NZ Trip - Week 2

Posted by Bruno Imbrizi . December 26th, 2008

Segunda acordamos cedinho e corremos para Charlestown, pois tínhamos reservado um Black Water Rafting. Eu não sabia direito como ia ser, mas quando terminou eu queria ir de novo, foi muito tesão. Começou com um passeio de trenzinho que é mais pra encantar a criançada. Chegando na floresta, as famílias foram para um lado e o pessoal do rafting para outro. Vestimos uma roupa ridícula para ajudar a manter a temperatura. Eu tive a capacidade de separar duas botas de pé esquerdo e a essa altura não podia mais trocar, tive que fazer o passeio todo calçando um pé errado. Olhando pro meu pé parecia que eu ia andar em círculos, hehe. Aí cada um pegou sua bóia e se mandou escada acima até a entrada da caverna. Lá dentro é muito legal. Uma hora a guia falou pra todo mundo apagar a luz do capacete e sentir a escuridão e o silêncio lá dentro. É realmente impressionante, não deve demorar muito pra alguém perder a noção de tempo e espaço num ambiente desses. Seguimos caminhando por formações bizarras de estalactites (teto) e estalagmites (chão). As únicas fotos são as que a própria guia tirou e, como fotógrafa, ela é uma ótima guia, pelo menos dá pra ter uma idéia de onde estávamos. Lá pra dentro, depois de 9 horas (ou 15 minutos, vai saber) de caminhada, finalmente encontramos as primeiras glow worms. Pra quem nunca ouvir falar, glow worms são minhocas com uma lâmpada na bundinha. Elas estão grudadas no teto de várias cavernas aqui na Nova Zelândia e são muito espertas. Insetos que entram na caverna de dia e não encontram a saída ou ovas que eclodem em um lugar muito escuro todos voam direto para a luz emitida pelas glow worms, aí é um abraço pro gaiteiro, elas paralisam as presas e partem pro banquete. A gente teve a sorte de ver um mostiquinho ser capturado por uma glow worm enquanto estávamos passando. Aí chegou a hora de ir pra água. Cara, é black water mesmo. A guia apagou a luz dos nossos capacetes, deitamos nas bóias, ficamos todos juntos engatados pelos braços e pés e começamos a nos mover remando pra trás. A sensação é muito maluca, boiar de costas em um ambiente totalmente escuro e cercado de pedras. Foi aí que entendemos o objetivo da coisa toda, entramos em uma área com o teto completamente forrado de glow worms. Sabe céu estrelado na fazenda? São milhares, talvez milhões de bichinhos formando uma galáxia e iluminando o teto da caverna. É espetacular. Depois dessa visão incrível, a brincadeira terminou com um passeio de bóia por um rio de corredeira de água verdinha e transparente. Nada mais para fazer em Charlestown, rumamos para Greymouth. No caminho paramos inúmeras vezes. Uma delas em Punakaiki para ver as famosas Pankake Rocks. São uma formação rochosa absurda, as pedras parecem panquecas empilhadas mesmo. Eu parei para ler as plaquinhas do parque para entender o porque daquilo e o que dizia era tão esclarecedor quanto “ninguém sabe dizer porque são assim”. É mais uma atração da natureza pra derrubar seu queixo. É lugar lindo atrás de lugar lindo e a gente não cansa de se impressionar. O caminho todo até Greymouth foi de 80 km. Nenhum posto de gasolina e eu estava no mico. Já estava até ensaiando na cabeça o discurso pra pedir carona até o posto mais próximo, mas não precisou. Chegamos lá no vapor, mas chegamos. A cidade em si, nada demais. Sim, tinha McDonalds e KFC, e a gente se arrependeu de não ter ido em um dos dois porque o restaurante que escolhemos foi o pior da viagem. O camping foi novamente um Top 10 Holiday Park e desta vez com uma estrutura quatro estrelas, tinha até uma salinha com fliperamas na qual eu perdi 40c apanhando para o E. Honda no Street Fighters II.

