J’ai une chambre

Posted by Bruno Imbrizi . June 15th, 2008

Faz uma semana que eu me mudei. Depois da experiência insone por culpa do oitavo elemento, fiquei uma semana em um quarto Single no albergue. Saiu caro, mas foi fundamental pra descansar, organizar as coisas e encarar todas aquelas entrevistas e formulários que eu tive que preencher.

Só que não tinha como ficar muito tempo com um quarto Single, eu tinha que procurar uma outra saída. Quando vi que a idéia de ficar trabalhando em Auckland era realmente possível, comecei a procurar um flatmate. Aqui tem muito disso, você racha a despesa do aluguel com alguém que nunca viu na vida e os dois saem ganhando. Ou os três, os quatro, dependem de quantos quartos estiverem disponíveis.

Como tem muita gente chegando e muita gente saindo da Nova Zelândia, o mercado é quente, sempre tem oferta e sempre tem demanda. Sites como o Share Accommodation e Trade Me estão cheios de anúncios. Me ensinaram que anúncio com mais de uma semana no ar não adiantava nem tentar, provavelmente o quarto já tinha sido ocupado. Não pode ficar se enrolando, tem que entrar em contato logo e marcar presença.

Eu comecei a filtrar por bairros próximos da Aim Proximity, mesmo sem ter certeza que ia trabalhar lá. Quando e se saísse a oferta de emprego, eu já estaria adiantado. Deu certo. Visitei só 3 lugares no total.

O primeiro era num prédio moderno, bonito, cheio de cartões e tecnologias de segurança. Uma das ocupantes me mostrou o apartamento. Achei legal, mas não estava rolando uma química, não fui muito com o jeito dela e ela não foi muito com a minha cara. Enquanto conversávamos a TV estava ligada aos gritos e ela falou que eu teria que ajudar a pagar a SKY todo mês. Quem me conhece sabe que pra mim TV boa é TV desligada, então não me agradou muito. Recebi uma mensagem no celular dois dias depois dizendo que elas tinham escolhido outra pessoa.

A segunda visita foi mais legal, o lugar era mais escondido, super silencioso e aconchegante. A moradora está fazendo mestrado na Universidade de Auckland e parecia uma pessoa interessante para conversar. O problema era o preço e o fato de que ela não tinha internet. Depois ainda soube que a pessoa que ia desocupar o quarto ia levar a cama embora e eu ia ter que comprar uma nova se quisesse me mudar. A opção não era das piores, mas ainda tinha um outro anúncio que eu queria conferir.

A uma quadra da casa do parágrafo acima, encontrei o anúncio de um francês que dizia que adorava cozinhar. Fui visitá-lo às 9 da noite e ele disse que eu era a quinta pessoa a ir lá só naquela noite. Ao todo ele tinha oito pessoas interessadas em dois quartos. Batemos um papo no sofá, dei uma olhada no quarto e desejei boa escolha pra ele. Gostei do cara, gostei do quarto e do clima do lugar. Fiquei torcendo pra ele me escolher. No dia seguinte ele me ligou e disse que eu podia me mudar. Agora eu moro com o Thomas (leia Tomá) e a Flora (leia Florrá), a escolhida para o outro quarto e também francesa.

Estou a 10 minutos à pé do trabalho. Minha cama é queen size. Pra lavar a roupa é só jogar na máquina e da máquina pra secadora e da secadora pra prateleira. Tenho internet no quarto, é lenta de doer, mas funciona.

A última semana foi bacana. Algumas vezes ficamos no jardim conversando sobre as diferenças entre Brasil, França e Nova Zelândia. Eles parecem sempre ter tempo para uma taça de vinho. Almoçamos juntos um dia e o Thomas preparou um salmão com purê de batata. Outro dia eles colocaram um filme francês com legenda em inglês pra eu acompanhar. A uma altura um levantou foi pra cozinha e trouxe umas fatias de baguete com um queijinho pastoso por cima e uma garrafa de vinho. Nada mal, hein? Eu sei que vou ter que pagar tudo isso no final do mês, mas por enquanto não estou achando ruim não…

Neste final de semana rolou uma interação entre flatmates no quarto ao lado. Não tenho nada contra, pelo contrário, torço para que curtam e sejam felizes. Só quero ver como eu fico (ou não fico) nessa história. Não perca os próximos capítulos de “Ouvidos da Parede”.

3 Comments »

  1. Netólia //

    Huahauhauhauahuahuaa “Ouvidos na Parede” foi muito boa, uhehuehuehue.
    Graaaande Brunólia… tu fez falta ontem lá em Antonina carinha!
    Abração

  2. Tici //

    hahahaha, assim vc já tá até aprendendo francês!!! Adorei seu post… boa sorte

  3. admin //

    Netólia, valeu pela ligação. Pode ter certeza que eu queria ter estado lá. Se espirrar, saúde. E se se machucar, não se preocupe que até casar sara.

    Tici, meu francês é equivalente ao meu chinês. Não me atrevo a falar nem o nome da uva no rótulo do vinho. É só eu ensaiar um “bonjour” e eles já começam a rir.

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