Enquanto ninguém está olhando

Posted by Bruno Imbrizi . June 25th, 2009

Três meses depois de aterisar no Brasil, começo com uma citação fora de contexto:

“Part of being in a community is social control, especially if there are resources that are free for grabs. Whilst the majority of people have enough responsibility and moral values that they would not take more than their share even if nobody is looking, some individuals need to be made aware that they would not get away with it. So even though it is ugly, the occasional lynch mob makes sure that people will continue to share their labour and knowledge for free.”

E uma tradução mais que livre:

“Participar de uma comunidade é, em parte, fazer um controle social, especialmente se há recursos que são de todos. Enquanto a maioria das pessoas tem responsabilidade e valores morais suficientes para não abusar mesmo que ninguém esteja olhando, alguns indivíduos precisam ser avisados de que não vão se safar se o fizerem. Então, mesmo que seja feia, a ocasional “multidão do linchamento” garante que a comunidade continue a compartilhar seu trabalho e conhecimento de graça.”

As frases foram escritas por Mario Klingermann, um dos deuses do Flash, em resposta a um post no blog de Keith Peters, outro deus do Flash. Apesar de o contexto original não ter muito a ver com o objetivo deste post, acho no mínimo honesto abrir um parêntesis e explicar de onde elas vieram.

Um dos motivos de eu adorar o Flash é a comunidade que o envolve. Tem muita gente boa desenvolvendo e compartilhando. O sujeito mostra um negócio avançadíssimo e dá o código-fonte logo abaixo. É como pedir um prato delicioso num restaurante e já levar a receita de lambuja. E o que o restaurante/desenvolvedor ganha com isso? Diretamente, nada. Mas quem leu a receita/código pode melhorá-la mais um pouco e continuar passando para frente. Assim o negócio de restaurantes/Flash ganha como um todo, com receitas/códigos em constante evolução. E indiretamente, o cozinheiro/desenvolvedor que não manteve em segredo seu conhecimento ganha fama, respeito e seguidores – pois de onde saiu uma boa receita/código, podem sair outras. (Minha comparação pode ter sido idiota, mas acredite que o esquema funciona bem pelo menos na comunidade Flash). E tem alguns caras que já produziram tanta coisa boa que ganharam um status de rockstars. Tem quem os chame de Flash Gods.

Pois ontem, graças ao Twitter, alguns dos deuses do Flash se envolveram num episódio polêmico. Um sujeito, Chris Hughes, que até então eu desconhecia, subiu no palco do TED – uma respeitada vitrine de tecnologia e conhecimento – para mostrar uma peça em Flash que “ele fez”. Ele só “esqueceu” de comentar, nos rápidos dois minutos que ficou no palco, que a apresentação dele era inteiramente baseada no trabalho gratuito de outras pessoas (só para registrar, tratava-se das bibliotecas Papervision3D e FLARToolkit). Após a divulgação do vídeo da apresentação do cara, começou uma indignada reação no Twitter que se espalhou mais rápido que arroz em volta de prato de criança. Os difamadores de Hughes não demoraram a ganhar o apelido de lynch mob (multidão do linchamento).

O cara estava nervoso e esqueceu? Ou o cara quis tapear os incautos e levar vantagem? A questão ainda é quente e enquanto escrevo estão chegando novos tweets e posts a respeito. Já o meu post não é para exprimir meu julgamento sobre esse assunto. Espero que ainda não tenha perdido o(a) leitor(a) agora que vou puxar o fio da meada. Em três meses da volta para o Brasil, a citação lá no início trouxe para perto algo que já estava ficando bem pequeneninho no retrovisor. Que o maior abismo entre a Nova Zelândia e o Brasil não é econômico ou político/partidário. A diferença está na noção de comunidade. Como explicar para um brasileiro (eu incluso) um povo em que “a maioria das pessoas tem responsabilidade e valores morais suficientes para não abusar mesmo que ninguém esteja olhando”? E onde “alguns indivíduos” de fato são ”avisados de que não vão se safar se o fizerem”? Posso estar redondamente enganado, mas foi assim que eu vi e vivi a Nova Zelândia.

