Could you repeat, please?

Posted by Bruno Imbrizi . June 19th, 2008

Lá pela metade de 2005, alguns intercambistas da Alemanha começaram a fazer algumas matérias comigo na faculdade. Uma noite, depois da aula, alguém sugeriu uma esticadinha no bar junto com eles. Depois de uns dois copos de cervjea descobri que meus semestres de Cultura Inglesa e FISK não tinham sido em vão. A partir de então, passei a considerar meu inglês muito bom.

Em 2006 quando fui pra Alemanha, as pessoas diziam que meu inglês era ótimo. Eu estava confiante, satisfeito. Passei a achar que falava inglês. Que podia ir para qualquer lugar e ia me dar super bem.

Minha confiança ficou um pouco abalada quando comecei a ouvir rádios neo-zelandesas pela internet, mas nada grave. Quando cheguei aqui já voltei a achar que estava tudo sob controle. Entre estrangeiros no albergue nosso inglês (meu e do Walker) era dos melhores. Nem sempre dava para entender o que os kiwis falavam, mas coreanos e inglêses a gente tirava de letra. Conversei pelo telefone, fiz entrevistas, consegui um emprego! Meu inglês está louco de bom!

Até então, tudo morno.

Quarta-feira veio a água fria. Uma ducha de 3 horas de duração para aprender a ser humilde.

Jantar da equipe digital da empresa. 14 pessoas na mesa. 10 kiwis, dois ingleses, um malaio (que mora há 12 anos na NZ) e eu. Fiquei imaginando como seria se eu tivesse ido trabalhar numa agência em São Paulo e na primeira semana oferecessem um jantar para integrar as caras novas. Com certeza eu ia meter minha colher nos assuntos da mesa e ia ficar procurando na minha cabeça comentários sagazes para todo mundo dar risada. Não foi assim. Não foi assim mesmo. A conversa parecia interessantíssima. Eu conseguia pegar trechos, uma ou outra fala, mas eram sempre fragmentos, nada que eu pudesse concordar, ou discordar, ou pensar numa piadinha, ou comentar qualquer coisa. Teve momentos em que eu não entendia absolutamente nada, era como se eu estivesse sentado com chineses. E estava animadíssimo. Eu queria muito participar, mas não teve jeito. Fora uma ou outra conversa paralela que eu puxava com meu vizinho de cadeira, fiquei quieto e observando quase o jantar inteiro. Talvez meus novos chefes e colegas pensem agora que eu sou muito tímido, mas não foi timidez não, confesso aqui no blog, foi pura ignorância. Calei a boca para não ter que assumir que não estava entendendo porra nenuma. Eu queria sair logo dali. Queria chegar em casa e ligar para alguém no Brasil e falar pelos cotovelos, mas o fuso-horário não deixou. O máximo que consegui foi falar mais um pouco de inglês com meus flatmates franceses. Para eles, meu inglês continua ótimo…

Para mim, meu inglês é uma merda. Eu quero falar inglês como se fosse desde criancinha. Quero fazer piada na mesa do jantar. Quero conversar com um kiwi bêbado. Quero ir para o trabalho rindo junto com o programa matinal na rádio. Quero aprender inglês igual ao personagem do livro Budapeste (Chico Buarque) que vai para a Hungria e aprende húngaro tão bem que escreve um livro de poesias e dá para um autor húngaro publicar como se fosse dele.

O idioma tem níveis que vão além dos livros Advanced e Conversation. Imagina um estrangeiro no Brasil, ele pode chegar numa loja da Vivo, falar “pré-pago” e sair satisfeito, porque o vendedor, tentando puxar papo ou não, vai vender de qualquer jeito. Agora imagina esse estrangeiro ouvindo Pânico. Será que ele vai dar risada?

