Baby, vamos pra Babylon

Posted by Bruno Imbrizi . October 4th, 2008

Acabei de voltar de uma festa. Ainda ouço a música, porque é na casa ao lado. Não chega a ser uma festa, é mais uma reunião para uns drinks e aparece gente de todo lugar. Quando eu digo isso, é de todo lugar MESMO. Em uma sala com pouco menos de 20 pessoas, tive a oportunidade de conversar com kiwis, ingleses, franceses, um sul-africano, uma japonesa e uma italiana. Essa possibilidade de trocar idéia com gente do mundo inteiro é um tesão. Ou, como diria meu flatmate, “it’s fantastic, I love it!” Não tem preço. Mudando o sotaque, a conversa ia mais ou menos assim:

- Oh, your English is so good!
- Valeu, valeu. Ainda tenho muito que melhorar.
- No, seriously. I know a lot of Brazilians and you don’t speak like them.
- É mesmo? Que curioso, eu não conheço muitos brasileiros por aqui.
- Really? They’re everywhere! You should go to Gina’s on Symonds St.
- Sim, mas eu quero conhecer brasileiros interessantes, gente que dê pra bater um papo cabeça como as pessoas nessa sala aqui hoje à noite.
- Oh, then. Aí já fica mais compricado…

Fica fácil de ver quão brasileiro eu sou e quão diferente do brasileiro médio eu sou. Sou fruto de uma terra de ninguém.

A japonesa falou sobre o abismo entre homens e mulheres no Japão. Nossa cultura latina, machista, parece um conto-de-fadas para a mulher japonesa que tem que ficar sempre bem atrás do homem. Morando na NZ, agora ela namora um francês e juntos conversamos sobre o comportamento das mulheres kiwis. A situação se inverte, o desequilíbrio é claramente para o lado feminino, elas são mais fortes. Debatemos, como dois latinos (sim, franceses também são latinos) o quanto isso é legal e o quanto é esquisito. Uma coisa é a mulher ser independente e ter condições iguais aos homens na sociedade, isso é fantástico. Outra coisa é ela chegar em casa à noite e em vez de se aconchegar no marido, é o marido que se aconchega nela. Ou pior, ela dá um chega pra lá nele e manda ele parar de ser tão sentimental! Me chamem do que quiserem, mas prefiro o sistema latino e acredito que, em algum ponto da escala, fala mais alto a natureza masculina de proteger e a feminina de ser protegida.

A francesa namora um inglês que está morando em Cingapura. Ou ele vem pra NZ, ou ela vai pra Cingapura. E pra França, não volta? De jeito nenhum!

A italiana está aqui há um ano e ainda não sentiu saudade de casa. Fora o clima, que ela diz que na Itália é melhor. Aí eu digo que quero muito ir para a Itália, que até comecei a estudar italiano e tal. Ela responde que a Itália está terrível, o governo está uma palhaçada, muita corrupção, impostos altíssimos, desemprego… Aí eu interrompo e falo para ela comparar com o Brasil. Ela conclui com algo que eu traduziria como:

- Ééé…

Sábado tem mais festa, com certeza vai ser internacional de novo.

2 Comments »

  1. Ro //

    Que massa!
    Com certeza é uma expeciência única!

  2. Bruno Imbrizi //

    Na verdade eu tô torcendo para que seja cada vez menos única ;-)

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