O que me entristece é que, só para ficar no exemplo mais recente, em meio aos atos secretos não são as sindicâncias parlamentares que vão melhorar o Brasil. Enquanto não houver uma evolução na noção de comunidade, vai continuar no nosso sangue essa urgência de se dar bem, esse ímpeto de meter a mão na cumbuca quando ninguém está olhando e esse receio de denunciar algo errado por medo de retaliação pessoal. Pouca gente fica em pé quando a maioria está interessada em passar rasteira. Enfatizo aqui o termo maioria. Generalizar é sempre perigoso, mas opino sobre o que vejo (seja na esquina ou seja no jornal) assim como todo mundo.

Voltei da Nova Zelândia com um novo ponto de vista, uma nova energia para ser melhor e fazer melhor. Três meses depois me sinto frustrado por me ver de novo afundado “no esquema”. Talvez seja também por isso que eu dedique boa parte do meu dia ao Flash, dá mais gosto de viver nessa comunidade. E esse post (além do caráter auto-terapêutico) tem a função de levantar a questão e abrir a discussão. Pois de nada adianta começar a pensar numa solução para o problema se o cidadão levanta a mão e pergunta: “Que problema?”

Banheiro, Sala e Cozinha

Posted by Bruno Imbrizi . May 3rd, 2009

Moro com minha namorada em um flat. Nele há duas portas: a de entrada e a do banheiro, o resto é tudo uma peça só. Não é possível dar mais que dez passos atravessando a cozinhasalaquarto. A vantagem é que já veio mobilhado. Mas é pequeno para duas pessoas e nós começamos a pesquisar outros apartamentos.

Para quem acabou de chegar de Auckland, procurar lugar para morar em Curitiba é uma tristeza. De saída demos de cara com os sites labirínticos das imobiliárias – meu ex-professor de Design da Informação poderia usá-los de exemplo de como não fazer um site. Depois de driblar os obstáculos e chegar finalmente à página do imóvel, descobrimos que minha ex-professora de Português também tem um case nas mãos. Vamos a um exemplo:

Piso TACOS, Farmácia, Aquecimento Elétrico, P.Social Bom, Pintura Nova, Elevador, Calçada, Supermercado, Interfone, Portaria, Pavimentação Asfalto, Estado Bom, Colégio, T. Construção Alvenaria, Teto LAJE, BWC Social 1, Área de Serviço 1, Cozinha 1, Garagem 1, Sala 1, GaragemDOIS QUARTOS, SALA, BANHEIRO, COZINHA, AREA DE SERVIÇO E GARAGEM. COZINHA PIA COM ARMARIO E QUARTOS COM ARMARIOS. IPTU DA GARAGEM 3 PARCELAS DE R$ 10,50 OBS: GARAGEM É N. 427 UNIDADE 16.352.

Precisava ser tão confuso? Eu fico imaginando: o sujeito é corretor de imóveis, trabalha com isso, vive disso, custa ele perder dois minutos organizando as informações na hora de anunciar o imóvel? “Piso TACOS, Farmácia, Aquecimento Elétrico…” como assim? “Calçada, Supermercado, Interfone…” hã? E qual é a da caixa-alta nesses anúncios? E desde quando acento é facultativo? Alguém me explica por favor o que é “P.Social Bom” e “T. Construção Alvenaria”?

Passada a fase de interpretação, vem o prêmio: as fotos do imóvel. Isso, claro, quando o anúncio tem foto, afinal por que você iria querer ver imagens do imóvel que está pesquisando, não é mesmo?
- Opa, este aqui tem três fotos, vamos lá. Uma da fachada. Outra da fachada. Mais uma da fachada.
- Próximo.
- Este aqui tem mais. Pulando as quatro primeiras da fachada, ah, agora sim! Mas espera aí, isso aqui é a parede ou é um armário? Será que tem pia na cozinha? Não, sério, para que que serve esta foto do chão? Que a parede é branca eu já sei e isso ali no canto é uma janela? Ha! E não tem nenhuma da cozinha!
- Próximo.

