Olhar estrangeiro

Posted by Bruno Imbrizi . March 28th, 2009

Estou no Brasil. Se você acompanha o Viagem no Tempo deve lembrar do melancólico post NZ Trip – Week 4 onde contei o motivo da volta. Não está afim de ir lá ler? Tudo bem, eu resumo aqui: não deu certo a Pri ficar comigo na Nova Zelândia. Não ia dar certo eu ficar sem ela. Voltei e estamos juntos aqui.

No post Querido Diário contei que este blog nasceu junto com a minha viagem para a Nova Zelândia. E agora? Vai acabar? Não, ainda não. Sou egoísta o suficiente para achar que ainda tenho coisas interessantes para contar. O escopo permanece o mesmo: exterior, viagens, diferenças culturais, Nova Zelândia, etc. Espero que você, leitor, ainda tenha interesse em acompanhar.

Minha expectativa em rever a Pri era alta e foi melhor do que eu esperava.

Minha expectativa em rever a cidade era baixa e foi pior do que eu esperava. Eu era um estrangeiro em Auckland, agora sou um estrangeiro aqui. Vai passar, eu sei, mas não tenho pressa. Estou gostando de analisar de fora o que eu sempre aceitei como normal enquanto estava dentro. O terceiro mundo salta aos olhos. Lojas baratas vendem produtos de baixa qualidade a preços baixos para pessoas que não têm condições de comprar algo de qualidade superior. Caixas de som explodem sertanejo (ou duplas de cantores romanticos sem talento para poesia nem melodia) para atrair (?) a clientela. Pessoas de nem-tão-poucas condições assim (e péssimo gosto musical) compram nessas mesmas lojas porque não parece haver outro critério na escolha além do preço. A baixa qualidade prolifera. As ruas têm cheiros e eles não são bons. Banheiro, cigarro, fritura e perfume barato. Os carros têm pressa, as pessoas têm pressa. Para onde vão? O que fazem? Somos tantos, trabalhamos tanto, por que nos é tão raro o que é livre e abundante do outro lado do Pacífico? Eu gostava de Auckland, mas nunca achei uma cidade bonita. Agora eu acho.

Duas coisas eu já sabia e, para minha sorte, não me surpreendi com o contrário: nossas mulheres são mais bonitas e nossa comida é mais saborosa, mais saudável e mais barata. Aqui, para todos esses adjetivos, fica bem clara a generalização e a opinião por amostragem, antes que alguém de mau humor comece a me apresentar evidências do contrário…

Da minha janela vejo um rio. Ele é horrível. Vou sair para imprimir as fotos que eu e a Pri tiramos na Nova Zelândia e que não precisaram de um clique sequer no Photoshop para mostrar os mais lindos azuis, cianos ou verdes dos rios e lagos de lá.

5 Comments »

  1. Robbie //

    so you not coming back? :(

  2. Marcelo Dario //

    caraca Brunao!!!!!! ta na área jah???? vamo marca uma ae!!!!

  3. Bruno Imbrizi //

    @Robbie
    Wait for me!

    @Marcelo
    Demorou cara, por mim pode ser hoje mesmo. Hmm, talvez eu deva usar outro meio de comunicação se quiser brindar um chop contigo hoje…

  4. Zeh //

    Cara, não é por “retribuição” pelo seu comentário no meu site não, mas li seu post e não pude deixar de concordar e escrever.

    Nunca *trabalhei* fora do Brasil, mas uma ida rápida pra fora (Austrália) foi o suficiente pra mudar completamente minha visão sobre o nosso país, e sobre minha cidade (São Paulo). Foram três os meus principais choques: perceber que somos todos bárbaros; perceber que o nosso asfalto é um lixo; e de que, sim, nossas mulheres são, em média, muito mais bonitas. Gostaria de dizer que só isso compensa todo o resto, mas é difícil.

  5. Bruno Imbrizi //

    @Zeh
    É bem por aí. Já escrevi dezenas de posts sobre o que aprendi enquanto estive no exterior e acho que poderia escrever muito mais.

    Uma vez um amigo que foi para Angola como voluntário de uma ONG disse que ouviu o seguinte de um angolano: “O Brasil pelo menos sabe que está mal e tenta melhorar, Angola nem isso”. Pois eu acho que quanto mais vamos para fora, mais descobrimos o quanto podemos melhorar (como nação e como pessoas).

    Sou a favor de cada vez mais brasileiros sair e conhecer o estrangeiro. Indianos e chineses estão fazendo isso e, cara, a gente não devia estar atrás de indianos e chineses, na boa. A gente só tem a ganhar. Tem com o que comparar, faz mirar mais alto. Não é a toa que a Grïngo e a Grafikonstruct sairam de caras que conheceram os processos lá fora e trouxeram para cá fazendo trabalhos em outro nível.

    Mas aí eu me pergunto: “De onde saiu o Zeh que faz o que ele faz sem sair do quarto?” Ha! Tenho muito o que aprender…

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