NZ Trip - Week 1

Posted by Bruno Imbrizi . December 20th, 2008

Ao vivo ela pareceu mais bonita do que eu me lembrava dela. E também me pareceu mais baixa. Quem é essa pessoa que vem agora e me abraça? Sete meses depois deu uma sensação estranha, mas não demorou para ficarmos à vontade de novo.

O primeiro dia era pra ser ensolarado e não foi. Os outros eram pra ser de chuva e não foram, menos mal. Nos 4 dias que passamos juntos em Auckland, visitamos Long Bay, Takapuna, Mission Bay, Kohimarama, St. Heliers Bay e Devenport. Apesar do frio que fazia à noite, pegamos praia quase todos os dias. Jantamos com o Rafael e a Paula em um restaurante francês e subimos a Sky Tower para rodopiar 360º enquanto um garçon indiano achava ridículo qualquer coisa que fazíamos, falávamos ou pensávamos. Cozinhamos juntos. Tomamos sorvete na pracinha. (No dia seguinte voltamos à pracinha para procurar minha carteira, mas essa fica pra outro post).

 

 

Segunda foi dia de preparar os sanduíches e de esticar o lençol no colchão da van. Por volta de meio-dia e meia deixamos Auckland em direção ao sul. O tempo estava ruinzinho e até Taupo tivemos poucas surpresas, apesar de uma ou outra paisagem interessante. Em Taupo, editaram a cor do rio Waikato antes de passarmos. De Taupo a Napier, uma estrada de 150 km sem nada, nenhum posto de gasolina, nenhuma lojinha, o único sinal de civilização foi um telefone público lá pelo km 90. Nessa estradinha começamos a entender porque todo mundo fala que a Nova Zelândia é linda. A paisagem era incansavelmente bonita. O sol de fim de tarde dourava as encostas das montanhas e o diálogo dentro da van variava do “uau” para o “puta que o pariu olhe isso”. Lindo mesmo. Chegamos em Napier, uma cidadezinha simpática e organizada. Passeamos perto do chafariz, vimos o mar verdinho e a praia de pedrinhas pretas ao invés de areia. Na hora de dormir, procuramos uma rua escura e tranquila para estacionar a van e pular pro ban… digo, pra cama de trás. Ficamos um pouco preocupados, mas rua tranquila na Nova Zelândia é tranquila mesmo e a noite foi bem sossegada.

 

 

Terça foi dia de voltar pra estrada. O destino era Wellington, onde tínhamos que passar a noite para pegar o ferry para a South Island no dia seguinte. Saindo de Napier começou um novo festival de paisagens incríveis. A van não corre nada, é lenta na reta e tem que descer pra empurrar na subida, mas mesmo se estivéssemos de Ferrari a viagem teria demorado muito além do normal, pois paramos incontáveis vezes para bater fotos ou simplesmente ficar boquiabertos com a paisagem. A Pri dirigiu a van por uns 30 km após Palmerston North, passando por Levin. Pra ela foram várias novidades juntas, dirigir um trem grande, em uma auto estrada e do lado direito do veículo! Acredito que foi emocionante pra ela, mas não tanto quanto pra mim, eu quase morria do coração cada vez que a van caía pra esquerda. Foi legal, tomara que ela aceite dirigir mais vezes até pegar confiança. Em Welligton nada demais. Constatamos o que todo mundo fala: venta forte o tempo inteiro. Já tínhamos pouco tempo e perdemos muito dele no trânsito, quase não deu pra ver a cidade. Achamos um motor camping cheio de tiozão e passamos a noite lá.

 

 

Quarta acordamos cedo e fomos pro ferry. Saímos com um tempo horroroso e um balanço no mar que deixou a Pri enjoada nas primeiras duas horas. Chegando na South Island o ferry já estava deslizando macio e o sol colorindo as montanhas. Em Picton poderíamos escolher o caminho para Nelson pelas rodovias convencionais ou um alternativo que ia acompanhando o mar. Óbvio que fomos pelo alternativo. A van causou sofrimento para quem vinha atrás e tinha que aguentar seus 45 km/h nas curvas e subidas. Não bastasse isso, paramos dezenas de vezes para bater fotos ou admirar a paisagem. Uma viagem que deveria ser de duas horas acabou levando a tarde toda. Foi incrível. Uma hora paramos para um scenic lookout e saiu um pássaro bizarro de trás de uma moita. Em vez de fugir da gente, ele veio na nossa direção. A Pri foi na van e pegou um pedaço de pão pra dar pra ele e não é que o bicho comeu na mão dela? A foto saiu centésimos depois da bicada. Chegamos tarde em Nelson, mas o dia por aqui está comprido, o sol se põe lá pelas 9h da noite, então deu pra aproveitar um pouco da cidade, ainda mais simpática e organizada que Napier. Jantamos em um restaurante na Trafalgar Street, uma rua de calçada bonitinha, mesas para fora e flores penduradas nas marquises. Para passar a noite, encontramos um motor camping muito bom em Tahunanui Beach ali perto.

