & Ação e o Caldeirão do Huck. Se tem algum jogo no Brasil mais parecido com o Cranium eu não conheço. Em cada rodada uma equipe tira uma carta e quem acertar a resposta anda no tabuleiro. São quatro áreas, cada uma representada por uma cor. No azul você pode ter que desenhar algo, ou desenhar de olhos fechados (geralmente algo mais) ou fazer mini esculturas com massa de modelar. No verde você pode ter que fazer mímica, ou encarnar um personagem (é permitido falar) ou assobiar uma melodia. No vermelho você tem que dar respostas perguntas objetivas ou de múltipla escolha. E no amarelo ficam as sopas de letrinhas que vão desde soletrar algo de trás para frente até adivinhar o significado de uma palavra obscura.

Se eu pudesse jogaria Cranium todo final de semana. É aquele jeito de aprender uma coisa que você não esquece mais. Por exemplo: bum bag. Você sabe o que é? Eu não sabia. É o que chamamos de pochete. O nome mais usual atualmente é fanny pack, por isso a jogadora que pegou a carta achou que ninguém ia adivinhar se ela modelasse uma pochete em massinha. Ocorre que bum equivale ao Português bumbum e bag significa sacola, mala, bolsa, etc., então ela resolveu separar as duas coisas e modelou uma bundinha e uma bolsinha. Ninguém acertou, mas eu não consegui parar de rir quando alguém sugeriu que fosse um ass case - algo como uma mala específica para guardar bundas. Foi hilário.

Outro exemplo foi uma carta que eu peguei e tinha que desenhar pushing up the daisies. Lembrei da namorada do Pato Donald que em inglês é Daisy Duck e sabia que tinha que desenhar alguém empurrando margaridas, mesmo sem saber que diabos era aquilo. Minha equipe acertou porque conhecia a expressão. Agora que eu sei o significado, faz todo sentido, mas na hora nem me ocorreu. “Empurrando as margaridas para cima” signfica dizer que alguém está morto. Tem a ver. Tem mais a ver do que “um abraço pro gaiteiro” ou “bateu as botas”.

Numa das cartinhas amarelas, a outra equipe leu para nós uma palavra que tínhamos que adivinhar o significado. Saiu algo como ei-ti-lai-er. Ao ler a palavra na carta, a francesa da minha equipe se partiu de rir. Estava escrito atelier. Óbvio que eu também saberia, mas foi curioso ver que uma palavra tão óbvia para nós pudesse ser uma novidade para o cara que leu, já que ele não tinha nem idéia de como pronunciar. Algo semelhante aconteceu quando caiu a palavra cemetery e os ingleses insistiam em repetir palavras como tomb ou graveyard. Quando tempo acabou um deles falou “Ah, mas a gente nunca chama de cemetry! Sempre falamos graveyard!” Ou seja, a nossa principal palavra para designar um cemitério é parecida com a palavra em Inglês, mas não com a principal e sim com um sinônimo menos usado. Achei curioso.

No final cansamos de Cranium e partimos para um drinking game que consistia em contar e bater palmas de acordo de maneira coordenada. Quem errasse tinha que tomar um shot. As opções eram licor de cassis (iuc!), licor de anis e Jägermeister. Eu perdi a conta algumas vezes, mas sempre conseguia me safar proque alguém errava antes de mim. No final de algumas rodadas, quando um dos integrantes já não aguentava mais licor de anis, eu ainda estava invicto e adivinha qual foi meu prêmio? Dose dupla de Jäger.

Foi divertido.

O verde-louro desta flâmula

Posted by Bruno Imbrizi . March 3rd, 2009

O algorítimo que simula a bandeira ao vento atrás do apresentador era o mesmo. O que mudou foram as cores. Eu nunca tinha visto essas cores num jornal aqui na Nova Zelândia. Era a bandeira do Brasil que chacoalhava ao sabor do vento 3D.

Seria uma matéria sobre o Carnaval? A Petrobrás anunciou a descoberta de novas áreas de exploração de petróleo? Alguma ONG neo-zelandesa trazendo dados alarmantes sobre a Amazônia? Algum fato político importante internacionalmente envolvendo representantes brasileiros?

Veja aqui o vídeo (23 segundos).