Filtrados os imóveis pela internet, chegou a hora de ir na imobiliária e pedir a chave de alguns apartamentos para visitar. Um deles nos pareceu bem interessante, não era muito grande, mas estava bem cuidado e tinha grande potencial. O valor do aluguel era o mesmo do nosso flat, só que teríamos que providenciar toda a mobilha. Então, hora de pesquisar móveis e eletromésticos. Não é uma tarefa assim tão chata. Foi divertido passear pelas lojas de móveis usados. Descobrimos como pode ser abissal a diferença entre um sofá de uma loja popular e de uma loja que se pretende chique. No final das contas, comprar os ítens necessários para poder morar no novo apê sem dormir no azulejo ou almoçar sentado que nem índio, gastaríamos em torno de 5 mil reais. Não, não estávamos comprando uma geladeira da GE nem uma TV de 50 polegadas, era só o básico.

- Ei, mas o básico a gente já tem aqui no flat, uai.
- É mesmo. Vamos ficar, então?

Ficamos.

Em Auckland, a imensa maioria dos imóveis para alugar já vêm mobilhados. Não apenas cama, mesa e armários, vêm com fogão, geladeira, lavadora de roupa, secadora, TV, DVD, microondas e muitas vezes até com lavadora de louça. Entrar e sair de um imóvel é fácil e rápido. Encontrar um imóvel também é muito simples, sites como o TradeMe e T&E (que funcionam como o MercadoLivre no Brasil) têm um alto giro de anúncios de flatmates, aluguéis e vendas e são geralmente recheados de fotos e informações legíveis.

Essa é mais uma diferença cultural que eu acho que poderíamos copiar e adaptar à nossa realidade.

Olhar estrangeiro

Posted by Bruno Imbrizi . March 28th, 2009

Estou no Brasil. Se você acompanha o Viagem no Tempo deve lembrar do melancólico post NZ Trip – Week 4 onde contei o motivo da volta. Não está afim de ir lá ler? Tudo bem, eu resumo aqui: não deu certo a Pri ficar comigo na Nova Zelândia. Não ia dar certo eu ficar sem ela. Voltei e estamos juntos aqui.

No post Querido Diário contei que este blog nasceu junto com a minha viagem para a Nova Zelândia. E agora? Vai acabar? Não, ainda não. Sou egoísta o suficiente para achar que ainda tenho coisas interessantes para contar. O escopo permanece o mesmo: exterior, viagens, diferenças culturais, Nova Zelândia, etc. Espero que você, leitor, ainda tenha interesse em acompanhar.

Minha expectativa em rever a Pri era alta e foi melhor do que eu esperava.

Minha expectativa em rever a cidade era baixa e foi pior do que eu esperava. Eu era um estrangeiro em Auckland, agora sou um estrangeiro aqui. Vai passar, eu sei, mas não tenho pressa. Estou gostando de analisar de fora o que eu sempre aceitei como normal enquanto estava dentro. O terceiro mundo salta aos olhos. Lojas baratas vendem produtos de baixa qualidade a preços baixos para pessoas que não têm condições de comprar algo de qualidade superior. Caixas de som explodem sertanejo (ou duplas de cantores romanticos sem talento para poesia nem melodia) para atrair (?) a clientela. Pessoas de nem-tão-poucas condições assim (e péssimo gosto musical) compram nessas mesmas lojas porque não parece haver outro critério na escolha além do preço. A baixa qualidade prolifera. As ruas têm cheiros e eles não são bons. Banheiro, cigarro, fritura e perfume barato. Os carros têm pressa, as pessoas têm pressa. Para onde vão? O que fazem? Somos tantos, trabalhamos tanto, por que nos é tão raro o que é livre e abundante do outro lado do Pacífico? Eu gostava de Auckland, mas nunca achei uma cidade bonita. Agora eu acho.