 

 

Quinta foi dia de descansar da boléia. Em vez de volante, ficamos andando por Nelson e por Tahunanui. De manhã fomos tomar café no parque e ficamos cercados por gaivotas. Não vi pombo em Nelson, mas vi muita gaivota. E como as bichinhas são nervosas. Como elas conseguem morar num lugar tão lindo e sossegado e ficar tão estressadas? Haha. Tomamos sol na praia, passamos frio no supermercado e comemos no Burger King (aqui não tem muito como fugir disso). Quando o sol desceu lá pelas 9:15, seguimos viagem um pouco mais ao norte até Motueka, onde achamos mais um motor camping bacana. A idéia era ficar mais perto do Abel Tasman National Park, que pretendíamos visitar no dia seguinte.

 

 

Sexta acordamos bem cedinho. Eu reservei um passeio chamado Torrent Bay Tour no Abel Tasman. Todo mundo fala que o Abel Tasman é imperdível e a gente tinha que conferir. Por azar o dia não amanheceu tão ensolarado, mas fomos mesmo assim. Logo de manhã, duas horas de caiaque pelo mar. Foi muito legal. O mar liso liso, quase uma lâmina d’água, não tem coisa melhor que pegar um caiaque e remar pra ver o que tem atrás daquela curva. Foi muito bom. Na chegada o guia deu tchau e boa sorte, o passeio continuava por nossa conta. Iamos seguir só eu e a Pri mata adentro até um lugar chamado Torrent Bay. E lá fomos nós. Estávamos de chinelo e shorts porque o guia do caiaque falou que calça e tênis não era uma boa. Tínhamos só um sanduíche de pão com presunto e queijo que sobrou do café da manhã porque o panfleto dizia que com $12 poderíamos comprar um almoço, mas não disse que só tinha lugar pra vender na saída. Pra piorar começou a chover. Situação terrível? Não. Não mesmo. Foi um passeio espetacular. Não somos muito naturebas, mas ficamos embasbacados com as árvores e os pássaros do parque. E a água, óbvio. Piscinas naturais de água transparente, mini praias, riachos de água verdinha e o marzão incrível pra todo lado. Foi uma pena não estar fazendo um calor de 30º pra gente poder se jogar na água. Pra voltar esticamos o braço e chamamos um Aqua Taxi.

 

 

Sábado. Chuva.
Dia de lavar roupa, atualizar o blog e enxugar a van. Contra nossa vontade…
_ update
Opa, vira vira virou! Depois das duas da tarde o tempo abriu e o céu ficou azul. Abandonamos o blog e corremos pra conferir Kaiteriteri, uma praia de areia laranja, dezenas de gaivotas e mar verdinho. Depois rumamos para Takaka num caminho extremamente sinuoso. A pista simples somada à altura da montanha dava frio na barriga. Um mirante lá em cima dava pra ver tão longe que eu acho que vi até a torre da Telepar. Depois passamos por diversas ovelhas, vacas e outros bichos. Na volta a Pri dirigiu mais uns 30 km, inclusive passando por uma ponte de uma mão só e fazendo uma curva de 180º na subida! Dormimos no mesmo motor camping. Dica para quem estiver pensando em viajar de carro/van/campervan pela Nova Zelândia: vale a pena procurar pelos Top 10 Holiday Parks, são todos muito bons.

 

 

Domingo, dia de virar a página do mapa. Acordamos e rumamos para Westport. O caminho foi o mais gostoso de dirigir até agora. A estrada pra variar estava um tapete e desta vez não teve muita subida nem era muito sinuoso. Westport não tem nada demais. Lugarzinho bem lugarzinho mesmo (adaptando uma expressão do Walker). Nosso parâmetro pra saber se a cidade vai ter uma alguma estrutura é ver um McDonald’s e um KFC logo na entrada, em Westport não tinha nenhum. Casinhas pequenas, algumas caindo aos pedaços e um ambiente mais interiorano e aparentemente não tão feliz com a presença de turistas. Mesmo assim, não tem lugar feio por aqui, é só chegar perto da água para encontrar a beleza de novo. Passamos de carro por uma rua que se afastava da praia e ia até um farol. De lá pudemos ver um mar imenso cujas ondas carregavam uma força assustadora. Antes de ir embora, testei sem sucesso a tração 4×4 da van e tive que contar com um empurrãozinho do pessoal que estava por ali.

 

 

4 Comments »

  1. Netólia //

    Caros padrinhos… que maravilha… que inveja boa rapaz… essas viagens assim são demais… curti cada foto do blog, cada comentário… show de bola…

  2. Ro //

    Fófis, que post demais… E as fotos, queria comentar cada uma, Que viagem incrível vcs estão fazendo, e está tudo tão detalhado que até imagino vcs curtindo!
    A primeira frase foi demais… Até me arrepiei!
    Brunólia, continue nos mantendo informados, ficamos aqui na inveja e na saude…
    Prizoca, nem acredito que vc está aí, felicidades mil!
    Beijocas

  3. Marcelo Dario //

    Grande Bruno!!!!!!!!!!! show de bola!!!!
    Agora o bicho vai pegar na Ilha Sul!! se segura….

  4. Bruno Imbrizi //

    O lugarzinho essa Ilha Sul. Desespero de fotógrafo. É lugar bonito que não acaba mais!

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