 

 

Terça curtimos uma praia deserta em frente ao camping em Greymouth e seguimos viagem. Nossa próxima parada era no Franz Josef glacier. No caminho passamos por mais paisagens incríveis. A Pri ficou de queixo caído com as primeiras montanhas cobertas de gelo no horizonte. Paramos para conferir um rio de água de azul ciano e temperatura congelante chamado Waiho River, que é o rio formado na base do glacier. E o que são glaciers afinal? Em poucas palavras, são rios de gelo. Eles são formados pela concentração de neve no topo das montanhas e escorrem por um leito num ciclo muito semelhante ao dos rios, só que muito mais lento. Ondas e cachoeiras também acontecem. Nas áreas mais inclinadas, o gelo se move a até 8 metros por dia e nas menos inclinadas cerca de 1 metro por dia. O Franz Josef tem 11 km de extensão e dirigindo 20 km ao sul chegamos ao Fox glacier que tem 13 km de extensão. Existem vários glaciers pelo mundo, mas apenas três chegam perto da costa: o Franz Josef, o Fox e um outro nos Andes. Além disso, os glaciers neo-zelandeses são os únicos a se formarem em meio a uma floresta de clima temperado. Eu estava louco pra ver isso tudo ao vivo. A Pri também ficou morrendo de vontade quando chegou aqui e viu os panfletos com fotos dos passeios. Podíamos fazer passeios de meio dia, dia inteiro, dia inteiro com escalada ou vôo de helicóptero com passeio de 2 horas no gelo. Eu fiquei louco pra fazer o de helicóptero, mas o preço obviamente era mais alto. A idéia ficou no ar e não tínhamos certeza de qual iríamos fazer até chegar em Franz Josef. Entramos no quiosque e pedimos pelo passeio comum de meio-dia. A atendente fez uma cara, olhou no computador e falou: “we are fully booked.” Puts e agora? Sentamos na escadinha pra decidir e não demorou 30 segundos para voltarmos para dentro e pedir o passeio de helicóptero. Não tinha mais volta. Jantamos em um restaurante ótimo e fomos dormir cedo, pois o dia seguinte prometia!

 

 

Quarta, véspera de Natal inesquecível. Acordamos cedo e nos mandamos pro ponto de encontro do glacier. Nós nunca tínhamos voado de helicóptero antes e logo na estréia, ainda impressionados com o próprio meio de transporte, sobrevoamos uma maravilha da natureza completamente diferente do que já tínhamos visto. E assim como se fosse uma coisa normal, o cara pousou no gelo! Descemos para conhecer nosso guia style e colocar crampons nas nossas botas para poder caminhar sobre o glacier. O passeio foi muito, muito bom. Estávamos sobre uma camada de 150 metros de gelo e a temperatura era só 1 ou 2 graus mais baixa que na rua. Olhar em volta e ver só gelo não acontece todo dia. Nossas duas horas de caminhada passaram num piscar de olhos. E na hora de ir embora, mais um vôo de helicóptero com direito a mergulho e um puta frio na barriga. O dia podia ter terminado ali, já foi aventura o suficiente, mas ainda era 1 da tarde e nós voltamos pra estrada. Nosso destino dessa vez era Wanaka. Novamente passamos por lugares espetaculares. Tá ficando chato pra vocês, leitores do blog, já nós nunca cansamos de nos supreender com as belezas do caminho. Completamos nosso 2000º km de viagem ao lado do Lake Hawea. Nosso peru de Natal foi substituído por cerveja e chips em um barzinho de frente para o Lake Wanaka. Eu nem pendurei minha meia perto da lareira porque eu não tinha mais nada pra pedir…

 

 

Quinta, Natal. Day off pra todo mundo e um pouco de sossego para nós. Wanaka é uma cidade muito aconchegante. Fica de frente para o Lake Wanaka e cercado por imponentes montanhas. Deu vontade de voltar lá durante o inverno para ver como fica a paisagem. Passamos o dia à beira do lago. Montamos nossas cadeiras de jardim, eu abri meu notebook e a Pri abriu o livro dela. Vida dura. Conhecemos um cachorro que adotava donos a cada 15 metros. Eu fui rejeitado rapidinho porque ficamos com dó de arremessar o graveto na água (estava muito fria), mas era bem isso que ele queria, então nos deixou após o terceiro arremesso. Almoçamos e jantamos em dois dos três únicos restaurantes abertos no dia de Natal.