Duas coisas eu já sabia e, para minha sorte, não me surpreendi com o contrário: nossas mulheres são mais bonitas e nossa comida é mais saborosa, mais saudável e mais barata. Aqui, para todos esses adjetivos, fica bem clara a generalização e a opinião por amostragem, antes que alguém de mau humor comece a me apresentar evidências do contrário…

Da minha janela vejo um rio. Ele é horrível. Vou sair para imprimir as fotos que eu e a Pri tiramos na Nova Zelândia e que não precisaram de um clique sequer no Photoshop para mostrar os mais lindos azuis, cianos ou verdes dos rios e lagos de lá.

Transit Visa

Posted by Bruno Imbrizi . March 28th, 2009

Drinks de despedida na empresa. Festa de despedida com os amigos. Jantar de despedida dos vizinhos. Emails trocados, muitos abraços, desejos de sorte e alguns presentes. Fazer as malas, pensar na roupa da viagem, lembrar da escova de dentes no último minuto, devolver a chave do flat e ir para o aeroporto. Lá chegando, burocracia com sorrisos até que…

- Como assim não vou poder embarcar? Deve ter alguma coisa que possa ser feito!

Embaraço, frustração e raiva. Tirar as malas da esteira, levar de novo pro carro e voltar para o flat. Vou te dizer, não foi das sensações mais agradáveis…

Não, eu não estava tentando embarcar com uma faca ou algo pior (tipo uma garrafa d’água com mais de 100ml). Eu não estava com o ticket vencido, nem cheguei atrasado para o check-in, nem estava com excesso de bagagens. Meu problema foi o visto. Meu vôo era Auckland-Dubai com uma escala. Não, meu problema não era o visto para entrar em Dubai, era para entrar na escala. A parada em questão era Sydney, Austrália. O avião ficaria em solo por cerca de 1 hora e meia e dali seguiria até Dubai sem mais paradas. Cidadãos brasileiros não têm direto a trânsito pela Austrália e devem solicitar um visto de trânsito junto à Embaixada ou ao Consulado mais próximo. Não tem choro, não tem vela. Sem visto não embarca e pronto. Tire suas malas daqui e passar bem.

A escala, que nem sequer aparecia no ticket de embarque, estragou meus planos. Eu ainda estou tentando entender até agora por que é necessária a existência de um visto de trânsito. Por que eu tenho que preencher um formulário dizendo se eu já tive contato com pessoas com tuberculose antes de ficar 1 hora no saguão do aeroporto de Sydney? E se eu tivesse, seria meu trânsito negado? Ei amigo, eu não quero ficar aí no seu país e sobrecarregar seu sistema de saúde. O que eu quero mesmo é sair dele! Por mim eu passava por cima, entendeu?

Ok, não adianta discutir. Voltei “pra casa” (por sorte não tinha nenhum novo flatmate pronto para entrar no que era meu quarto), pesquisei tudo o que precisava saber sobre o tal visto na internet e botei o despertador para chegar no consulado da Austrália assim que abrisse. Às 9 da manhã eu estava tenso e puto da cara com a senha 14 na mão. A situação ainda poderia piorar se eu tivesse que mandar meu passaporte para Wellington e esperar meu visto pelo correio, ou se, mesmo resolvendo por Auckland, eu tivesse que aguardar, sei lá, 10 dias úteis. E ainda tinha a questão da passagem que teria que ser remarcada e sempre há uma multa de USD 100 para mudanças de data. No fim deu tudo certo e em 3 horas e meia, 2 visitas ao consulado e 2 visitas ao escritório da Emirates, consegui um visto de trânsito pela Austrália e remarquei minha passagem para o mesmo dia sem custo adicional.

O acontecido foi chato, mas não dá para culpar a companhia aérea. Eles foram racionais e educados o tempo todo e resolveram meu problema com agilidade e sem custo no dia seguinte. Apesar de algumas pessoas que ficaram sabendo do episódio terem xingado a companhia, eu discordo e continuo recomendando a Emirates. Ponho a culpa em mim mesmo por não ter ido atrás dos meus direitos e deveres como cidadão brasileiro e na idéia do visto de trânsito em geral que me parece mais uma pilha de papéis e números destinados a atrapalhar a vida das pessoas. E não posso deixar de criticar também a fraca atuação das relações internacionais do Brasil. A lista de países que têm acordo de trânsito pela Austrália e não exige visto é enorme, mas o Brasil não está nela.

