Trânsito
Posted by Bruno Imbrizi . September 15th, 2008Aqui todo mundo tem carro. As duas frases mais repetidas são “Em Auckland sem carro você não faz nada” e “O transporte público é uma porcaria”. Exagero, mas tem fundamento.
Auckland tem uma população de 1.417.000 (estim. Jun 2008) espalhada por uma área de 1.086 km². Para comparar, Curitiba tem 1.797.408 (IBGE 2007) vivendo em uma área de 430.9 km² (sem a Região Metropolitana). Ou seja, Auckland tem uma área enorme e sem carro fica difícil de cobrir essa distância toda. Sem contar que dirigindo um pouco mais pra cima ou um pouco mais pros lados pode-se encontrar paisagens incríveis e uma porrada de praias. Os números acima também mostram que a densidade populacional aqui é mais baixa e, mesmo que todo mundo tenha carro, os congestionamentos são raros. O que eles chamam de congestionamento aqui é de dar risada. Quem já se estressou na Treze de Maio aí ia agradecer aos céus pelos congestionamentos daqui. Imagine o pessoal de São Paulo…
Sobre o transporte público, não tenho muito o que falar porque eu não uso. Trem eu só usei uma vez, acho que é uma boa opção para ir para as áreas mais afastadas, mas eu não tenho muito o que fazer por lá. Ônibus também só usei uma vez e o preço foi um absurdo. Parece que o preço muda dependendo da linha ou de onde você pega o ônibus. A principal companhia de ônibus tem um site onde você pode colocar os endereços de partida e de chegada e ele te retorna os possíveis itinerários de transporte público. Até agora para os lugares onde eu precisava ir, compensava mais ir a pé, porque não tinha uma linha que fizesse o meu trajeto em menos tempo. Vai ver é por isso que o pessoal reclama, sei lá.
Sobre ir a pé eu sei bastante! Já andei por tudo quanto é lado aqui. Tem muitos parques bonitos espalhados pela cidade e é sempre legal chegar perto do mar. Carrego na minha mochila um óculos de sol, um guarda-chuva e um cachecol. Nunca sei qual vou precisar. Geralmente preciso dos três em momentos alternados e não raro preciso dos três juntos. A combinação óculos de sol e guarda-chuva não faz sentido pra você? Vem caminhar em Auckland, então!
O ser pedestre aqui funciona um pouco diferente do Brasil. Também tem aquela história de “você pisa na faixa e os carros param” que já virou sinônimo de civilização. Só que aqui as faixas ficam longe dos sinaleiros, sempre com uma placa laranja de cada lado. A idéia é que o motorista preste atenção e veja se tem algum pedestre querendo passar por ali, se não tiver ninguém ele pode tocar o barco. Nos sinaleiros o esquema é diferente, não tem faixa listrada, são só duas linhas contínuas e sempre tem um baita botão pra você apertar e ficar esperando. O comportamento da galera nesses sinais varia muito. Tem gente (a maioria) que espera mesmo que não tenha nenhum carro vindo, tem gente nem aperta o botão e já vai atravessando e tem gente que atravessa fora da faixa no meio da rua mesmo. Uma vez eu atravessei fora da faixa com um colega de trabalho e levamos um pito de um caminhoneiro. Um pito muito bem educado por sinal: “Hey gentlemen, you know that there is a crosswalk down the road!” Abaixamos a cabeça e seguimos, né, fazer o quê? De maneira geral a coisa é bem organizada, mas tem um quê de bagunça também (não consigo evitar de comparar com a Alemanha, em matéria de organização é covardia).
Tá, mas o que eu queria contar mesmo com este post é que eu comprei uma van! Agora, posso colocar no meu currículo que tenho experiência como pedestre e motorista! Aqui funciona como na Inglaterra, o volante é do lado errado e todo mundo dirige na contra-mão. Somado a isso, ainda tem o fato da minha van ser um trem grande e de eu não ter muita experiência com câmbio automático (tá, é ridículo de fácil, mas nos primeiros 10 minutos dá uma confundida, vai). Todas essas diferenças juntas me deixaram um pouco nervoso nas primeiras voltas que eu dei, me senti de novo na auto-escola, mas agora, olhando em retrospectiva, até que a curva de aprendizado foi rápida.
Se algum leitor deste blog estiver pensando em vir para a Nova Zelândia, pode trazer a carteira de motorista na bagagem, vale por 1 ano aqui e não precisa de habilitação especial para dirigir vans. E pra pegar a manha é dois palito, mano!
Fica prometido aqui um post no futuro contando mais sobre a minha nova van, pra onde eu já fui com ela e pra onde pretendo ir, combinado? Até lá.

Ae cara parabéns!! Aguardamos os posts e fotos!!
aqui em Amsterdam, por outro lado, estamos quase um ano sem carro sem sentir a menor falta. A cidade é feita pra pedestres e ciclistas e nao pra carros. Ate justamente por nao ser feita pra carros ainda rola engarrafamentos, especialmente nas estradas. Mas eu aqui sou pedestre e usuario de transporte publico e bikes convicto. Ja em SP… quando a carla foi passar duas semanas la esse ano, nao durou 3 dias. no quarto alugamos um carro. Aquela cidade não funciona sem um.
Aqui também rola o lance do pôs-o-pé-na-faixa, o que eu nunca me acostumo. eu sempre fico esperando. Na minha cabeça está formatado que o carro tem prioridade. E aqui em AMS a linha de prioridade é a seguinte (da maior prioridade pra menor):
Bike-Pedestre-Tram-carro
Teoricamente tram tem mais prioridade que pedestre e bike, mas na prática não é o que rola. E taxi não é incluso nessa linha. Taxis são caso a parte e fazem suas próprias prioridades.
[]s
Fala daniduc! Pois sabe que essa coisa de poder levar a vida a pé ou de bike é uma das coisas que mais me atrai em Amsterdam. Passei dois anos indo a pé pro trabalho lá em Ctba e aqui continuo a pé pra quase tudo.
Quando eu estive aí, bem que estranhei a prioridade invertida entre pedestre e tram. A galera vai passando na frente do tram e não quer nem saber, né?
Agora fala aí, São Paulo não funciona sem carro… e com carro funciona? Pior trânsito do mundo, meu! hehehe
Vou fechar com você que SP não funciona! Meu! Hehehe