Não, a bandeira estava ali para lembrar que somos um país perigoso e corrupto - é melhor ficar longe. Que estamos no grupo dos países que ninguém sabe direito onde fica e que ninguém quer saber mesmo - junto com Chipre e Burkina Faso. Que merecemos uma atenção correspondente a: “quando um filho da p*** fizer alguma monstruosidade contra um dos nossos e tivermos que dar a notícia no ar, jogamos a bandeira do país para ter alguma coisa de pano de fundo”.

Não tenho nada contra algorítimos ondulantes, nem contra a seleção de pauta da TVNZ e nem quero trazer atenção para essa bestialidade. Meu ponto aqui é a perspectiva. Tentar explicar um pouquinho o que significa ver de fora.

Você aí no Brasil já se imaginou com a mesma importância internacional que você dá para o Chipre ou para Burkina Faso?

Lost

Posted by Bruno Imbrizi . March 2nd, 2009

Ravianas

Posted by Bruno Imbrizi . March 1st, 2009

Eu já comentei aqui que tentar reconhecer brasileiro na rua virou um esporte pra mim. Não tem como evitar. As dicas são sutis, mas estão todas lá. Curioso pensar que antes de sair do Brasil eu achava que seria difícil distinguir um brasileiro no exterior porque somos um povo muito misutrado. Acontece que não é. Somos muito mais parecidos uns com os outros do que gostamos de pensar. Está na roupa, no cabelo, no calçado, na bolsa, na tatuagem, no piercing. O magnetismo que nos puxa para os mesmos estilos é tão forte que, mesmo estando no exterior e vendo todo mundo na rua diferente de nós, continuamos a nos vestir e nos mostrar como brasileiros. É a aplicação prática do filtro cultural – termo criado pelo Daniduc e descrito no excelente post “Aprendendo a reclamar” – em que o único jeito certo de fazer a coisa é o nosso, sendo que ao mesmo tempo milhões de outras pessoas vivem o único jeito certo delas.

Não estou criticando o estilo brazuca, não. Confesso que gosto mais do estilo kiwi agora do que quando cheguei aqui, mas ainda tem muita coisa que eu acho errado. Acho pior – novamente fazendo uma referência ao post do Daniduc, sério, você devia ir lá ler. Meu ponto aqui é que o bonito e o feio são conceitos bem mais relativos do que eu pensava. Se o brasileiro acha o kiwi desleixado, o kiwi acha o brasileiro excessivamente vaidoso. Quem está certo? Os dois e nenhum. Não importa. O que importa é saber que existe mais de um ponto de vista e que é possível aprender a não dar muito valor para algo que, pensando bem, não tem tanto valor mesmo.

Agora, este post não é sobre divergências e sim sobre convergências. Um estilo do qual o brasileiro se orgulha e o mundo acha igualmente bonito. Estou falando das sandálias havaianas. Se tem uma coisa que não ajuda na hora de reconhecer brasileiro na rua é ver que o sujeito está de havaianas. Todo mundo tem, todo mundo adora. Os modelos mais difundidos são aqueles com a bandeirinha do Brasil e aqueles em que o logotipo está em branco para aumentar o contraste com a cor da tira e ficar bem claro que não é um chinelo qualquer. Por aqui a pronúncia sai ravianas e custam na casa dos $30 o par.

A foto que ilustra este post encontrei no Flickr de um cara chamado rockstarassi que, por coincidência, também está viajando pela NZ. Vale a pena conferir as fotos do cara.

Tática

Posted by Bruno Imbrizi . February 28th, 2009

Estava eu subindo a Queen Street quando vi um aglomerado de gente olhando pra baixo…

… Ah, é uma partida de xadrez na calçada…

… Ei moça, dá pra ver sua calcinha!

Haha, muito boa!
Moça bonita usando seus atributos físicos pra chamar atenção já vimos várias, mas essa me surpreendeu. O cartaz ao lado do tabuleiro dizia que ela foi campeã juvenil de xadrez e está arrecadando fundos para o combate ao câncer de mama. Ela desafia quem quiser a uma partida de ali, na rua, na frente de todo mundo. Não paga pra jogar, quem quiser pode contribuir deixando um trocado numa caixinha ali do lado. Para cada nova partida ela escolhe uma música no iPod e deixa tocando numa considerável caixa de som portátil que dá pra ouvir a uma quadra dali. Isso tudo somado já seria o suficiente para atrair a atenção dos passantes, mas ela trouxe um item a mais: a saia. Muito esperta. Com uma cajadada só conseguiu atrair mais público e distrair o adversário durante a partida. Funcionou, ela ganhou os quatro jogos que eu assisti e não parava de juntar gente…

Internet Blackout

Posted by Bruno Imbrizi . February 20th, 2009

No último dia de Fevereiro deve entrar em vigor uma emenda à Lei de Copyright da Nova Zelândia, que está sendo chamada de Guilt Upon Accusation Law – Lei da Culpa por Acusação. Dois artigos (Section 92A e 92C) são os responsáveis pela polêmica. Em poucas palavras eles determinam que os provedores de internet removam conteúdo ou cortem a conexão de usuários que possam estar infringindo a Lei de Copyright enquanto estão conectados.