A mensagem a passar com a história toda é: quando estiver planejando sua viagem, não faça como eu, não ignore as escalas, você pode precisar de mais que seu passaporte para botar seus pés brasileiros no estrangeiro e quanto antes você cuidar disso, menor a dor de cabeça.

Update:
Enquanto eu estava no aeroporto de Sydney, NINGUÉM pediu meu passaporte. O visto não fez a menor diferença…

Águas de Março

Posted by Bruno Imbrizi . March 23rd, 2009

É bossa nova. É melancolia alegre. É júblio triste. É pau, é pedra, é o fim do caminho. É um resto de toco, é um pouco sozinho. São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração.

A gente se vê.

How bizarre

Posted by Bruno Imbrizi . March 20th, 2009

As notícias são muito bizarras, nao posso esperar chegar em casa para escrever com acentos e cedilhas. Corrigido.

Extra, extra! Mulher deu a luz num avião em pleno vôo e ninguém percebeu! Só até aí já é bizarro o suficiente, mas esse é só o começo, veja só. Ela voava de Samoa para a Nova Zelândia e chegando no aeroporto de Auckland disse que havia perdido seu passaporte. As autoridades repararam que havia algo de estranho pois a mulher estava pálida e com manchas de sangue (!). Foi entao que encontraram um bebê recém-nascido no cesto de lixo do banheiro do avião (!!!).

Veja aqui o vídeo da reportagem:
TVNZ: Police investigate after baby left on plane

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Extra, extra! Vulcão submarino entra em erupção e assusta pescadores da ilha de Tonga! Na última segunda-feira alguns tremores foram sentidos na maior ilha de Tonga e desde então um vulcão submerso há 10 km da costa entrou em erupção arremessando colunas de água para cima e criando uma nuvem de fumaça de 15.000 metros de altura que obrigou aviões a desviarem suas rotas. As imagens são impressionantes.

Veja o vídeo da reportagem e algumas fotos:
TVNZ: Undersea volcano continues erupting
NZ Herald: Photos: Undersea volcanic eruption

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How Bizarre, how bizarre.
Dentre as novidades desta sexta-feira, a campeã de bizarrice é esta: descobri que a música “How Bizarre” é kiwi! Você conhece a música, não conhece? Foi lançada em 1995 e alcançou primeiro lugar nas paradas da NZ, Austrália, Canadá, Irlanda, África do Sul e Áustria além de um segundo lugar nas 100 mais da Billboard. A banda conhecida por OMC detém o recorde de artista neo-zelandês mais vendido no mundo com 20 milhões de cópias! OMC significa Otara Millionaires Club, sendo que Otara é um suburbio muito, muito longe do centro de Auckland e bem pobre (para padrões neo-zelandeses). Estima-se que autor da música e “vocalista” do grupo, Paul Fuemana, ganhou 11 milhões de dólares com o sucesso. E o que ele fez com a grana? Torrou tudo e está quebrado de novo, ainda morando em Otara.

Assista o videoclipe de “How Bizarre”:
Youtube: OMC – How Bizarre

Querido Diário

Posted by Bruno Imbrizi . March 18th, 2009

- E quem é que tem tempo pra ficar lendo diário dos outros na internet?