 

 

Sexta o vento não nos deixou fazer caiaque no Lake Wanaka e seguimos viagem para Cromwell, terra de fazendas de pêssego, cereja e uma infinidade de berries: strawberry, raspberry, cranberry, boysenberry e tô-esquecendo-alguma-berry. Nosso objetivo nessa viagem era reencontrar o Walker que está em Cromwell trabalhando na colheita de cerejas. Pegamos nosso lugar na sombra num camping imenso e lotado. Tinha tanto trailer e tanta barraca gigante que pareciam pessoas preparadas para morar no lugar. O Walker chegou lá pelas 5h. Ele tá cabeludo, se continuar assim consegue um emprego de Jesus na próxima Páscoa. Junto com ele uma kiwi que não gosta de sapatos e um francês que tirou uma foto muito massa de um possum morto. Fomos tomar um sorvete de real fruit. A coisa funciona assim: você escolhe as frutas em um buffet e vai tudo pra um buraco negro junto com sorvete de baunilha, aí entra uma broca animal e esmaga tudo junto, voilá, do outro lado sai um sorvetão! Eu que não como fruta achei meu sorvete de mix de berries bem saboroso. Depois disso fomos todos para o lago onde os três malucos tiveram a coragem de entrar na água. É verdade que ao ver uma água transparente e verdinha como aquela dá uma vontade louca de pular, mas a temperatura é muito baixa, não tem como. Eles não concordavam e pularam mesmo assim. 47 segundos depois eles passaram a concordar e saíram correndo da água, hehe. Depois do rio a kiwi voltou pra casa e fomos eu, a Pri, o Walker e o Bastian em um restaurante Thai esquentar nossas línguas com a pimenta e esfriar com uma garrafa de Shiraz. Nossa noite terminou no camping sentado no chão ao lado da van ouvindo Lenine. O francês, como não podia deixar de ser, tirou sabedeus da onde um olive bread, um camembert e uma caixa (sim, uma caixa) de vinho. Foi bem legal, mas não deu pra colocar nem um décimo do papo em dia. Fica para a próxima vez que toparmos com o Walker nessa Nova Zelândia.

 

 

Sábado saímos para reconhecimento de território em Cromwell. Ao lado do lago: vinhedos. Do outro lado: deserto. Ok, não exatamente deserto, mas é que a paisagem muda tanto que faz sentido que eles chamem de deserto. Foi uma área de exploração de ouro no século XIX e o que sobrou foi mantido pelo Department of Conservation para preservar a história. Fizemos metade de uma trilha, vimos algumas cavernas e milhares de abelhas. Alguém aí sabe dizer porque abelha gosta tanto de flor roxa? Tinha muita flor roxa naquelas plantinhas não muito simpáticas do deserto e com elas um zumbido constante e abelhas de todos os tamanhos. Voltamos para a estrada e rumamos para Queenstown. Logo na chegada reservamos cinco noites no camping e, se não tivéssemos feito isso, estaríamos sem cozinha e banheiros porque depois lotou tudo. Reservamos também algumas atividades para o nosso período na cidade. Quem já ouviu falar de Queenstown sabe que é a capital dos esportes radicais e nós compramos nosso bilhetes para alguns deles. Contudo nosso primeiro passeio seria um calmo cruzeiro em Milford Sound, não muito longe de Queenstown. Bom, isso era o que eu pensava até olhar o mapa com mais cuidado. Longe não é realmente, mas a única estrada para lá é dando uma puta volta pelo sul transformando o que seria um pulinho em uma viagem de 300 km e prováveis 5 horas de estrada. Tudo bem, sem problemas. A previsão do tempo era de sol, então fomos dormir preparados para a jornada do dia seguinte.

 

 

