Arroz sem feijão
Posted by Bruno Imbrizi . May 22nd, 2008Uma das coisas que eu mais ouvi antes de vir pra cá era que a Nova Zelândia estava cheia de brasieliros, mas até agora os encontros com os conterrâneos foram bem raros. Outro dia vi um chinês com a camisa da seleção. Atrás tinha o número 2 e no lugar do nome do jogador estava escrito “Best Man”. Vai entender… Aliás, aqui vale mencionar uma de Dubai: lá conversamos com um filipino que estava usando uma camiseta onde se lia “Santa Catarina - Hot Samba Beach” ou algo muito parecido. Santa Catarina hot samba beach? De onde esses caras tiram essas coisas???
Voltando a Auckland, ou aos pedacinhos de Brasil em Auckland:
- No nosso albergue tinha um anúncio de um carro sendo vendido por $2000 e o e-mail para contato era com.br.
- No cartaz de uma balada que vai rolar semana que vem num barzinho aqui, um dos DJs é um tal Bobby Brazuka.
- Descendo a Queen St, em meio a dezenas de restaurantes coreanos, sushis e kebabs é possível encontrar uma placa onde (mal) se lê BIFE+SALADA+BATATA+ARROZ+MACARRAO. Eu me pergunto: Cadê o feijão?
- No escritório de Jobs NZ tem uma brasileira designer procurando emprego. Concorrência a vista.
Algumas bocas abrem e os dentes aparecem quando nós dizemos “we’re from Brazil”, mas isso nem sempre acontece. Quando acontece é bem legal. Uma coreana que estava fazendo fund raising nos parou na rua outro dia. Ela pediu para a gente ensinar como dizer “oi” e “como é seu nome”. Foi bacana.
Agora brasileiro brasieliro mesmo, daqueles de carne, osso e que não desistem nunca, esses foram poucos. Ouvi um ou outro português na rua, mas nada que desse para puxar papo. Uns caras estavam batendo foto e fazendo zona no alto do Mount Eden. A gente deu oi e ficou só por isso.
O encontro mais marcante com outros humanos tupiniquins aconteceu logo que chegamos. Estávamos andando e conversando na Grafton Bridge e um cara e uma menina passaram por nós falando português. Eu reparei e comentei com o Walker, mas eles andavam rápido e logo se distanciaram. Eles devem ter ouvido a nossa conversa em português também. Na esquina, os sinais para pedestres demoram bastante e nós os alcançamos. Só estávamos nós quatro naquela esquina, os quatro brasileiros numa coincidência fugaz do outro lado do mundo. O que eu fiz? Eu disse “olá”. A menina girou a cabeça e mostrou três dentes. Ainda estou em dúvida entre um sorriso e um rosnado. O cara também virou a cabeça… só que para o outro lado. O sinal ainda ficou mais uns 30 segundos fechado para pedestres e nós ali, com aquela cara de tacho.
Veja, ninguém tem a obrigação de ser meu amigo, mas visto que eu sou um brasileiro e você também é e nós coincidentemente nos encontramos parados no sinaleiro a milhares de quilômetros do nosso país, não te dá vontade de pelo menos perguntar “será que chove?”
Eu e o Walker rimos sobre voltar no tempo e refazer a cena do sinaleiro de várias formas. Na hora ficamos parados e não falamos mais nada, tentando entender o porquê do gelo.
Essa história de povo caloroso é lenda. Aqui todo kiwi trata a gente super bem e quase sempre rola bater um papinho. E quanto aos brasileiros do país hot samba beach, pelo menos até agora, os daqui não me dão saudade de casa.
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Editado Sexta, 23 de maio
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Hoje eu estava andando sozinho na rua e ouvi uns caras falando português. Não resisiti, tive que parar e puxar papo. Não demorei pra mencionar o episódio do sinaleiro. Eles deram risada e me cumprimentaram na hora, se apresentando e perguntando meu nome. Trocamos uma idéia rápida e logo passaram mais três brasileiros, um dos que estavam falando comigo chamou:
- E aí Fabio?
- E aí. Cês vão na festa?
Aí chegou uma menina distribuindo flyers de uma festa brasileira que vai rolar hoje à noite. Os caras foram bem gente boa e eu peguei o celular de um deles. Viva o Brasil!