Esse sou eu em 2004, quando eu tinha ouvido o termo blog umas duas vezes e achava que sabia tanto do assunto que podia até dar opinião. Contra, ainda por cima. E foi com essa profundidade de conceitos que permaneci até o final de 2007, longe dos diarinhos online. Em novembro de 2007 eu e a Pri estávamos refogando a idéia de ir morar no exterior. Nossos quesitos a) europeu e b) que dê pra sobreviver com o inglês, logo nos levaram a colocar a Holanda no topo da lista (ignorando de maneira nada tendenciosa todos os outros países europeus em que se fala inglês em abundância). E numa dessas buscas no Google em que a gente resolve ir até a página 7 eu achei um link muito interessante chamado Ducs em Amsterdam. Apesar de ser um blog (iact!) eu li tudo o que tinha sido postado até então e continuei acompanhando sem muita fidelidade até eles ficarem um tempão sem publicar nada novo, aí eu abandonei mesmo, esqueci de vez.

- Estou pensando em fazer um blog da minha viagem.

Esse sou eu de novo, dessa vez em maio de 2008 às vésperas vir para a Nova Zelândia e nem-um-pouco-imagine-nem-pense-nisso inspirado pelo Ducs em Amsterdam.

Alguns posts meus mais tarde, já torcendo para que mais e mais pessoas viessem perder tempo lendo meu diarinho online, a Pri me avisou que o blog dos Ducs estava com textos novos. Eu fui conferir e desde então não perco nenhum post deles. Mais que isso, a coisa toda começou a se espalhar, rolou um efeito meio viral, eu comecei a clicar em links postados no blog deles e comecei a ler outros blogs! (Já pensou se descobrem que dá pra fazer isso pela internet?!) O primeiro foi o Blog da Bartira que de início eu não sabia se ia acompanhar ou não – porque ler dois blogs ao mesmo tempo é muita coisa – mas acabei não resistindo e voltando para conferir posts novos quase diariamente. Um belo dia, lendo os comentários de um post da Barts, cliquei no link do Nelson e fui parar no Pô, Meu! Aí a coisa saiu do controle, eu não ia dar conta de ser fiel a três blogs ao mesmo tempo além de cuidar do meu próprio blog!

Foi então que eu me rendi a mais uma novidade da internet – que já estava fazendo sucesso há pelo menos uns 3 anos: o tal do RSS. Se você não sabe o que é o RSS, eu explico. O RSS é o office boy que sai pra buscar um título, um texto, uma data, um link e mais uns outros papéis. E o cara é organizado, não importa pra quantos escritórios ou juntas diferentes você o mande, ele sempre traz tudo formatado no mesmo padrão. Agora só falta alguém para colocar essa papelada toda em pastinhas, certo? Sim, eles são os feed readers e devem ter vários por aí, mas eu nem me dei o trabalho de procurar e fui direto pro Google Reader. Qualquer um com uma conta no Google (vai dizer que você não tem?) pode acessar o Reader e começar a receber RSS feed dos seus blogs preferidos. É só clicar no botãozão “Add a subscription” (se o seu Reader estiver em Inglês) e colar a URL do RSS. Meu, pára tudo, o que você tá falando? Que diabos é a URS do RLL? Calma, é fácil. Sabe aquele iconezinho que todo mundo coloca ao lado da sigla RSS? Aquele que está em vermelho ali no menu do topo do meu blog? Então, é só clicar ali e você vai pro endereço do RSS feed. É esse que tem que colar lá no “Add a subscription” do Reader.

Desde que eu deixei o Google e o RSS organizarem minha vida, não parei mais de adicionar blogs à minha lista. Faço questão de citar mais dois aqui que estão entre meus favoritos. O primeiro é o Sociologia Independente que é mantido pelo Fábio, um cara muito gente fina que eu tive o prazer de conhecer aqui em Auckland e que me surpreende a cada post. O outro é o Wagner & Beethoven que é um sarro. Aliás, se você ainda não tem nada na sua lista de blogs no Google Reader, o W & B é uma boa opção para começar, pois são em formato de tira e são sempre inteligentes (cof!) e engraçadas.

Ô, e vê se adiciona o Viagem no Tempo também, né?

