Ed Mort

Posted by Bruno Imbrizi . January 14th, 2009

Durante nossa viagem, ao comentar sobre o medo que deu de sobrevoar o lago em Queenstown num pára-quedas puxado por um barco, alguém disparou:

- Uma pessoa caiu lá um tempo atrás.
- Vish, e aí?
- Morreu, oras.

Esse é o tipo de história que você quer ouvir depois de fazer o passeio, sem dúvida. Desde então eu fiquei curioso para confirmar se era verdade e também investigar outras fatalidades que possam ter ocorrido nessas aventuras tão populares por aqui. Fiz buscas por todas as atividades que participamos em 4 ou 5 sites de notícias da Nova Zelândia. Não encontrei absolutamente nada sobre quedas de paraflight, muito menos quedas fatais. Idem para bungy jumps, número de acidentes: zero. Nenhum desabamento de caverna com turista dentro, nem queda de helicóptero. Tudo certo, então? Infelizmente não. Aqui vão algumas histórias trágicas:

Semana passada dois jovens turistas foram esmagados por um enorme bloco de gelo no Fox Glacier – Garage-sized ice fall killed pair. Eles ignoraram um aviso de perigo e foram até uma área periogsa para fazer uma foto mais perto do gelo e foram surpreendidos por um desabamento. O fato ainda está rendendo capas de jornais por aqui. Os grandes meios de comunicação parecem ter um interesse mórbido por tragédias como essa, talvez eles somente reflitam um interesse mórbido da população kiwi em geral – de acordo com um colega de trabalho é porque não tem muito o que pôr no jornal. Além disso, o último burburinho se deu porque a empresa que alugou o carro pras duas vítimas queria cobrar a conta do guincho da família. O carro tinha transponder e a chave eletrônica ainda está soterrada com um dos rapazes. O dono da empresa falou que ele sente pela tragédia, mas que ninguém vai aliviar os custos dele e ele vai morrer com o prejuízo sozinho. Deu uma polêmica danada e agora à tarde saiu que uma companhia de turismo se ofereceu para pagar a quantia.

Agora uma de arrepiar, essa aconteceu num passeio que eu e a Pri fizemos! Em setembro de 2008 morreu uma turista chinesa no Kawarau Jet – Fatal right turn. O jetboat levava 22 pessoas mais o piloto quando bateu em algo escondido embaixo d’água e virou. Todos se salvaram, exceto Yan Wang de 42 anos. Por ironia o azar dela foi estar usando o colete salva-vidas, que a prendeu contra o barco. Mudanças foram feitas no trajeto dos jetboats após o acidente.

Em agosto do ano passado uma turista britância morreu após perder o controle de um quadricíclo e cair de um barranco de 50 m – Tourist’s fatal plunge. Ela tinha 24 anos e estava viajando com o grupo do Kiwi Experience. O acidente aconteceu em Waitomo e, de acordo com o NZ Herald, o site da companhia de quadricíclos anunciava que o terreno difícil da região fazia parte do desafio. Também de acordo com o jornal, entre 2006 e 2007 ocorreram 358 acidentes com quadricíclos, sendo 10 fatais. Eu vi alguns anúncios desses passeios de quadricíclo, principalmente próximo a Greymouth, e até fiquei com vontade de fazer. Eu nem imaginava que pudesse ser tão perigoso. Acho que eu e a Pri não demos muita bola porque já tínhamos passado e queriamos chegar logo em Franz Josef para subir no glacier.

Para fechar, três acidentes de rafting. Um em 2003 – White water rafting victim named. Outro em 2004 – 18-year-old woman drowns in Wairarapa river. E outro em 2008 – River victim died in less dangerous water. Nós não chegamos a fazer esse rafting de água branca, como eles chamam aqui, mas ficamos com vontade de fazer em Queenstown. A única coincidência entre as três fatalidades é que todas foram em passeios privados, ou seja, sem guia no bote, o que talvez sirva para tranqulizar os turistas.

Fatalidades não são um assunto que me interessa muito. Como eu disse anteriormente, este post saiu de uma pesquisa para confirmar boatos depois que eu e a Pri nos aventuramos em passeios radicais pela Nova Zelândia. As histórias são todas horríveis é claro, mas analisando estatísticamente é possível dizer que é bem seguro se aventurar por aqui. Eles te dizem no início de cada passeio que toda atividade envolve um risco e que todos devem respeitar as regras e usar de bom senso para cuidar de si. Acho que é por aí, risco a gente corre em todo lugar, tem que ficar esperto.

Agora bom mesmo foi ter sobrevivido ao paraflight, já pensou morrer caindo de smile gigante? Pior que isso acho que só capotar o pedalinho!

4 Comments »

  1. Pri //

    Realmente é melhor saber desse tipo de coisa depois de ter feito a atividade. Mas sem dúvida dá pra ver o profissionalismo desse pessoal na hora de realizar seus trabalhos. Acidentes infelizmente acontecem! Ainda bem que não foi com a gente! Já pensou cair no meio do Lake Wakatipu? ui ui ui!

  2. Ana Paula //

    Estou acompanhando o blog. Sempre que posso dou uma olhadinha, mas nunca tenho tempo de postar.
    Fiquei com vontade de comentar as fotos da viagem, mas depois teremos tempo ao vivo para isso.
    Enfim, esse post mereceu uma atenção especial.
    Como praticante e agora auditora em turismo de aventura só posso dizer que pela quantidade de pacotes vendidos com esse perfil na Nova Zelândia, precisamos dar nota 10 p/ eles. Acidentes acontecem a toda hora no turismo, mas no turismo de avenura geralmente os acidentes são fatais. O importante é que os kiwis tem um reconhecimento internacional e normas de segurança que são copiadas pelo mundo inteiro. Só agora o Brasil formatou normas para essa atividade. Estamos em 2009,(no Brasil essas atividades começaram no final da década de 80) vários auditores formados, empresas certificadoras loucas por esse mercado e muitas agências no Brasil querendo a certificação. Porque o turista (estrangeiro) exige. Sabe onde está engavetado? No Inmetro, desde o ano passado. Ed Mort!!!

  3. Bruno Imbrizi //

    @Ana
    Sempre bem-vinda!
    Não sabia que a NZ era referência no assunto, mas fico feliz em saber.
    Isso que você está contando vem ao encontro do que eu venho pensando há tempos: nós no Brasil temos um potencial enorme e não devemos nada pra ninguém, mas dormimos no ponto ou jogamos tudo pelo ralo. Enquanto isso, outros países menores e mais jovens (Nova Zelândia) ou maiores e mais desorganizados (China / Índia) vão nos ultrapassando a galopes.

    Que, pelo menos no turismo, os auditores formados venham ajudar a mudar esse quadro!

  4. Ana Paula //

    Deus te ouça, Bruno!
    Um dia vou ganhar dinheiro com isso ainda! Hehe
    Pouca gente no Brasil tem noção que o Turismo de Aventura certificado é prioridade. Que a associação (ABETA) é uma das mais organizadas na área de Turismo, e já possui ações que deixaram p/ trás associações de hoteleiros, agentes de viagens e várias outras. É uma turma composta por praticantes de emoção, que se tornaram empresários e hoje estão ralando p/ trabalharem dentro de padrões internacionais de qualidade. Existe muito o que discutir ainda, mas um dia vou ter orgulho em saber que o potencial brasileiro, será transformado em profissionalismo!

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