Se o seu inglês não é dos melhores, não se desespere. Não precisa chegar na loja da Vodafone e falar “I would like to see which is the best option for me considering my budget and my visa status”. Na saída a sua sacola vai ter exatamente o mesmo produto que se você entrar e falar só “prepay”. :-)

9 Comments »

  1. Netólia //

    É meu caro, é nessas horas q vc se lembra do “The dog nhoc nhoc my pernation”.
    Dia 01/07 entro numa parecida com a sua… os assuntos serão bem mais simples, porém meu inglês tbém é, heheh… por falar nisso, qual a diferença de fuso? Pretendo ligar para o senhor de lá, pra matar sua saudade de Português e colocar um reggae autêntico pra vc ouvir, hehe.
    Astalavista beibe =P

  2. Ro //

    Imagina eu no States! :o
    Vai ser um fiasco…

  3. Tici //

    Bruno, agora pensa quando vc saí com o pessoal do trabalho e metade fala inglês, metade francês e vc mal compreende os dois, piadas e sacadinhas então é outro nível ao qual estou ainda um pouco longe de alcançar! Agora que tô começando a aprender a trocar a chavinha da minha cabeça de inglês pra francês, mas antes, cara, que empenho, pra mudar de lingua de supetão era um caos total!

    “ficar quieta e observando”, isso ainda acontece muito comigo aqui!!

    Realmente, estamos tendo experiências muito parecidas. Mas pode ter certeza que com muita paciência, humildade e persistência a gente chega lá!

    Tô adorando seu blog, devia ter feito um pra mim. Quem sabe agora me animo e começo a escrever tb.

    bjão e boa sorte

  4. admin //

    Ro and Neto, I think you both still have time to learn some more English. You won’t regret it for sure. You will be able to talk to people from anywhere in the world even if they can’t speak English very well. The more you learn, the more you speak and the more you speak, the more you interact and make friends. Have a nice trip!

    Time zone here is GMT+12, in Miami is GMT-5. It will be 7am there when here it is 12pm.

    Maybe you need Language Tools to read :-)
    http://www.google.com/language_tools

  5. admin //

    Tici, se você montar um blog eu vou ler todo dia!

    Acho bem legal o fato de você estar se identificando com as experiências que eu tô passando aqui. Quando que vai rolar aquela cerveja pra gente trocar figurinha?

    Sucesso aí!

  6. Ro //

    HIAihaihaihahia, corriiiii pro Google, assim vc me complica!
    Não tem mais tempo fófis, nesse horário semana que vem estamos embarcando, o tempo passou rápido demais, esqueci de me matricular num Fisk da vida…
    [:P]

  7. Tici //

    cervejinha é comigo mesmo!! hahahhahahaha, é só marcar…

    Parabéns pelo visto de trabalho e vê se manda as coisas que vc tá produzindo pra gente ver!!

    Ah, já t6o pensando em passar um tempo ae tb, mas só depois de pegar minha cidadania aqui no Canadá. Isso quer dizer que daqui uns 2 anos e meio!!

    Me diz uma coisa. Walter tem blog tb??? Queria notícias dele!! hehehe

    bjão

  8. daniduc //

    haha, e eu vim pra holanda sabendo… hã… hm… “dank u wel”. e nem isso eu pronunciava direito. achava que sim, mas não. O mais difícil é convencer um holand6es a falar holandês contigo. eles mandam o inglês ao primeiro sinal, exterior ou não, de que você é estrangeiro. E bem, como eu sou, de fato, estrangeiro, não tem jeito… eu poderia sair daqui achando que o holandês nào existe, a língua nacional é o inglês e eles inventaram essa lingua estranha só pra zoar os turistas…

  9. walker //

    O WALKER TAMBEM LE ESTE BLOG :)
    E pedir pizza pelo telefone Brunagem? Jah tentou? Semana passada passamos por esse pesadelo. Eu que jah nao sou muito chegado a telefone deixei para o meu colega Dominik (alemao). Ele desistiu logo. Ai fomos no site da Doninos e tentamos fazer o pedido atraves do site. Site tesao pra caramba. Selecionamos a pizza (dava ateh para tirar a cebola se vc quisesse). Ai na hora de preencher o endereco o formulario nao aceitava o nome da nossa rua. :( “Que fazer? Tava chovendo e ninguem se animava em sair com o carro. Putz. Vamos ligar novamente. Foi lah o Charly (frances com aquele sotaque dizendo ‘pardon’ no lugar de ‘excuse me’). Ele durou mais tempo que o dominik. Chegou ateh a dar o endereco. Ai a guria inventa de continuar complicando e pedir para confirmar os sabores do pedido. ai o cara paralizou. nao entendia mais nada do que ela queria. Desesperado ele passou para mim o celular e eu tive que repetir tudo de novo. mas conseguimos!!! meia hora depois estavamos comendo uma ‘meat lovers’ cheia de carne e molho barbecue!!! que saudades da portuguesa!
    abracao bruno! abracao tici!!!! abracao Pri

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