Green Day

Posted by Bruno Imbrizi . March 17th, 2009

Os pubs Irlandeses estão lotados – e olha que aqui tem um pub Irlandês a cada 100 metros. Muita gente vestindo roupas verdes pelas ruas, alguns com chapéu e trevo de três folhas. O executivo continua de traje social, mas a gravata não escapa. Uma transversal está fechada entre a Hobson e a Nelson Streets bem no centro da cidade. A banda toca alto. Homens e mulheres verdes esticam o braço para mostrar o carimbo e se misturam à multidão. Barris e mais barris de Guinness se empilham próximo ao bar. Hoje é Saint Patrick’s Day!

Ok, mas qual é a dessa festa? Em poucas palavras é mais um festa de origem cristã que ninguém mais tem certeza como começou mas todo mundo celebra. Eu fui atrás da história do tal Patrício e pelo que eu entendi a biografia dele é tão cheia de evidências quanto à do Saci Pererê. Foi um sujeito que viveu ali entre os anos 360 e 460, ninguém sabe ao certo. Dizem que ele nasceu no País de Gales (há controvérsias) e foi levado como escravo para a Irlanda na adolescência. Depois de alguns anos fugiu e entrou pra igreja. Voltou à Irlanda como missionário, mas pouco se sabe sobre os lugares que visitou ou mesmo sobre sua ligação com a igreja. Nunca foi canonizado pelo papa (naquela época não precisava), mas foi considerado santo e virou o patrono da Irlanda no século VIII. Uma lenda diz que ele usava o trevo de três folhas para representar a santíssima trindade em suas pregações. Outra diz que foi ele quem expulsou todas as cobras da Irlanda, embora haja evidências de que a Irlanda pós Era Glacial nunca teve cobras. Lá pelo século XVII, um franciscano influente resolveu estabelecer o dia 17 de Março como o dia de São Patrício, supostamente o dia e o mês da morte do mesmo, embora ninguém tenha certeza do ano.

A cor associada ao santo é o azul. Não qualquer azul, mas o Saint Patrick’s Blue, que está no Brasão de Armas da República da Irlanda, na bandeira das províncias Irlandesas de Munster e Mide, nas cores da Universidade de Dublin e outras entidades da Irlanda. Até o século XX o santo era retratado usando o seu azul. O verde só veio mais tarde para combinar com a cor mais associada aos Irlandeses.

Faz sentido agora? Entendeu agora porque milhões de pessoas na Irlanda, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia celebram este dia? Não? Então espera até eu explicar a Páscoa, o Natal, o Carnaval…

Cranium

Posted by Bruno Imbrizi . March 15th, 2009

No final de semana fui convidado para jogar Cranium na casa de uma colega de trabalho. Estávamos em seis: dois ingleses, um kiwi, uma francesa que mora na Nova Zelândia desde criancinha, um malaio que está por aqui há 12 anos e o brazuca aqui com inglês de cursinho + 10 meses de Nova Zelândia. Confesso que fiquei apreensivo no começo. “Puts, se eu não entender alguma coisa vou estragar o jogo.” Mas passou longe disso, foi muito divertido. Digo, foi de deitar no chão de tanto rir.

O Cranium lembra o Imagem & Ação e o Caldeirão do Huck. Se tem algum jogo no Brasil mais parecido com o Cranium eu não conheço. Em cada rodada uma equipe tira uma carta e quem acertar a resposta anda no tabuleiro. São quatro áreas, cada uma representada por uma cor. No azul você pode ter que desenhar algo, ou desenhar de olhos fechados (geralmente algo mais) ou fazer mini esculturas com massa de modelar. No verde você pode ter que fazer mímica, ou encarnar um personagem (é permitido falar) ou assobiar uma melodia. No vermelho você tem que dar respostas perguntas objetivas ou de múltipla escolha. E no amarelo ficam as sopas de letrinhas que vão desde soletrar algo de trás para frente até adivinhar o significado de uma palavra obscura.

