Frescura
Posted by Bruno Imbrizi . May 29th, 2008Eu não tenho muita frescura. Quem quer acampar ou viajar de mochileiro sabe que não pode ser muito fresco. Por outro lado, ninguém é trouxa de ficar desconfortável quando o conforto aparece. Nos primeiros cinco dias de Auckland, nosso albergue era uma casa “victorian style” bem amigável. Nos beliches o colchão era um pouco mole e o travesseiro muito alto, o que dava dor no pescoço. Estávamos em 10 pessoas no quarto e (quem já ficou em albergue sabe) elas não combinam entre si a hora de acordar ou de ir dormir. O resultado é luz acesa na sua cara, barulho enquanto você está dormindo, etc. Mas até que o pessoal lá maneirava. O ponto forte do lugar eram as pessoas, fizemos alguns amigos lá quase sem querer e eles realmente gostaram da gente.
(Estou escrevendo isto num banco de praça e preciso comentar o fato de que vários passarinhos estão me cercando, provavelmente acostumados a ganhar comida de quem senta aqui. Relax total…)
Depois desses cinco dias iniciais. Eu e o Walker trocamos de casa. Por 2,50 a mais por dia, conseguimos um quarto só pra nós em outro albergue com direito a toalha nova, sabonete, shampoo e cama arrumada todos os dias. A cama era perfeita e a gente ainda tinha uma gaveta para cada um para poder deixar algumas roupas e não ter que ficar fazendo e desfazendo mala a cada troca de camiseta. Não bastasse isso, estávamos com sorte. Dentro do nosso quarto havia uma rede wireless aberta, então tínhamos internet free em cima da cama. Os banheiros coletivos eram melhores do que no primeiro e o chuveiro um dos melhores que já vi.
Bom, mas isso foi até ontem… Ontem de manhã o Walker pegou a bike dele e se mandou pro norte (tem que pedir pra ele criar um blog e contar da viagem). Eu fiquei. Eu não tinha como pagar o preço de duas pessoas e ficar sozinho no quarto, então me transferi para um quarto coletivo no mesmo albergue, afinal eu já gostava do chuveiro e tal. Cara, muda o quarto, muda toda a história.
Oito marmanjos:
- Eu
- Um russo, provável dono do pior chulé do mundo (ninguém tem certeza se o tênis era dele, mas os indícios são fortes)
- Um brasileiro gaúcho gente fina, que está aqui procurando o que aparecer
- Outro brasileiro, goiano que estava há 8 anos em Curitiba. Estudou na Tuiuti e está procurando trampo com 3D por aqui
- Um japinha que se não era levava todo o jeito
- Um senhor bem branco, meio manco, quietão e esquisitaço
- Um senhor japonês(?) que os brasileiros me apresentaram como o roncador
- Um elemento que eu não vi até a hora de ir dormir, mas que também tinha fama de roncador
Já fui pro quarto meio preocupado com a hora de dormir. Tomei meio dramin pra garantir. Deitei, acenderam a luz. Foi o brasileiro. Demorou um pouquinho e apagaram a luz. Aí o japonês roncador começou o serviço. Mas daqueles dignos de Massey Ferguson. Ele deu uma trégua e chegou o oitavo elemento. O ronco dele não era dos piores, mas é daqueles que não adianta fazer “chhhiu”, nem bater na parede, nem balançar a cama. Esse cara deve roncar até acordado. O filho da p* não me deixou dormir nada até 4:30 da manhã. Depois eu devo ter cochilado e foi a vez do tio esquisitão começar a batucada. Eu já tinha visto esse tio várias vezes na cozinha, nos corredores, ele nunca disse uma palavra, mas naquela hora (algo próximo de 6:30) ele conseguiu ser o quietão mais barulhento que eu já vi. Ele bateu panela (sim!), amassou papel, enrolou um monte de sacola, uma barulheira do cacete. E às 7:00, acenderam a luz. O brasileiro de novo. E tudo isso com a trilha sonora do oitavo elemento. Fiquei na cama até dar 8:30 e chutei o balde. Quebrado.
Veja um videozinho do Oitavo Elemento
Agora estou num quarto com 4 camas e só tem mais uma pessoa além de mim. Ainda não o conheci. Espero que não seja outro Caterpillar.
Amanhã vou ter que sair de novo, porque este quarto já está reservado. Minhas opções são voltar para a barulheira ou pagar O DOBRO e pegar um quarto só pra mim. Adivinha pra qual opção eu tô mais inclinado?
Pode me chamar de fresco!

Caramba Brunólia, má tu é fresco hein!!!! Mas sério, ficar em albergue tem seus “perrengues” mesmo, haja espírito de aventura e paciência. Ia falar também “haja dramin”, mas você já tomou tanto nesta viagem que não vou incentivá-lo ainda mais. Dê para os passarinhos da praça os comprimidos que restaram! Abraço!!!!!!
Eu acho até que vc já agüentou bastante! :P
Fresco nada… dormir com os outros roncando ninguém merece…
Tenho certeza que pagar o dobro pra dormir em paz valeria a pena… ;)
Bruno, aprenda a roncar mais alto que os outros. Assim você não ouvirá ninguém… :-)
Kra, esse oitavo elemento realmente é muito bisonho !
O bicho nem cabe na cama, tem que deitar atravessado e tem o coco do Dalai Lama ….
Marcelólia, o passarinho que tomou meu dramin está dormindo desde o seu post aqui na minha janela. Será que um dia levanta?
Ro, a experiência num albergue às vezes pode ser muito boa, mas às vezes cai literalmente no barato que sai caro. O duro é nunca dá pra saber antes qual dos dois vai ser…
Ana, foi exatamente o que eu fiz! Valeu a pena, veja o meu post J’ai une chambre quando tiver tempo.
Clair, a sugestão é boa, mas as aulas já começaram a turma de roncadores está fechada. Quem sabe no próximo semestre…
Evandro, esse oitavo elemento realmente é muito bisonho! Hahaha!