Eu confesso que não entendi a emenda por completo – Direito em Português já é um saco, em Inglês então tenha dó – mas a repercussão está grande e sei que não estão gostando nada da novidade. Uma das reclamações é que, havendo uma acusação de quebra de direito autoral, o provedor de internet deve remover o conteúdo primeiro e entrar em contato com o acusado depois. Isso significa que se você não estiver compartilhando conteúdo ilegalmente, mas alguém disser que você está, seus arquivos podem ir pro espaço do mesmo jeito. E se você for pego repetidas vezes compartilhando arquivos ilegais, sua conexão com a internet também vai pro espaço e seu computador volta a ser um aparelho de jogar Paciência.

Como fica a situação das lan houses, bibliotecas e outras redes públicas? Onde fica sua privacidade enquanto os provedores rastreiam seus cliques em busca de ilegalidades? Essas e outras dúvidas geraram um protesto chamado Internet Blackout N.Z. Várias pessoas trocaram suas fotos por um retângulo preto no Facebook, MySpace, Bebo, Twitter, etc. Blogs e outros sites estão adotando fundo preto ou publicando banners contra a emenda. O site Creative Freedom colocou uma petição online que, até o momento, conta com 14.117 assinaturas contra a nova lei.

Acho que os direitos autorais devem sim ser protegidos e confio no bom senso dos kiwis em não sair cortando conexões a torto e a direita. Por outro lado, acredito que os tempos mudaram. Quem nunca baixou um MP3? As pessoas não estão baixando conteúdo digital ilegalmente só porque é de graça. Claro que tem gente que sempre vai preferir dar um jeitinho, mas considero comodidade e disponibilidade de acervo duas boas razões para buscar conteúdo online. O formato digital veio pra ficar. Eu ainda compro CD e gostaria que a uma lei milagrosa trouxesse da volta das mega stores com milhares de prateleiras e seus plec-plec-plec de caixinhas em busca de novidades. Era um dos meus passatempos favoritos, mesmo que eu nunca tivesse grana pra comprar nada. Hoje eu entro nas lojas (as que sobraram) só para comprar a caixinha e o encarte, porque a música já está no meu bolso faz tempo.

Não quero ter minha conexão cortada e também não quero ser um fora-da-lei. Como resolver? Os filmes ou seriados que eu quero ver demoram meses para chegar em um formato legal. Se fosse depender de encontrar CD para escutar o que eu escuto eu ainda não conheceria a enorme discografia (5 álbuns) do Stone Temple Pilots. Livro só comprando pelo Amazon, pagando frete internacional e esperando 3 semanas pra chegar – e olha que eu vivo fazendo isso! – enquanto o eBook chega em menos de um minuto. Para tudo isso a alternativa está ali, há alguns cliques. Não tem iTunes na Nova Zelândia nem no Brasil. Também não tem Amazon e os sites que transmitem seriados online estão bloqueados fora dos EUA. Como consumir esse conteúdo sem voltar no período pré-internet? Como baixar conteúdo digital legalmente? Talvez os leitores do Viagem no Tempo conheçam alternativas que eu ignoro, então não deixem de mandar seus comentários. Eu espero ainda ter conexão para responder vocês. :-D


Update:
Na última sexta-feira (23/02), o primeiro ministro John Key adiou a emenda à lei de copyright para o dia 27 de março e, se até lá não houver acordo, ela será suspensa. O interessante é que essa decisão se deu devido aos protestos online, conforme esta matéria no Herald*. Confesso que fiquei surpreso com a notícia. Não imaginei que uns perfis do Facebook e uns Twitters tivessem alguma força contra lobistas do mercado fonográfico / cinematográfico e contra os dois maiores partidos políticos do país que apoiavam a lei.

* Valeu pelo link, Daniduc!