Se eu pudesse jogaria Cranium todo final de semana. É aquele jeito de aprender uma coisa que você não esquece mais. Por exemplo: bum bag. Você sabe o que é? Eu não sabia. É o que chamamos de pochete. O nome mais usual atualmente é fanny pack, por isso a jogadora que pegou a carta achou que ninguém ia adivinhar se ela modelasse uma pochete em massinha. Ocorre que bum equivale ao Português bumbum e bag significa sacola, mala, bolsa, etc., então ela resolveu separar as duas coisas e modelou uma bundinha e uma bolsinha. Ninguém acertou, mas eu não consegui parar de rir quando alguém sugeriu que fosse um ass case - algo como uma mala específica para guardar bundas. Foi hilário.

Outro exemplo foi uma carta que eu peguei e tinha que desenhar pushing up the daisies. Lembrei da namorada do Pato Donald que em inglês é Daisy Duck e sabia que tinha que desenhar alguém empurrando margaridas, mesmo sem saber que diabos era aquilo. Minha equipe acertou porque conhecia a expressão. Agora que eu sei o significado, faz todo sentido, mas na hora nem me ocorreu. “Empurrando as margaridas para cima” signfica dizer que alguém está morto. Tem a ver. Tem mais a ver do que “um abraço pro gaiteiro” ou “bateu as botas”.

Numa das cartinhas amarelas, a outra equipe leu para nós uma palavra que tínhamos que adivinhar o significado. Saiu algo como ei-ti-lai-er. Ao ler a palavra na carta, a francesa da minha equipe se partiu de rir. Estava escrito atelier. Óbvio que eu também saberia, mas foi curioso ver que uma palavra tão óbvia para nós pudesse ser uma novidade para o cara que leu, já que ele não tinha nem idéia de como pronunciar. Algo semelhante aconteceu quando caiu a palavra cemetery e os ingleses insistiam em repetir palavras como tomb ou graveyard. Quando tempo acabou um deles falou “Ah, mas a gente nunca chama de cemetry! Sempre falamos graveyard!” Ou seja, a nossa principal palavra para designar um cemitério é parecida com a palavra em Inglês, mas não com a principal e sim com um sinônimo menos usado. Achei curioso.

No final cansamos de Cranium e partimos para um drinking game que consistia em contar e bater palmas de acordo de maneira coordenada. Quem errasse tinha que tomar um shot. As opções eram licor de cassis (iuc!), licor de anis e Jägermeister. Eu perdi a conta algumas vezes, mas sempre conseguia me safar proque alguém errava antes de mim. No final de algumas rodadas, quando um dos integrantes já não aguentava mais licor de anis, eu ainda estava invicto e adivinha qual foi meu prêmio? Dose dupla de Jäger.

Foi divertido.

O verde-louro desta flâmula

Posted by Bruno Imbrizi . March 3rd, 2009

O algorítimo que simula a bandeira ao vento atrás do apresentador era o mesmo. O que mudou foram as cores. Eu nunca tinha visto essas cores num jornal aqui na Nova Zelândia. Era a bandeira do Brasil que chacoalhava ao sabor do vento 3D.

Seria uma matéria sobre o Carnaval? A Petrobrás anunciou a descoberta de novas áreas de exploração de petróleo? Alguma ONG neo-zelandesa trazendo dados alarmantes sobre a Amazônia? Algum fato político importante internacionalmente envolvendo representantes brasileiros?

Veja aqui o vídeo (23 segundos).

Não, a bandeira estava ali para lembrar que somos um país perigoso e corrupto - é melhor ficar longe. Que estamos no grupo dos países que ninguém sabe direito onde fica e que ninguém quer saber mesmo - junto com Chipre e Burkina Faso. Que merecemos uma atenção correspondente a: “quando um filho da p*** fizer alguma monstruosidade contra um dos nossos e tivermos que dar a notícia no ar, jogamos a bandeira do país para ter alguma coisa de pano de fundo”.

Não tenho nada contra algorítimos ondulantes, nem contra a seleção de pauta da TVNZ e nem quero trazer atenção para essa bestialidade. Meu ponto aqui é a perspectiva. Tentar explicar um pouquinho o que significa ver de fora.

Você aí no Brasil já se imaginou com a mesma importância internacional que você dá para o Chipre ou para Burkina Faso?