Domingo montamos os sanduíches e saímos. Contornamos montanhas de pedra ao redor do Lake Wakatipu e passamos por minúsculas cidadezinhas onde a placa de Bye ficava antes da de Welcome. O dia estava ensolarado e quente, mas a cara foi mudando conforme fomos chegando perto de Milford Sound. O ar foi ficando úmido e subindo as montanhas parecíamos entrar nas nuvens. Das encostas escorríam filamentos de água como se fossem riachos verticais formando repetidas cachoeiras. Esse negócio de abençoado por deus e bonito por natureza faz muito sentido por aqui. Parece um parque de diversões montado naturalmente, você anda um pouco e já encontra mais uma atração. E como a gente queria brincar, compramos nosso ticket para o cruzeiro em Milford Sound e também para o observatório debaixo d’água. Não era nosso dia de sorte, chegando lá descobrimos que o observatório estaria fechado no horário do nosso passeio e nos devolveram o dinheiro do ingresso. Foi uma pena, mas pelo menos tínhamos o cruzeiro. O lugar ainda estava completamente úmido e nublado e tivemos que trocar bermuda e havaianas por calça e moletom. Embarcamos no Spirit of Milford e navegamos por uma região montanhosa que teve seus vales alagados há milhares de anos. Dessa vez os riachinhos verticais viraram cachoeiras de verdade. Durante o passeio o barco entra embaixo de duas delas e, apesar do frio, nos aventuramos em ficar do lado de fora para sentir o spray de água gelada. O lugar é muito bonito, uma pena que o tempo não estava bom. Na volta, conforme nos afastamos das montanhas, voltou a fazer sol. O fim de tarde dura até quase dez da noite por aqui e o sol deitado deixa as paisagens ainda mais bonitas. No caminho vimos várias criações de ovelhas, vacas e cervos – pra que diabos eles criam cervos eu não sei. Tive o azar de bater em um passarinho que voou na frente do meu vidro, mas consegui freiar a tempo de ver uma lebre cruzar a pista. Depois de escurecer a van foi alvo do suicídio de uns duzentos insetos voadores que simplesmente não conseguiam resistir à luz dos faróis. Eu tive a impressão de ouvir um deles falando: “Cara, eu vou lá naquele farol nem que seja a ultima coisa que eu faça na vida!”

 

 

11 Comments »

  1. Netólia //

    Caraca, não tem um lugarzinho mais ou menos aí não? É só lugar alucinante…

  2. Marcelo Dario //

    Putz!!!!!!! q saudade desse lugar!!!!!!!
    ja cruzou a brasileirada em queens???

  3. Ro //

    Oi fófis!
    Que lugares incríveis, eu e Netólia ficamos bobos aqui, a viagem está sempre super maravilhosa!
    Lembramos de vcs no dia 31, queríamos ter ligado na virada mas o cel não estava por perto e depois esquecemos, mas vcs estão sempre na nossa lembrança! Um ótimo 2009 pra vcs!
    Gostei da trilha sonora do Lenine, é isso aí, maravilhoso!
    Parece mentira que vcs viajaram só 2 mil km e já viram tudo isso, impresisonante.
    Beijocas

  4. Marcelo Dario //

    ahhhhhhhhh tem um Cafe maneiro ai, VUDU CAFE, fica na rua paralela ao calçadao principal, tem restaurante Italiano no calçadao, Avanti, e na mesma rua do vafe tem um de frutos do mar Fishbone os tres estao aprovados, trabalhei nos 3….

  5. Robbie //

    Foda-se olha como você está tendo uma viagem ímpios homem!

  6. Bruno Imbrizi //

    @Neto e Ro
    Um feliz 2009 para vocês também! Em breve contaremos mais detalhes da viagem ao vivo e a cores para vocês.

    @Marcelo
    Cara, a gente foi duas vezes no Avanti, bom pra caralho. Outro dia vimos o Fishbone num folder de restaurantes e fomos secos pra lá, mas estava fechado e acabamos num Thai. Inclusive lá tinha um garçom brasileiro que já está há 4 anos em Queenstown e deu a letra da festa da virada pra nós.

  7. Bruno Imbrizi //

    @Robbie
    Your Portuguese is much better than mine. I couldn’t understand the word “ímpios” in your sentence. Luckily, Google Language Tools showed me the answer. Yes, we had a wicked trip, man!

  8. alex alves //

    que massa as fotos_ A primeira foto da segunda linha até parece josé e maria_ Bem natalino, só faltou o menino Jeza_

    flw
    alex

  9. Bruno Imbrizi //

    @alex
    É verdade, ficou um clima bem Natalino Alves (não era pra ter sido esse seu nome)?

  10. Marcelo Dario //

    Brunao, nao li nada a respeito do Deer PArk, nao vai me dizer q vc naum foi la????
    Cara q saudade do Avanti, la foi o lugar q mais trabalhei!!!!!!!! muita festa!!!!
    e quais sao o planos agora?
    abssss

  11. Bruno Imbrizi //

    @Marcelo
    Puts cara, perdi o Deer Park. Em Queenstown tem muita coisa pra fazer, foi o lugar onde ficamos mais tempo, mas com certeza ficou faltando coisa. Eh muito legal la mesmo.

    O Avanti eh show, um dos melhores da viagem. As garconetes nao eram bazucas, mas o cara da pizza e um dos caras da cozinham tinham maior cara de brasileiros.

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